Em vez de tratar as crianças com absoluta igualdade, é preciso reforçar as diferenças e saber valorizá-las

Toda família tem histórias de brigas entre irmãos, das mais diferentes idades. Por isso, é comum acreditar que a disputa pela atenção dos pais é uma fase normal na vida das crianças. Mesmo ocorrendo com frequência, brigas não são nada saudáveis para o desenvolvimento infantil e devem ser levadas a sério pelos pais antes de atingir proporções preocupantes.

Para Solange Ramounoulou, psicóloga educacional, tudo começa com a maneira como os pais se relacionam. Se há muitas desavenças, cobranças e disputas entre os adultos, é de se esperar que as crianças passem a se comportar da mesma maneira. O primeiro passo, portanto, é demonstrar aos pequenos que todas as discordâncias podem ser resolvidas na base do diálogo, nunca pela briga ou pela agressão física.

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“Em princípio, pais equilibrados, bem posicionados, afetuosos e saudáveis, que saibam identificar as diferentes necessidades das crianças, não chegariam nem a ter esse problema de competição entre as crianças. Nós não temos brigas na família quando aprendemos a lidar com os filhos”, acredita Solange.

“Pais devem ensiná-los a se ajudar e a ter atitudes positivas, um para com o outro. Nós não nascemos para sentir raiva das pessoas, muito menos dos nossos familiares. Somos bichos sociáveis. Também é fundamental que as crianças aprendam a respeitar as próprias diferenças”, explica a psicóloga.

Dois filhos, duas medidas

Esse é outro ponto a que os pais devem ficar atentos. Biologicamente, os filhos podem ter uma série de semelhanças, mas são indivíduos únicos com qualidades e defeitos. Portanto, cada criança deve ser tratada de acordo com suas características pessoais, não como se tivessem as mesmas necessidades.

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Se os pais souberem trabalhar aquilo que cada filho tem de melhor, eles começam a se sentir especiais pelo o que são
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Se os pais souberem trabalhar aquilo que cada filho tem de melhor, eles começam a se sentir especiais pelo o que são

Essa postura evita a clássica competição entre as crianças. Se os pais souberem trabalhar aquilo que cada uma tem de melhor, elas começam a se sentir especiais pelo o que são sem precisar “alcançar” o irmão mais velho ou mais novo em suas habilidades. Um deles pode desenhar muito bem, enquanto o outro tem mais aptidão para praticar esportes – e não há nada de errado com isso, muito pelo contrário.

“Esse é um erro comum dos pais. Muitas vezes, não se dão conta de que fazem comparações entre as crianças. Isso derruba a autoestima delas. Os adultos devem estimular a cooperação entre os filhos, nunca a competição”, afirma a psicóloga clínica Silvia Barros.

Outro comportamento negativo ocorre quando os pais assumem o papel de juízes durante uma discussão ou briga, inocentando um dos lados. Mesmo que essa não seja a intenção, eles colocam as crianças umas contra as outras e abrem espaço para o sentimento de injustiça. O caminho, aqui, não é se omitir e deixar que o próprio tempo resolva os conflitos. A omissão acaba sendo muito pior nesses casos.

“Desse jeito, as crianças aprendem a fazer avaliações e a dar veredictos. Em vez de encontrar o culpado, pais devem explicar que brigar é algo errado, independentemente de quem tenha começado. Ninguém deve brigar e ponto final”, reforça Solange Ramounoulou. Sem dar razão para um ou para outro, observa a profissional.

O papel dos pais

Antes de se desesperar por conta do clima de guerra entre os filhos e cogitar buscar ajuda profissional, os adultos precisam fazer uma autoavaliação sincera. Na maioria das vezes, não são as crianças que precisam de terapia para aprender a lidar com os conflitos. São os pais, que ainda projetam as próprias inseguranças nos filhos.

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“Pessoas equilibradas não precisam se policiar, porque elas aprendem. Enquanto os pais não souberem que todas essas atitudes são erradas, não vai adiantar. Eles precisam aprender de verdade como lidar com os filhos de maneira justa e não fingir que estão sendo bons pais”, critica Solange Ramounoulou.

Para a especialista, é recomendado que eles procurem estudos, grupos de ajuda, cursos e profissionais que possam conscientizá-los melhor a respeito da criação de duas ou mais crianças. Envolver os demais familiares, como tios e avós, também é uma orientação para evitar os conflitos.

“Se isso não for trabalhado durante a infância, você pode ter filhos adultos que não se conversam. Quando as crianças têm uma relação produtiva com os irmãos, elas aprendem a se relacionar com as pessoas ao redor de um jeito mais saudável, sem a necessidade de competir o tempo todo”, conclui Silvia Barros.

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