Monica e Gabriela: três anos atrás, sentindo que algo não ia bem, a mãe leu o diário da filha
Que mãe nunca pensou em ouvir uma conversa do filho adolescente pelo telefone ou fuçar no armário dele? A adolescência é um período bem confuso, tanto na vida dos jovens como na das mães. E, curiosas sobre o que anda acontecendo no mundo do filho que está crescendo, muitas passam do pensamento à ação. Mas qual o ponto que separa o monitoramento da invasão de privacidade?
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Segundo Maria Cristina Capobianco, psicóloga especialista em comportamento infantil e adolescente, a privacidade é vital para o adolescente. Invadi-la ouvindo conversas e lendo diários sem o conhecimento dele pode produzir um efeito inesperado. “Vasculhar a privacidade deles não é a melhor maneira de se aproximar ou de acompanhá-los mais de perto”, diz.
O ideal, na verdade, é fazer parte da vida do filho de forma consistente desde a infância, ouvindo tudo o que ele tem a dizer e dando espaço para a comunicação. Se monitorá-lo – principalmente na adolescência – também é necessário, isto deve ser feito de forma saudável e respeitadora.
De acordo com a psicopedagoga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando adolescentes em tempos difíceis” (Summus Editorial), o adolescente não quer que o adulto concorde e aceite tudo. “Ele quer mesmo é ter a garantia de que é ouvido e entendido”. E agir é sempre melhor do que apenas falar. “Os filhos precisam de bons modelos. Não adianta exigir respeito e bom comportamento se não tratá-lo desta forma”, afirma a especialista. Por isso, em vez de um longo sermão antes da balada ou telefonemas de cinco em cinco minutos para saber se ele está bem, o melhor é se oferecer para buscá-lo no fim da festa, em um horário pré-combinado. “Pais que confiam em seus filhos raramente são traídos, pois os filhos temem decepcioná-los”.
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Mudanças de comportamento e diário dando sopa
Porém, nem sempre é possível seguir as regras de boa conduta e, se surgirem brechas para desvendar de vez o que acontece na vida do filho, que mãe seria capaz de se segurar? Não foi o caso da técnica em bioquímica Monica Teixeira Chaves Pereira, de 36 anos. Quando a filha Gabriela tinha 13 anos, Monica soube que ela tinha arrumado um namorado um ano mais velho. Ao mesmo tempo, vinha percebendo uma mudança de comportamento da filha: “Fiquei com uma pulga atrás da orelha”, conta. E não foi à toa.
Hoje Gabriela já está com 18 anos e a mãe não passa mais por esse tipo de problema, mas na época, enquanto ela chegava mais tarde da escola e não queria mais fazer as aulas de Educação Física por conta do novo namorado, Monica se preocupava. “Era coisa de adolescente, mas acabei descobrindo que o menino queria mandar nela, tinha senhas de blogs e redes sociais dela e interferia como bem entendesse, ao mesmo tempo em que ela andava mais quietinha comigo”, diz. Se a filha mal andava falando com a mãe, como Monica descobriu tudo isso? Pelo diário de Gabriela, que estava dando sopa em cima da cama da menina.
Monica não contou para a filha que tinha lido os registros do diário. Gabriela só veio a saber anos depois. “Eu disse para a Gabi que estava percebendo algumas coisas em relação ao menino e não estava gostando, que estive observando-a e vendo as páginas dela da internet e tivemos uma conversa bem legal, em que eu disse que ela não podia ser dominada por ele em hipótese alguma”. E deu certo. “Eu me senti muito culpada”, diz. “Mas também acho que, se ela deixou o diário à vista, queria que eu o visse”.
Curiosidade ou necessidade?
Embora os filhos esperem ser monitorados, é preciso ter bom senso para não cair no ridículo. Quando tiver alguma suspeita, o psicólogo Bruno Weinberg, orientador educacional do Colégio I. L. Peretz, de São Paulo, aconselha separar o “desejo de saber” da “necessidade de saber”. Saber se o seu filho está namorando é um desejo pessoal – você está apenas curiosa a respeito e quer contar para toda a família – ou uma necessidade – ele mudou de comportamento, parece mais aéreo e piorou no rendimento escolar? “Esta é uma regra básica e ajuda a mostrar até que ponto os pais podem entrar na vida dos filhos sem serem invasivos”.
Para Elizabeth, é melhor pecar pelo excesso de zelo do que pela falta. Mas o monitoramento não deve ultrapassar as barreiras naturais, a não ser em casos de extrema necessidade, como a suspeita de um envolvimento com drogas, por exemplo. E também é saudável os adolescentes manterem alguns segredos em relação aos pais. “Faz parte do tornar-se adulto, quando os pais não decidem e sabem mais tudo sobre os filhos”, pontua a psicóloga Maria Cristina.
É importante e necessário que os pais saibam como o filho está se saindo dentro dos diversos âmbitos da vida dele – rendimento escolar, mudanças de comportamento, se sai muito com um grupo específico de amigos, se fica muito em casa sozinho, entre outros aspectos. De acordo com o psicólogo Bruno Weinberg, alguns dados relevantes da vida dos filhos adolescentes são sinais: “Os filhos mandam recados de ajuda, de uma forma ou de outra, aos pais. E eles precisam ser sensíveis para conseguirem enxergar e estarem presentes, mas procurando sempre respeitar a autonomia e o desenvolvimento da responsabilidade do filho”.
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no meu ponto de vista não acho legal ficar olhando nas coisas do filho(a) ,\nexiste algo muito melhor doque fazer isso ....\npega um dinheirinho basico ...\nsaia com ele(a) , converse conheça o seu filho ou filha ....\nseja uma amiga(o) , pois no mundo que vivemos hoje não podemos peder a comunicação de ambas as partes ...\npois se por ventura os pais não tiverem uma certa afinidade com os filhos podem perder eles para esse mundo ...\n\nsandra !!!
Responder comentário | Denunciar comentárioNo meio dos anos 80 , o Fantastico exibia reportagem com crianças exigindo privacidade e direitos que pareciam inocentes , essa crianças eram incentivadas por psicólogos e alguns pais,não é surpresa nenhuma que o resultados da liberdade sem limites nos deu , aumento da violencia , consumo de drogas , os garotos "pitbull" , menores grávidas, jovem atirando ovos em pedestres etc..,Parece-me que enquanto os pais lutam pais que seus filhos tornem-se pessoas que envelhecerão com respeito , outros pseudo-não-sei-o-que incentivam à morte ainda na juventude , a privacidade é o convivio com pessoas que respeitam a harmonia e as obrigações, porque na criminalidade e na esbornia todos são alvos fáceis.
Responder comentário | Denunciar comentárioAnderson | 20/07/2011 02:58
Muito bom os comentários. Em qualquer geração os filhos devem estar sob a supervisão e a autoridade de seus pais. Tirando os exageros de ambas as partes. Filhos constroem os seus direitos. A maior obra de pais são o que transmitem aos seus filhos. Não vou deixar psicóticos(analistas) decidirem o que é melhor para os meus filhos. Temos de fortalecer a base familiar que é a sua própria unidade.
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Lilian | 17/07/2011 12:04
Paulo Henique, concordo com você. Creio que a privacidade é para adultos. Os adolescentes, ainda com o carater em formação, devem ser supervisionados, pois são alvos fáceis. Os pais de hoje trabalham, não há mais a mãe que fica em casa o dia todo e pode acompanhar de perto o aprendizado dos filhos, na escola, com os amigos, etc. Supervisionar, sim, e com respeito, o que faz parte dos nossos ensinamentos, respito mútuo. Acredito também que uma educação exigente só traz benefícios, ou traz mais benefícios que prejuízos à educação da pessoa, nossos filhos só terão a agradecer no futuro.
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Quem NUNCA na adolescência teve um ´´segredinho´´ com os pais? \n\nConfiança é a base de tudo.\nNa minha opinião.\n
Responder comentário | Denunciar comentárioRESUMINDO: 'MELHOR PECAR POR INVASÃO DE PRIVACIDADE, DO QUE POR OMISSÃO DA VERDADE"...\n"QUEM NÃO DEVE NÃO TEME"... SE TEME É PORQUE ESTÁ FAZENDO ALGO DE ERRADO E ESCONDE PARA NÃO ASSUMIR CONSEQUÊNCIAS.\nA TRANSPARÊNCIA REVELA A MATURIDADE DOS FORTES E O SEGREDO ESCONDE A COVARDIA DOS FRACOS...\nMELHIOR" MARCAR EM CIMA" PARA TER UM FILHO BEM SUCEDIDO DO QUE UM FRACASSADO NA VIDA.\n
Responder comentário | Denunciar comentárioA "privacidade" pode ser entendida de outro modo; "liberdade". Não podemos dar muita liberdade para jovens que por Lei não respondem por seus atos , principalmente quando as consequências de seus erros são assumidas e encobertas por pais "protetores e liberais".\nÉ importante considerar que "por trás dos cadeados de diários" possam estar escondidas "alucinações sob efeito de drogas". Melhor invadir sim a privacidade dos filhos agora, do que "sofrer com a perda da identidade deles para as drogas" depois. Quando o "estrago" patrocinado pela omissão dos pais "em confundir respeito com liberdade" para proporcionar privacidade aos seus filhos fugir de seus controles, de nada vai importar os espaços reservados concedidos porque "socialmente revelarão suas intimidades nas próprias atitudes" ... se drogando, fumando, bebendo, prostituindo, participando de grupos polêmicos e até mesmo roubando para sustentar vícios.
Responder comentário | Denunciar comentárioVer com quem os filhos tem contato, conhecer seus contatos, ler agendas, cadernos e etc, ver o que acontece no pc, tudo isso promove uma melhor educação. Nada do que os filhos fazem as escondidas pode se tornarem em coisas positivas, senão não seriam as escondidas. Deixar com que eles tenham individualidade/privacidade é bom desde que seja controlada. \nÉ obrigação de todos os pais, porque qualquer desvio dos filhos pode causar sérios problemas a família toda. Fico em cima mesmo! De olho sempre e ainda acho pouco.
Responder comentário | Denunciar comentárioQuando a privacidade esconde "segredos" e eles caracterizam comportamentos estranhos, SIM, É NECESSÁRIO INVADIR PRIVACIDADES POIS, 'AS DROGAS' ESTÃO ROLANDO FÁCIL NAS MÃOS DOS JOVENS POR CONTA DO "EXCESSO DE LIBERDADE" CONCEDIDA PELOS PAIS . E ISTO INCLUI A TRANSFORMAÇÃO "DOS QUARTOS DELES " NUM ESPAÇO RESERVADO E INVIOLÁVEL, ONDE TUDO ACONTECE SEM REGRAS "POR RESPEITO A INTIMIDADE DELES". É AÍ QUE COMEÇAM A PERDER SEUS FILHOS P/ O MUNDO LÁ FORA QUE NÃO RESPEITA A VIDA DELE ... PORTANTO, MELHOR MANTER UMA RELAÇÃO DE "LIVRO ABERTO" COM TEUS FILHOS, PORQUE "OS TRAFICANTES PODEM ESTAR COLOCANDO CADEADOS NOS DIÁRIOS DOS TEUS FILHOS"...
Responder comentário | Denunciar comentárioantonia | 17/07/2011 16:41
Achei o teu comentário muito forte! \nParece ser a força de vida que nós pais/mães temos que ter para educar e nos relacionar com filhos.\nÉ muito difícil, não é?
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