Cuidados começam com a escolha de um profissional especializado, diz entidade

Alerta médico: nenhuma cirurgia plástica é isenta de riscos
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Alerta médico: nenhuma cirurgia plástica é isenta de riscos
A notícia de que mais uma jovem morreu na mesa de cirurgia da lipoaspiração reacende o alerta máximo sobre os cuidados que mulheres e homens precisam ter antes de optar pelo bisturi em favor da estética.

O caso foi mais um incentivo para a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC) anunciar a criação de um banco de dados – com atualização permanente e simultânea – das complicações e mortes neste tipo de operação.

O anúncio do banco foi feito pelo novo presidente da SBPC, Sebastião Guerra, em entrevista ao Delas. “Já trabalhávamos com a proposta da criação de um banco de registros para termos um parâmetro nacional sobre as complicações das cirurgias”, afirmou Guerra, que atua em Minas Gerais. A infelicidade da morte noticiada no início da semana só reforçou esta importância, explicou ele. “Já estamos em fase de seleção dos profissionais para essa medida”.

A jornalista Lanusse Martins, de 27 anos, foi para a clínica na tarde de segunda-feira e não voltou mais. A morte da moradora de Brasília, no entanto, se enquadra na categoria exceção. Diferentemente da maioria dos casos, a mulher havia recorrido a um profissional especializado para a operação, contrariando o índice de 98% dos pacientes que fazem justamente o contrário.

Dos 289 processos sobre cirurgias plásticas analisados pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) em 2008 – único estudo do tipo no País e o mais atualizado – apenas seis tinham como alvo profissionais com especialização em cirurgia plástica. O restante se dividia em médicos com nenhuma especialização, ginecologistas, ortopedistas e cardiologistas (em maioria). Os cirurgiões plásticos – que depois dos seis anos de graduação em medicina ainda cursam cinco anos focados em cirurgia plástica, com atualizações sobre riscos e melhor maneira de lidar com os pacientes – somaram apenas 1,6% dos processados. O médico escolhido pela jornalista tem 16 anos de experiência e é credenciado no colégio de cirurgiões plásticos do País.

“As causas da morte dela (Lanusse) ainda estão sendo apuradas e a Sociedade acompanha o caso. Outros problemas podem ter acontecido, alguns deles que são fatalidades, mas é sabido que escolher um médico com especialização já é meio caminho para evitar as complicações”, afirmou o presidente da SBPC.

Ainda que a exigência por especialização seja unanimidade entre as indicações dos especialistas, a norma não é exigência e nem regra nacional. O médico que realiza uma lipo sem o título de especialista não comete nenhuma infração e nem pode ser punido por isso.

Referências e mais referências

Além de procurar médicos referenciados antes da cirurgia plástica é importante lembrar que os riscos de lipoaspiração ou implante de silicone são semelhantes aos de qualquer outro procedimento que envolva anestesia geral, como cirurgias cardiovasculares ou ortopédicas, por exemplo. A inexistência do “risco zero”, portanto, deve ser colocada na balança antes da opção pela operação, alerta a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos. A importância da escolha do profissional passa por conhecer seu histórico de atuação. Os especialistas aconselham a ouvir outros pacientes que já foram submetidos aos cuidados do profissional.

A dica sobre a importância da “referência” é embasada em estatísticas. Quatro em cada dez médicos processados são reincidentes, mostrou o levantamento do Cremesp. Dos 289 médicos envolvidos, 38% eram reincidentes. O caso mais grave era de um profissional que colecionava 16 processos éticos.

Risco brasileiro

A ausência atual de um mapeamento sobre as complicações e mortes provocadas em cirurgias plásticas no Brasil faz com que, por ora, não exista uma taxa nacional que afere o risco da cirurgia plástica brasileira. Pelos dados internacionais, no entanto, as evidências mostram que o País está dentro da margem segura.

A Sociedade Americana dos Cirurgiões Plásticos estudou 400 mil cirurgias plásticas entre 2000 e 2004 e descobriu que em 0,34% delas houve sérias complicações (uma em cada 298 operações) e que em 0,0019% os pacientes morreram (um óbito a cada 51.459 cirurgias). Por este parâmetro o Brasil – que ocupa o segundo lugar no mercado mundial de cirurgias plásticas só atrás do EUA – está na margem. Em média, são entre dez e oito mortes anuais por causa da lipoaspiração em um universo de 550 plásticas realizadas por dia (em média 200 mil por ano).

Antes da cirurgia plástica não deixe de:

Verificar se o médico é credenciado na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Isso pode ser feito no site da Sociedade www.cirurgiaplastica.org.br

Procure referências do médico. Vale escutar outros pacientes

Desconfie de preços muito baratos. Médicos que cobram pouco precisam realizar um número excessivo de procedimentos para cobrir os custos. O acúmulo de casos pode facilitar a negligência

Certifique-se sobre a equipe médica do profissional. É preciso contar com anestesistas, enfermeiros e auxiliares, todos gabaritados

Se a cirurgia for feita em uma clínica e não em hospital cheque se a unidade contém aparelhagem e também transporte móvel de UTI em caso de complicações

Pesquise os riscos e benefícios do procedimento e desconfie dos médicos que oferecem “nomes fantasias” – como a nova lipo, o silicone diferente – já que podem ser processos não regulamentados

Seja realista com relação às expectativas. Não adianta querer padrões estéticos que fogem do seu biotipo

Converse bastante com o médico a respeito do seu histórico de saúde, medicamentos que ingere e casos de outras doenças na família. Tudo isso precisa ser levado em conta antes da cirurgia ser realizada

Vale perguntar se a clínica tem alvará da Vigilância sanitária local

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