
Os procedimentos estéticos deixaram de estar ligados apenas ao envelhecimento e passaram a refletir diferentes momentos da vida da mulher.
Nos consultórios, cresce a percepção de que as demandas mudam conforme idade, rotina, maternidade e alterações naturais do corpo.
Enquanto mulheres mais jovens costumam procurar tratamentos preventivos e ajustes de proporção, pacientes acima dos 40 anos tendem a priorizar manutenção, firmeza da pele e resultados discretos.
Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) indicam que elas representam mais de 80% dos procedimentos realizados no mundo.
Na faixa dos 20 anos, as queixas mais frequentes envolvem acne, textura da pele e intervenções faciais influenciadas pelas redes sociais, como rinoplastia e procedimentos minimamente invasivos.
Já a partir dos 30, passam a ganhar espaço preocupações relacionadas à flacidez inicial, olheiras e equilíbrio corporal.
Segundo a cirurgiã plástica Ana Penha Ofranti, da Revion International Clinic, as mudanças acompanham processos naturais do organismo feminino.
“A paciente mais jovem normalmente busca prevenção e proporção. Depois, entram questões relacionadas à maternidade, perda de colágeno, flacidez e manutenção da estrutura corporal. A estética passa a acompanhar o momento de vida da mulher”, explica.
A gravidez também influencia diretamente essa relação com a aparência. Alterações provocadas pela gestação e pela amamentação, como diástase abdominal, flacidez e perda de elasticidade da pele, levam muitas mulheres a buscar tratamentos voltados não apenas à estética, mas também à recuperação do contorno corporal e da sustentação dos tecidos.
Para a cirurgiã plástica Thamy Motoki, também integrante da Revion International Clinic, não existe um procedimento ideal que sirva para todas as idades.
“Hoje a mulher não busca apenas rejuvenescimento. Ela quer escolhas que façam sentido para a fase da vida que está vivendo, respeitando naturalidade, rotina e individualidade”, afirma.
Especialistas observam ainda que a busca atual está menos ligada à transformação radical da aparência e mais conectada ao bem-estar, à autoestima e à valorização de características individuais em cada etapa da vida.