Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo adere à campanha
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Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo adere à campanha "Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica"

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aderiu, nesta terça-feira (21/09), à campanha "Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica", lançada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para criar e fortalecer uma rede de denúncias contra a violência doméstica durante a pandemia da Covid-19. Na ocasião, foi apresentada pesquisa inédita encomendada pela Apamagis sobre a percepção da violência contra a mulher no Estado de São Paulo.

Com a adesão, a Alesp se compromete a divulgar a campanha, estimular parceiros a promover a divulgação, articular a participação das prefeituras paulistas, além de mobilizar as bases dos parlamentares para o assunto. "Apoiamos todas as ações que busquem a redução de casos de violência contra a mulher. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo tem um prazer enorme de firmar esse termo de adesão na defesa de uma causa tão importante para São Paulo e para o Brasil", afirmou Carlão Pignatari, presidente da Assembleia.

Pignatari enfatizou a necessidade de debater sobre o assunto, mostrar e divulgar dados à população paulista. "A pandemia aflorou e aumentou muito essa situação, é um absurdo. Temos que mostrar todo dia indignação [contra violência à mulher]. Nós juntos podemos mudar essa história", disse.

Maria Domitila Prado Manssur, diretora da AMB Mulher, falou sobre a criação da campanha. "A campanha sinal vermelho teve inicio na pandemia, quando percebemos que as mulheres estavam em situação de extrema vulnerabilidade, próxima de seus agressores e sem seu canal de denúncia, e pensamos onde essas mulheres poderiam se aproximar de nós do sistema de justiça e da rede de proteção", disse.

Campanha

De acordo com a AMB, a motivação para propor uma nova estratégia para coibir a violência contra a mulher partiu de um levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública , que mostrou um aumento de 22% nos índices de feminicídio, comparado o inicio da pandemia com os meses de março e abril de 2019.

A campanha trabalha para articular poderes públicos e a sociedade civil na defesa da mulher e consiste em fortalecer redes de denúncias. O objetivo é possibilitar que mulheres vítimas de agressões consigam pedir ajuda de forma silenciosa, por meio de um "X" vermelho marcado na palma da mão. Dessa forma, funcionários dos estabelecimentos parceiros ou receptores da mensagem podem agir acionando a Polícia Militar por meio do telefone 190, sem a necessidade de se identificar e acompanhar a polícia, nem ser testemunha do ocorrido.

Pesquisa

Durante o encontro, a presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, realizou o lançamento da pesquisa JUSBarômetro, encomendada pela associação e que mostra as percepções da população feminina paulista sobre violência contra mulher. Vanessa Mateus fez uma apresentação sobre os resultados.

A pesquisa foi realizada com cerca de mil mulheres em todo o Estado, de todas as faixas etárias e de renda, sendo realizada por pesquisadoras mulheres e com um método de perguntas em terceira pessoa, trazendo dados mais fiéis a realidade.

De acordo com a pesquisa, 88% da população feminina no Estado acredita que a violência doméstica está aumentando, e que mesmo com a pandemia e as dificuldades impostas pelo vírus da Covid-19, a violência contra a mulher é a maior preocupação feminina.

A pesquisa mostra ainda que 73% das mulheres não denuncia a violência doméstica por medo, seguida por vergonha ou para não se expor.

Ações do Parlamento

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo conta com uma série de medidas voltadas no combate a violência contra a mulher e contra a violência doméstica.

A Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres (CDDM) tem sua atuação voltada a análise de propostas e projetos de lei voltados à defesa em prol dos direitos femininos. No mais, a Alesp conta com frentes parlamentares de Empoderamento da Mulher; em Defesa da Vida das Mulheres; em Combate à Violência contra a Mulher, ao Feminicídio e aos Relacionamentos Abusivos; e em Defesa da Mulher. Além de projetos em tramitação referente à questão.

A Procuradoria Especial da Mulher atua há nove anos no fortalecimento da participação das deputadas em órgãos e atividades do Legislativo. Entre suas funções, estão o recebimento, exame e encaminhamento de denúncias de violência e discriminação contra mulher aos órgãos competentes; a fiscalização de programas governamentais sobre igualdade de gênero; além da cooperação para implementação de políticas públicas para as mulheres; e a promoção de atividades e estudos sobre o tema para apoiar o trabalho das comissões da Alesp.

Atualmente, o órgão é composto pela Procuradora Especial da Mulher, deputada Professora Bebel (PT); e pelas procuradoras adjuntas Marina Helou (Rede), Erica Malunguinho (PSOL) e Dra. Damaris Moura (PSDB), que tomaram posse em junho passado.

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