Além de iniciar nova atividade física, duas mulheres contam que ganharam mais autoestima, confiança e motivação no dia a dia

Maria Regina Fernandes, 53 anos:
Arquivo pessoal
Maria Regina Fernandes, 53 anos: "pedalar é descobrir um mundo de possibilidades"
Aprender a andar de bicicleta remete à infância. O presente de Papai Noel aos 5 anos, as primeiras pedaladas com rodinhas de apoio, os primeiros tombos, a primeira deslizada sem ajuda. Quem não lembra disso? Algumas mulheres têm estas memórias bem fresquinhas. Passaram por tudo isso só depois que apagaram as 50º velinhas do aniversário.

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Para a nutricionista Maria Regina Fernandes, de 53 anos, o sonho de se equilibrar em duas rodas ficou adormecido por muito tempo.

“Quando pequena, eu e meu irmão ganhamos bicicletas. A dele era verde com duas rodas e a minha, um triciclo azul – naquela época, meninas não andavam em duas rodas. Meu pai adorava bicicletas e participava de competições na juventude, mas não teve tempo de me ensinar”, conta Maria Regina.

O tempo passou e o desejo foi engavetado. Com 30 e poucos anos, ela comprou uma bicicleta cor-de-rosa e resolveu que aprenderia a pedalar sozinha.

“Levei a bike para o sítio e tentei, sem sucesso, pedalar em uma estradinha de terra”. A magrela acabou encostada e Regina se contentou em pedalar na ergométrica da academia.

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Há pouco mais de dois meses, a nutricionista recebeu de uma amiga, por uma rede social, informações sobre um curso para adultos que não sabem pedalar nas ruas.

“Era minha oportunidade de aprender. Enviei um e-mail para a Cláudia Franco, organizadora das aulas, e fiquei aguardando ansiosa pela resposta. Nesse meio tempo, fui a uma loja com meu sobrinho e compramos duas bikes. Falei para o vendedor que não sabia andar de bicicleta e ele logo providenciou duas rodinhas”, revela.

Na primeira aula oficial, a providência foi logo retirar as rodinhas de apoio. “O que senti? Taquicardia, calor, uma sensação de que não daria conta do recado. No meio da aula precisei sentar e respirar fundo para continuar”.

Foi só na quarta aula que Regina experimentou a liberdade. “Dei várias voltas pela quadra, com a Cláudia me apoiando. De repente, ela me soltou… e eu não caí. Foi uma sensação deliciosa de ser capaz, de liberdade, de felicidade. Tive vontade de gritar: ‘consegui pedalar!’”

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Regina aprendeu a pedalar no dia da árvore, quando também tem início a primavera, estação marcada por vários passeios ciclísticos. “Foi muito significativo. Lembrei-me de uma frase que ouvi há anos: uma flor tem seu momento certo para desabrochar, nem antes, nem depois. Eu demorei um pouco, mas aconteceu”.

Os sonhos de Regina foram renovados, a ponto de ela planejar não só uma volta completa pela ciclofaixa na capital paulista, como também uma viagem de bicicleta pela França.

“Pedalar é muito mais do que se equilibrar em duas rodas. É desbravar novos caminhos e descobrir um mundo novo de possibilidades, além de reduzir os pneuzinhos da barriga”, brinca.

A empresária Heloísa Capelas, 55 anos:
ciclofemini
A empresária Heloísa Capelas, 55 anos: "Estou aprendendo muito sobre mim mesma"
O mesmo ocorreu com a empresária e terapeuta Heloísa Capelas. Em sua lista de coisas a fazer aos 55 anos, ela estabeleceu: aprender a andar de bicicleta. Há 40 dias, deu início ao projeto.

“Já me equilibro, mas ainda não sei brecar nem desviar com habilidade”, conta.

O desejo de pedalar era antigo, mas por um receio do pai – ele achava que ela e os irmãos poderiam se machucar –, Heloísa nunca foi atrás de concretizar seu sonho.

“Até que vi que esse medo era do meu pai e não meu”.

Que sentimentos experimentou com a pedalada na vida adulta? “Estou aprendendo muito sobre mim. O primeiro aprendizado foi sobre minhas habilidades – achava que eram menores. Até melhorei minha performace em outras áreas, como falar inglês, por exemplo”.

Heloísa fala ainda do ganho de confiança. “Quando a nossa autoimagem melhora, tudo melhora ao redor. Estou mais segura e muito mais alegre. A crença de que seria difícil e de que eu era incapaz desapareceram quando consegui me equilibrar e sair pedalando. Foi incrível. Se equilibrar na bike é como se equilibrar na vida”, vibra.

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