
Com a chegada do frio, muitas pessoas deixam o protetor solar de lado, aumenta a temperatura do banho e esquece de hidratar a pele.
Embora pareçam inofensivos, esses hábitos podem favorecer o ressecamento, provocar irritações e acelerar o envelhecimento cutâneo.
Segundo a dermatologista Marcela Cestari, do Hospital Sírio-Libanês, a pele continua exposta a agentes que causam danos mesmo durante o inverno.
A pele não descansa no inverno, apenas enfrenta desafios diferentes. No verão, o principal agressor costuma ser a exposição solar. Já no inverno, o ressecamento ganha protagonismo por causa do ar mais seco, do vento frio e dos banhos quentes, que favorecem a perda de água e enfraquecem a barreira cutânea Marcela Cestari, dermatologista
A médica destaca que um dos equívocos mais frequentes nessa época do ano é deixar de usar filtro solar. Embora a incidência dos raios UVB seja menor, os raios UVA permanecem presentes ao longo de todo o ano e continuam atingindo a pele, mesmo em dias nublados ou através de vidros.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os raios UVA representam cerca de 95% da radiação ultravioleta que chega à superfície terrestre.
Como penetram nas camadas mais profundas da pele, estão relacionados ao fotoenvelhecimento, favorecendo o surgimento de rugas, flacidez, manchas e alterações na textura.
Outro cuidado importante envolve a temperatura da água durante o banho. Conforme explica Marcela Cestari, o calor excessivo remove parte da proteção natural da pele e favorece o aparecimento de coceira, descamação e sensibilidade.
"A barreira cutânea funciona como uma espécie de escudo que retém água e impede a entrada de agentes irritantes. Quando a água está muito quente, essa proteção é removida, favorecendo o ressecamento, a coceira e, em alguns casos, o desenvolvimento de dermatites", afirma.
Entre os primeiros sinais de que a barreira cutânea foi prejudicada estão sensação de pele repuxando após o banho, aspereza, vermelhidão, descamação e ardência ao aplicar produtos de uso habitual. Em situações mais intensas, também podem surgir rachaduras nos lábios, mãos, pés e calcanhares.
Para reduzir esses efeitos, a especialista orienta o uso de hidratantes mais consistentes, especialmente aqueles que contenham ativos como ceramidas, ácido hialurônico, glicerina, pantenol e niacinamida. Ela também faz um alerta sobre técnicas populares nas redes sociais, como o "skin flooding".
"O que realmente faz diferença é aplicar um bom hidratante enquanto a pele ainda está úmida. Um produto bem formulado já reúne ingredientes capazes de atrair água, suavizar a pele e reduzir sua perda. Muitas vezes, o excesso de etapas agrega mais marketing do que benefício real", afirma.
Marcela Cestari também reforça que a hidratação é importante até mesmo para quem tem pele oleosa.
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Uma pele pode apresentar excesso de oleosidade e, ao mesmo tempo, estar desidratada. Quando a hidratação é negligenciada, a barreira cutânea se fragiliza e a produção de sebo pode até aumentar como mecanismo de compensação, gerando o chamado efeito rebote Marcela Cestari
Além do rosto, regiões como mãos, cotovelos, joelhos, pernas, lábios, pés e calcanhares exigem atenção especial durante o inverno, pois costumam sofrer mais com o ressecamento.
Como forma de prevenção, a dermatologista recomenda manter uma rotina simples, mas constante: usar hidratante diariamente, de preferência após o banho, evitar água muito quente e continuar aplicando protetor solar todos os dias.
"Regularidade é mais importante do que uma rotina complexa. Hábitos simples, quando realizados diariamente, oferecem muito mais proteção à pele do que cuidados intensivos feitos apenas de forma esporádica", conclui.