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Saúde da Mulher
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Cistite ou infecção urinária?

Entenda as diferenças e aprenda como prevenir e tratar os dois problemas

Lívia Machado, iG São Paulo |

Na hora da dor, os sintomas são iguais. Cistite e infecção urinária, porém, não são sinônimos. Comuns entre as mulheres, as duas doenças provocam dor, desconforto e ardência ao urinar.

Saber diferenciar os sintomas evita a evolução do problema e o uso inadequado de medicação.

Alex Meller, urologista do Hospital Santa Paula, em São Paulo, pontua a diferença entre as duas: a cistite, segundo o especialista, é uma inflamação da bexiga. Ela provoca dores, vontade de urinar, mas os sintomas são menos severos. Quando diagnosticada logo no começo, é possível bloquear o problema com a ingestão de bastante água, e o uso de analgésicos para tratar a dor.

“Ao primeiro sintoma de dor, é importante tomar bastante líquido. A cistite alerta que a bexiga está irritada. Analgésicos específicos para aliviar ardência na via urinaria devem resolver o problema em 24 horas.”

A lista de causas da cistite é vasta e bem variada. Baixa hidratação ou consumo abusivo de café e refrigerantes, por exemplo, podem desencadear o problema. Meller esclarece que essas bebidas liberam uma substância ácida na urina, que provoca a irritação da bexiga.

“O abuso dessas bebidas eleva a acidez da urina e inflama a bexiga. Essa reação provoca a sensação de incontinência. Urinar mais vezes não é o problema, mas urinar com dor é alarmante.”

Respeitar a vontade de urinar, mesmo com os sintomas da cistite, é importante para evitar que o problema evolua, explica o urologista. Ele comenta que é comum as pessoas segurarem a urina para evitar a dor. “Quem tem cistite não urina direito, tem medo de sentir a dor e acaba ficando mais propensa a infecção.”

Uma cistite não tratada é uma das portas de entrada de bactérias para o sistema urinário. A anatomia da mulher favorece a contaminação. Rogério de Fraga, chefe do departamento de urologia feminina da Sociedade Brasileira de Urologia, explica que a uretra da mulher é mais curta e a abertura está localizada em uma região tipicamente colonizada por bactérias.

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Beber água e fazer xixi com frequência é bom para evitar os dois problemas
Xixi a cada três horas

Já a infecção urinária, explica Fraga, é provocada pela chegada dessas bactérias até a bexiga. Em muitos casos, a cistite pode evoluir para uma infecção. “A bexiga já fragilizada fica mais vulnerável ao avanço das bactérias.”

O especialista revela que a cada quatro horas a população de bactéria na região genital é duplicada. A evolução é rápida, mas a forma de prevenção é simples. É fundamental urinar a cada três horas. “A urina lava a bexiga, recicla as bactérias e blinda o sistema urinário. Urinar muitas vezes ao longo do dia e beber muita água mantém a doença distante.”

Antigamente apelidada como 'doença da Lua de Mel', a cistite também pode aparecer após a relação sexual. Os médicos explicam que o atrito do pênis na vagina irrita a uretra, provocando a sensação de ardência e dor. Uma recomendação dos especialistas para evitar o problema é simples: depois do sexo, dar um pulinho no banheiro e urinar. “O pênis também é um condutor de bactérias para a bexiga. A urina lava o canal, a bexiga e elimina as bactérias que entraram.”

Raio-X de bactérias

Para tratar a infecção é preciso realizar exames de urina com cultura de bactérias, esclarece Alex Meller, urologista do Hospital Santa Clara. “A paciente precisa procurar um atendimento e realizar exames de cultura. Não há como indicar um medicamento sem saber que tipo de bactéria está provocando a infecção. Sem esse ‘raio-x’, o tratamento pode ser inútil.”

O uso inadequado de antibióticos além de não tratar o foco da doença, faz com que as bactérias criem resistência à medicação. No Brasil, segundo o médico, um dos remédios mais potentes para tratar esse tipo de doença, por conta do uso incorreto, já enfrenta a resistência de bactérias em 20% dos casos.

“Em muitos hospitais o atendimento é feito sem critérios. Recomendar um remédio mais fraco que a bactéria não elimina os sintomas, e indicar um medicamento muito mais forte que o necessário para o caso faz com que esse medicamento perca potência. A bactéria cria resistência ao longo do tempo e deixa de reagir ao remédio.”

Alternativas

A cistite ataca de 15 a 20% da população feminina no mundo. Ao longo dos anos, os números não aumentaram, embora o conhecimento sobre a doença, na avaliação dos médicos, sejam ainda bem confuso.

A mulher moderna tem mais relações sexuais, e, na correria do dia-a-dia, menos tempo para se preocupar com alimentação balanceada e hidratação constante. Rogério de Fraga, especialista em urologia feminina da Sociedade Brasileira de Urologia, revela que do ponto de vista médico, a incidência das doenças passam a ser preocupantes quando ultrapassam de três episódios ao ano.

A proteção e as causas, para as duas doenças, estão diretamente ligadas. De acordo com os médicos, a prisão de vrente, a baixa imunidade, o pouco consumo de água e a menopausa desencadeiam os dois problemas. O intestino com funcionamento irregular contribui para a proliferação de bactérias e a contaminação do sistema urinário.

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Cranberry: o suco da frutinha ajuda a proteger o trato urinário
Frutinha protetora

Nos Estados Unidos, uma medida de prevenção para casos em que a infecção urinária é crônica, é beber suco de cranberry – aqui no Brasil ela se chama oxicoco e é uma parente do mirtilo. Alex Meller revela que a fruta elimina na urina uma substância que paralisa as bactérias, e tem o poder de controlar o desenvolvimento delas na bexiga. Por aqui a bebida pode ser encontrada em lojas de produtos importados ou naturais. Além do suco, há no mercado um imonomodulador para tratar infecções severas. Meller explica que o medicamento é recomendado para a prevenção. Ele aumenta a imunidade do tecido da mucosa, protegendo a bexiga.

O urologista alerta, no entanto, para o cuidado com problemas crônicos. Na visão dele, casos agudos, repetidos em um intervalo curto de tempo, precisam ser acompanhados com atenção. Embora seja mais difícil de acontecer, uma bactéria resistente pode sim, evoluir, alcançar os rins, e contaminar o sangue. “A infecção que começou na urina, quando chega o sangue, torna-se generalizada. As implicações são graves e, muitas vezes, irreversíveis.”
 

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