Projeto de lei apresentado na Câmara de SP seria apenas paliativo no combate ao aquecimento global

É difícil imaginar que ao pintar o telhado da sua casa de branco você pode economizar energia e, ainda, diminuir os efeitos do aquecimento global. A medida é de fato benéfica, mas, segundo especialistas, não justifica a criação de uma lei que obrigue todos os moradores de São Paulo a adotá-la.

Telhados claros diminuem a carga térmica das construções
Divulgação ABCP
Telhados claros diminuem a carga térmica das construções
Em tramitação na Câmara Municipal, a “ lei do telhado branco ” é um projeto do deputado Antonio Goulart, que se baseou em um dos pontos da campanha One Degree Less (Um Grau a Menos).

Lançada em 2008 pela organização não-governamental GBC Brasil , que atua na área de certificação de construções sustentáveis, a iniciativa tem como objetivo divulgar práticas que diminuam a carga térmica das construções.

A consequência imediata dessas práticas é a economia da energia gasta com condicionadores de ar , mas estudos realizados pela instituição comprovam que os efeitos das chamadas ilhas de calor, que estão entre os maiores problemas ambientais das metrópoles, também podem ser amenizados desta forma.

Veja também: Lei do telhado branco custará cerca de R$ 380 milhões a São Paulo

De acordo com Felipe Faria, gerente de relações governamentais e institucionais da ONG, a cobertura branca atua nesse sentido, à medida que reflete de 70% a 80% da energia solar que incide nas construções. “Mas pintar o telhado de branco é apenas uma das formas de se resfriar a construção”, destaca.

“Ele não precisa ser branco, mas reflexivo”, reforça Vanderley John, professor da Escola Politécnica da USP e membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável . Assim, materiais como telhas metálicas não pintadas (de alumínio ou galvanizadas), telhas claras em geral e mantas de isolamento térmico podem ser empregados para se obter as mesmas vantagens.

Confira na galeria de imagens 10 sugestões de materiais alternativos à tinta branca

O problema da tinta – seja ela branca ou de outra cor clara – é que sua capacidade reflexiva se mantém por pouquíssimo tempo, especialmente em superfícies quase horizontais. Dessa forma, se a lei do telhado branco for aprovada, sua eficácia dependerá de pinturas frequentes, o que torna seus benefícios ambientais questionáveis. “Limpar periodicamente o telhado também não parece ser muito viável, já que requer muito trabalho, além de acesso fácil e seguro”, afirma John.

Alternativa verde

Além de resfriar as casas, o teto verde diminui a poluição do ar e o risco de enchentes
Divulgação Ecotelhado
Além de resfriar as casas, o teto verde diminui a poluição do ar e o risco de enchentes
Com objetivos comuns aos do telhado branco, o teto verde também entrou na pauta da Câmara de São Paulo. O projeto de lei, que está sendo desenvolvido pela vereadora Sandra Tadeu, pretende estimular a utilização do recurso por meio de incentivos, a exemplo do que já vem sendo feito em metrópoles como Tóquio, Nova York e Cidade do México.

“O telhado verde é uma solução de longo prazo”, afirma João Feijó, presidente da Associação Telhado Verde. Ele explica que a absorção da água da chuva pela vegetação, além de resfriar as casas e edifícios, torna a cidade mais permeável, ajudando a evitar enchentes.

Feijó explica que a solução é extremamente benéfica para São Paulo também porque se trata de uma cidade onde quase não há mais espaço para novas praças. “E o verde é a única forma de se transformar o gás carbônico em oxigênio, melhorando a qualidade desse ar tão poluído”, conclui.

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