Com a aproximação de uma nova mudança no tempo, o corpo também começa a sentir os efeitos da estação.
O outono, que começa oficialmente no dia 20 de março, traz temperaturas mais amenas e redução da umidade do ar, combinação que pode impactar diretamente a saúde da pele e do couro cabeludo.
Nesse período, é comum surgirem sinais como ressecamento, descamação, coceira e até aumento da queda de cabelo. O cenário é resultado, principalmente, do clima mais seco e do hábito de tomar banhos mais quentes nos dias mais frios.
Segundo especialistas, esses fatores acabam comprometendo a chamada barreira cutânea, responsável por proteger o organismo contra agentes externos e evitar a perda excessiva de água pela pele.
De acordo com o dermatologista José Roberto Fraga Filho, manter a hidratação adequada é essencial para preservar o equilíbrio do organismo e a saúde da pele.
“A água funciona como o óleo de um motor. Se essa lubrificação não é mantida, o funcionamento deixa de ser adequado. Cerca de 70% do nosso organismo é composto por água, e a pele depende diretamente dessa hidratação para manter sua função de proteção”, explica.
Outro ponto que costuma aparecer com mais evidência nesta época do ano são os efeitos acumulados da exposição solar durante o verão. Manchas, perda de elasticidade e sinais de envelhecimento precoce podem se tornar mais visíveis após meses de contato intenso com o sol.
“Vivemos em um país tropical, com milhares de quilômetros de litoral e uma cultura forte de exposição ao sol. Esse hábito contribui para o bronzeamento, mas também aumenta o fotoenvelhecimento, o surgimento de manchas e, em pessoas predispostas, pode elevar o risco de câncer de pele ao longo do tempo”, alerta o especialista.
Apesar desses efeitos, o outono também representa uma oportunidade dentro da dermatologia para investir em tratamentos de recuperação da pele. A menor incidência de radiação solar torna o período mais seguro para procedimentos mais intensos.
“É uma fase muito utilizada para procedimentos mais intensos, como lasers e peelings, que ajudam a tratar manchas, melhorar a textura da pele e reparar os danos causados pela exposição solar”, afirma o médico.
Mesmo com o sol menos intenso, os cuidados básicos não devem ser deixados de lado. Limpeza adequada da pele, uso diário de hidratantes, aplicação de protetor solar e atenção à alimentação continuam sendo medidas fundamentais para manter a saúde cutânea.
Entre os idosos, a atenção precisa ser ainda maior. Com o avanço da idade, a pele tende a produzir menos oleosidade natural e perde parte da capacidade de reter água, o que favorece quadros de ressecamento mais severos.
“A pele do idoso é naturalmente mais fina e sensível. No outono e no inverno, quando a umidade do ar cai, esses pacientes podem apresentar descamação mais evidente e até pequenas rachaduras, que aumentam o risco de infecções cutâneas. Por isso, a hidratação diária e o uso de sabonetes suaves são fundamentais”, orienta o dermatologista José Roberto Fraga Filho.
O especialista também lembra que os cuidados vão além dos produtos aplicados na pele. “Além dos cuidados tópicos, manter uma dieta equilibrada e priorizar alimentos frescos também contribui para a saúde da pele. O cuidado precisa acontecer de dentro para fora”, finaliza.