Quem foram as mulheres mais odiadas da história? Selecionamos cinco, leia, comente e vote

Revista "The Sketch", de 1936
Wallis fez Charles VIII renunciar ao trono britânico, em 1936
Muita gente sonha em entrar para a história. Seja por conta de alguma habilidade excepcional ou, quem sabe, pela beleza ímpar, quem nunca se pegou pensando que marca deixaria no mundo?

Para um grupo restrito de mulheres, a meta de cravar o nome na alma do povo foi alcançada, mas talvez não da melhor forma. Quem foi a mulher mais odiada da história?

Segundo Rosangela Ferreira Leite, professora de história contemporânea da Universidade Federal de São Paulo, é impossível pensar em qual a figura pública mais odiada antes da expansão dos meios de comunicação, no começo do século 20. “É quando começa a cultura de massa e surge a possibilidade de atingir um público imenso”, diz antes de acrescentar: “hoje podemos amar ou odiar alguém do BBB (Big Brother Brasil), por exemplo”.

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No caso específico das mulheres, aquelas que atiçam a ira de um grande número de pessoas parecem ter uma característica em comum: personalidade forte.

“Ser forte e saber se colocar é, no caso do homem, algo positivo, mas se uma mulher possui essas características ela pode ser vista de outra forma” , explica Rosangela. Mas não é só isso. “

A mulher que foi casada mais de uma vez ou que não vem da elite também acaba chegando com mais facilidade a esse lugar (entre as mais odiadas), o que, sem dúvida, pode ser considerado como machismo”, teoriza.

Em períodos de crise, sobretudo, aumenta a intensidade da busca por culpados e por vezes os canhões apontam para uma mulher. “É como se a sociedade sintetizasse tudo que existe de ruim em uma figura”, diz a professora.

Confira a nossa lista, comente e vote na enquete abaixo:

Yoko Ono (1933)
Artista japonesa nascida em Tóquio, Yoko ganhou notoriedade mundial na segunda metade da década de 60, quando começou um relacionamento com o líder dos Beatles John Lennon – então casado com Cynthia Powell, com quem teve um filho. “Quando Yoko encontra John Lennon, ele fica encantado com a capacidade que ela tinha de refletir sobre a cultura pop. Ele buscava algo diferente”, diz Rosangela.

CD
Divulgação
CD "Two Virgins" foi a primeira colaboração entre John e Yoko
Por que foi odiada: com Yoko, que vinha da escola de música clássica, Lennon inicia uma fase de experimentação musical que culminaria no disco “Two Virgins”, lançado em 1968. Tido como vanguardista, o trabalho vendeu apenas cinco mil cópias no Reino Unido, um fiasco, pelo padrão dos Beatles. Em 1970, quando a banda se separou, poucos fãs duvidaram que Yoko devia ser uma das principais culpadas. Além de ocupar boa parte do tempo do músico, 'a japonesa' o afastara dos amigos do grupo. “Yoko Ono enfrentou a questão imensa, que é a cultura pop, e boa parte do mundo achou aquilo um absurdo”, explica a historiadora.

Wallis Simpson, a Duquesa de Windsor (1896 – 1986)
Socialite norte-americana nascida na Pensilvânia, Wallis já havia casado duas vezes antes de conhecer o então príncipe do País de Gales, Edward, destinado a ser o futuro rei da Inglaterra. O relacionamento entre os dois começou no início da década de 30, mas se tornou um grande problema apenas em 1936 quando, poucos meses depois de assumir o trono do Reino Unido, já como Edward VIII, ele declarou seu desejo em desposá-la.

Por que foi odiada: onde já se viu uma norte-americana casada com o rei da Inglaterra? Era basicamente este o “argumento” da realeza britânica e de boa parte da sociedade inglesa, fortemente contra a oficialização da união entre os dois. Além disso, o rei também acumulava a posição de chefe da Igreja Católica, instituição que históricamente recrimina o divórcio. Junte tudo ao fato de o Reino Unido passar por uma crise politica e de sua antiga colônia, os Estados Unidos, estar cada vez mais assumindo papel de destaque no cenário mundial, e a crise estava armada.

“Foi o momento de quebra do Império Britânico e ela (Wallis) era norte-americana e, ainda por cima, divorciada, claro que isso contribui para que fosse odiada”, diz Rosangela. Na impossibilidade de qualquer conciliação,  Edward renunciou ao trono para ficar ao lado da mulher amada. Ao casal, foi concedido o ducado de Windsor.

Eva Braun (1912 – 1945)
Fotógrafa alemã nascida em Munique, Eva começou a se relacionar com Adolf Hitler em 1931, segundo pesquisas levam a crer. Por anos, os dois passavam noites juntos sempre que ele estava de passagem pela cidade. Quando a Segunda Guerra Mundial caminhava para o fim e a derrota alemã era certa, em 1945, Eva, que tinha verdadeira devoção por Hitler, jurou-lhe lealdade e foi viver com ele em um bunker, um abrigo à prova de balas. No dia 30 de abril daquele ano, os dois se casaram em uma cerimônia civil realizada ali mesmo. Menos de 40 horas depois ambos cometeriam suicídio.

Eva Braun e Adolf Hitler mantiveram relacionamento por mais de 20 anos
Arquivo Federal Alemão
Eva Braun e Adolf Hitler mantiveram relacionamento por mais de 20 anos

Por que foi odiada: todo o ódio que os eventos da Segunda Guerra Mundial catalisaram em torno da figura de Adolf Hitler acabou sendo compartilhado por Eva Braun. Rosangela vê no sentimento negativo dirigido à Eva, uma tentativa de redenção.

“É mais fácil colocar a culpa nos outros. Quando se trata de uma mulher, é mais fácil ainda”, diz, antes de acrescentar que a falta de documentação concreta também facilita a manutenção de uma imagem negativa: “a documentação foi toda destruída, não tem como termos certeza de quem era essa mulher”.

Camilla Rosemary, a Duquesa da Cornualha; ex-Parker-Bowles (1947)
Nascida em Londres, na Inglaterra, Camilla tem sido perseguida por tablóides há mais de quatro décadas, desde que começou a se relacionar com o príncipe Charles, filho e sucessor de Elisabeth II, da Inglaterra, em 1970. O caso de amor cheio de idas e vindas permaneceu mesmo enquanto Charles estava oficialmente casado com Diana Spencer, entre 1981 e 1996. Em abril de 2005, anos depois do fim do casamento de Charles com Diana, o casal oficializou a união.

Relacionamento entre Camilla e Príncipe Charles demorou a ser aceito pela sociedade
Getty Images
Relacionamento entre Camilla e Príncipe Charles demorou a ser aceito pela sociedade
Por que foi odiada: Diana foi uma das princesas mais populares da corte britânica. Sempre engajada em projetos sociais, a princesa atraia multidões de admiradores e fotógrafos por onde passava. O fato de ter sido traída pelo marido por tanto tempo foi algo que demorou a ser assimilado tanto pela imprensa quanto pela sociedade britânica. Muitos ainda guardam sentimentos de rancor por conta da situação. “Só depois de muito tempo Camilla Parker conseguiu alguma folga dos tablóides ingleses”, explica Rosangela.

Zélia Cardoso de Mello (1953)
A paulistana Zélia é prima do ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello que, quando estava no poder em 1990, nomeou-a Ministra da Fazenda. Foi a primeira e única mulher a assumir tal cargo no Brasil. É tida como uma das principais mentoras do Plano Collor, pacote de reformas econômicas que teve seu ápice de impopularidade com o confisco das cadernetas da poupança, em março de 1990.

Por que foi odiada: diferentemente das outras mulheres da lista, Zélia não foi ficou impopular por conta de casamentos com figuras públicas. “Os problemas que surgem, neste caso, vêm de uma atitude pontual”, diz a professora. Coube a ela a imposição do Plano Collor, medida extremamente impopular à época. Além disso, o fato de ela ter tido um caso amoroso com o então Ministro da Justiça Bernardo Cabral, enquanto o país estava em momento de profunda crise, foi outra atitude que não ajudou sua imagem pública. A imensa pressão popular culminou, em maio de 1991, com sua saída do cargo de destaque.

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