9 dicas para contar histórias em casa

Contadores profissionais sugerem técnicas e estratégias para prender a atenção da criança do “era uma vez” ao “...e viveram felizes para sempre”

Renata Losso, especial para o iG São Paulo |

Daniela Chindler
A contadora Vanessa Castro em ação: memórias da própria infância são referência infalível para os pais
Neste fim de semana aconteceu no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, o I Festival de Contadores de Histórias. Convidada do evento, a contadora de histórias Alessandra Giordano, psicodramatista que ministra o curso “A Arte de Contar e Ouvir Histórias na Contemporaneidade” no Instituto Sedes Sapientiae, diz que a história é o presente mais barato e mais precioso que os pais podem oferecer aos filhos (leia entrevista com ela ). “Os pais que se aproximam dos filhos para contar histórias favorecem a imaginação criadora desta criança que está em formação”, completa.

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Todas as mães e pais estão cansados de saber que contar histórias é benéfico às crianças – mas muitos precisam de uma mãozinha para se soltar ou adquirir o hábito. Por isso, fomos ao evento pedir aos profissionais da área algumas dicas para os pais contarem histórias para seus filhos em casa.

1. Seja ora narrador, ora personagem
Para Carlos Grahamhill, educador-intérprete em linguagem de sinais do CCBB Educativo, um dos segredos para prender a atenção das crianças é usar a “mobilidade do sujeito”. Mas o que é isso? É quando o pai ou a mãe, ao contar uma história ao filho, assume o narrador e as personagens da história ao mesmo tempo, interpretando cada um à sua maneira. “Existe essa brincadeira de ir e voltar, e as crianças entendem e admiram isso”, explica. Talvez você até já pratique a técnica. Ou nunca engrossou a voz para fazer o Lobo Mau, afinou para fazer a Vovozinha e normalizou o tom ao retomar a narrativa de Chapeuzinho Vermelho?

2. Não se preocupe com o seu desempenho
Giba Pedroza, contador de histórias e pesquisador da literatura infantil e tradição oral, autor do CD-livro “Girasonhos – Roda de Histórias”, também dá um recado que poderá servir para muitos pais: não se preocupe com o desempenho. “O importante é compartilhar com alguém que você gosta um momento único”. Que é de carinho, de afeto e de aconchego. Desta forma, contar histórias será mais fácil aos pais – e ouvi-las terá mais significado para as crianças.

3. Crie o hábito de contar histórias
Carlos Grahamhill comenta que, com agendas cheias de compromissos e trabalho, muitos pais deixam a responsabilidade de cuidar dos filhos nas mãos de outras pessoas. Mas nada impede que sejam reservados entre 15 e 30 minutos por dia – à noite, por exemplo – para contar uma história, mesmo que seja pela metade. “A criança lembrará da história no dia seguinte, e assim, a contação se torna um hábito”, diz. Giba Pedroza concorda. Segundo ele, contar histórias é um momento de ritual afetivo e familiar e, por isso, ter o hábito de contar e ouvir histórias todos os dias – mesmo que sejam puxadas pela memória dos pais – é muito importante na vida da criança.

4. Use objetos como personagens
Na falta de um livro novo, para atender a um pedido do filho ou até mesmo por vontade própria, é comum que os pais acabem precisando criar uma história novinha em folha. Nessa hora, Carlos diz que usar objetos que estão por ali, no campo visual da criança, é uma boa pedida. “Pegue uma bolinha com a qual a criança já está acostumada e coloque-a para falar”, sugere.

5. Relembre sua infância
Para a contadora de histórias Vanessa Castro, não há referência melhor para os pais do que a própria infância. “Nós todos tivemos aventuras na vida. Recontá-las é uma boa ideia”, diz ela. Recontar as histórias ouvidas quando pequenos também é uma opção certeira.

Daniela Chindler
Ana Luiza Lacombe conta história no evento: para escolher o conto adequado, atenção à faixa etária da criança
6. Conheça a história antes de contá-la

Daniela Chindler, produtora cultural e contadora de histórias, dá um conselho direto: “só conte histórias de que você gosta”. Ana Luiza Lacombe, atriz e contadora de histórias, assina embaixo: “nunca se deve pegar um livro ao acaso e ler para seu filho, sem ter lido antes. Se o pai não gostar e achar a história boba, como ele vai ter prazer em contá-la?”.

7. Aproprie-se da história
Segundo Zé Bocca, ator, contador de histórias e vice-presidente do Instituto Conta Brasil, não adianta querer contar histórias se também não se aprecia ouvir e ler histórias. “Não tem segredo para prender a atenção da criança. Depende somente de você se apropriar da história”, diz. Por isso, é necessário gostar de fazer aquilo e se colocar no papel de ouvinte. Além de, é claro, ler – e bastante. De acordo com Alessandra Giordano, ter um repertório de histórias tornará mais fácil compartilhá-las com os filhos. E levá-los aos quatro cantos do mundo por meio delas.

8. Encontre o momento propício
O que deve também ser levado em consideração, segundo Ana Luiza, é o momento de se contar uma história. Se a criança está com outro foco de interesse, colocar uma história neste momento é inadequado. “Um momento adequado muito comum é a hora de dormir”, diz. À noite, a voz dos pais é diferente da voz que acompanha a correria do dia a dia. Ela sugere que os pais se dêem conta de que a hora de dormir é o momento da voz de acolhimento, do embalar, de levar para outro universo.

9. Observe a faixa etária do seu filho
O último ponto importante, levantado por Ana Luiza, é a escolha das histórias adequadas à faixa etária da criança. “É preciso entender a condição do pensamento daquela criança. Os assuntos são interessantes para uma criança dependendo da faixa etária em que ela está”, diz. Para ter certeza de não estar contando uma história incompreensível ao seu filho, vale a pena contar com a ajuda da escola em que ele estuda. “Os profissionais da área podem orientar e ajudar na seleção de repertório”, afirma. Afinal, para acolher uma história, as crianças precisam estar prontas para ela.

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