Manifestantes na versão australiana da marcha pedem fim da culpa da vítima e dizem: "pergunte-me o que estou pedindo", em referência ao argumento de que a vítima "pede"
Começou com uma palestra em uma universidade em Toronto, Canadá, em janeiro deste ano. Durante um seminário sobre segurança no campus, um policial disse às alunas que elas evitariam estupros se não se vestissem como vadias (“sluts”). Indignadas com o que consideraram uma expressão oficial da responsabilização da vítima, elas pediram uma retratação. Enquanto o episódio era investigado, ativistas organizaram a primeira Slut Walk – em português, Marcha das Vadias. Cerca de mil mulheres, muitas delas vítimas de estupro, abuso e assédio sexual, se vestiram com roupas que desafiam o código do policial canadense e saíram em passeata para dizer que não, as vítimas de estupro nunca “estão pedindo”.
Povoados de ativistas de minissaias, lingerie, cinta-liga e decotes, o evento acabou gerando uma onda de Marchas das Vadias pelo mundo. Desde a primeira, já foram 15 eventos, e ainda há mais dezenas marcados até outubro. No Brasil, a manifestação acontece neste sábado (4), às 14h, na avenida Paulista, em São Paulo. A organização espera reunir 2.500 pessoas. No próximo dia 18, o evento acontece em Belo Horizonte.
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“Uma massa dessas na rua expõe esses pontos para a sociedade: se os homens podem andar de qualquer jeito, por que as mulheres não podem? Nem por isso os homens são agredidos, xingados, estuprados”, diz Silvia Koller professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Com que roupa?
“Estamos pedindo respeito, independentemente da indumentária. A roupa não faz diferença no manifesto”, diz Madô Lopez, 28 anos, redatora que está organizando a marcha no Brasil, junto com a escritora Solange Del Ré, 30 anos. “É um problema corriqueiro que toda mulher enfrenta. Se você vai comprar um cigarro no bar, pode ser intimidada, como se estivesse provocando essa reação só por ser mulher”, afirma Solange. “A gente sabe que tem mulheres sendo espancadas no Brasil. Mulheres que são estupradas por causa da roupa que estão usando”.
O controle sobre o que as mulheres vestem se reflete mesmo em um evento que questiona exatamente isso. Muitas ativistas vêem com reservas esse tipo de manifestação, em que o corpo das participantes pode ser encarado como uma atração. “É preciso cuidar para não cair num outro extremo: de uma coisa caricata ou uma brincadeira”, afirma Silvia Koller.
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Por isso, é possível que a versão brasileira acabe sendo menos explícita. “Não é carnaval nem festa à fantasia. É uma causa séria. Não tem regra do que vestir. Quem tiver hábito de usar vestidos curtos e decotes pode ir assim. Vamos vestidas com as roupas que usamos normalmente para sair”, afirma Madô.
Silêncio e violência
Para Regina Facchini, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero PAGU, da Universidade Estadual de Campinas, o protesto é uma forma de quebrar o silêncio. “A Marcha das Vadias está ligada ao combate da violência sexual, seja estupro ou a episódios de violência como uma faculdade gritando em coro para a estudante Geisy Arruda que ela é uma vadia. É essa a questão que está ali colocada”, afirma a socióloga, que pretende participar da marcha. “Quando uma mulher se comporta de uma determinada maneira ou tem uma determinada aparência, regula-se o comportamento dela por meio da violência.”
As ofensas e intimidações são sintomas da reivindicação principal da marcha, que é que a culpa pela violência sexual não seja revertida para a vítima. “Antes até do assédio, falta discutir mais profundamente a questão do estupro. Se o assédio é banalizado, o estupro é muito mais grave e acontece no Brasil, com pouca repercussão”, afirma Lia Zanotta, professora titular de Antropologia da Universidade de Brasília, especialista em estudos sobre violência contra a mulher. “Mesmo manuais jurídicos apresentam que você deve desconfiar quando uma mulher denuncia o estupro.” De acordo com a professora, na cultura brasileira é esperado que, mesmo quando a mulher quer sexo, ela diga não. “Logo, quando ela não quer e diz não, é interpretado como um sim. Se ela para de gritar e tentar enfrentar o agressor fisicamente, é interpretado como uma aceitação.”
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Para a pesquisadora, eventos como a marcha são bem-vindos. “Já temos campanhas contra violência sexual, mas falta a implementação de uma política preventiva efetiva.”
Palavras
Regina Facchini afirma que a própria palavra “vadia” é usada para agredir. “É a estratégia de usar uma palavra com estigma”, afirma. “A palavra não vai perder a carga pejorativa numa única marcha, mas acredito que o efeito é cumulativo, como aconteceu com o movimento LGBT. As paradas gays mostraram para a imprensa e para a sociedade a existência da homofobia.”
Esse tipo de transformação é lento. Autor de “A Linguagem Proibida” (Ed. T.A. Queiroz), Dino Preti, professor titular de Língua Portuguesa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor emérito da Universidade de São Paulo, afirma que esse estigma tende a se perder, porque acompanha mudanças sociais. “Não é da noite para o dia, mas quando a sociedade passa a aceitar melhor determinados comportamentos, as palavras pejorativas ligadas a ele vão perdendo a força também”, diz. “E sexo é um tema importantíssimo, atinge a pessoa. A sociedade é muito machista.”
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Nss , euu ameii essa marchaa !!! ♥
Responder comentário | Denunciar comentárioEssa marcha, a marcha da liberdade e a marcha da maconha lembram-me o sábio prof Paulo Freire\n\n\nhttp://www.youtube.com/watch?v=MZQtP-7Ezbw
Responder comentário | Denunciar comentárioEu adoraria conhecer as garotas com quem estas criaturas manifestantes encrencaram na época da escola. Elas deviam ser lindas!!! ... e é por isso que tinham tanto sucesso social.\n\nA mulher reclama da violência social porque está no lado perdedor do contexto. Se a mulher está no lado ganhador, faz a mesma coisa. Ou ninguém aqui vê mulheres brigando em porta de escola para dirimir seus "terríveis problemas", agredindo crianças e idosos, ridicularizando preconceituosamente nordestinos (quando a Dilma venceu as eleições) ou homossexuais (o jogador de volei assumido como tal, em partida entre o Volei Futuro e o Cruzeiro), ...\n\nVamos deixar de lado a hipocrisia e o machismo. Se as mulheres tivessem as mesmas oportunidades que os homens, fariam a mesma coisa.
Responder comentário | Denunciar comentárioNa boa, as pessoas no Brasil estão longe de absorverem bons exemplos e essa Marcha é mais uma burrice.\nVc acha que os caras vão pensar o que ao ver um monte de mulher seminua gritando na rua que a buc*** é delas e por isso podem fazer o que quiserem?\n\nMesma coisa Parada Gay, que devia ser usada como forma de conscientização da população sobre a normalidade de ser homossexual, mas virou mais uma desculpa pra exageros e abusos. A ultima que aconteceu em minha cidade deixou um rastro de garrafas quebradas, panfletos e camisinhas usadas.\n\nNão entendo realmente essas garotas, usam roupas para SEDUZIR, querem provocar, só que quando a provocação encontra um cara que elas não querem e acabam sendo atacadas, fazem escandalo.\n\nNão concordo com estupro, pra mim o cara que estupra uma mulher devia ser CAPADO, fisicamente falando e trabalhar na cadeia até a morte, é um ato absurdo, mas que tem mulher que colabora, tem. Podem fazer Marcha, gritar e o escambau, mas na hora de pensar que homem pensa com a cabeça de baixo e ela pode se ferrar com isso, ngm pensa.
Responder comentário | Denunciar comentárioLamentavel essa manisfestacao das mulheres.\n\nNao pela idéia... A idéia delas é boa: Valorizar a mulher, ganhar respeito e pedir para serem respeitadas. ISSO É UM DIREITO DA MULHER E DE TODO CIDADAO.\n\nMas pelo amor de Deus, o que tinham na cabeça essas mulheres achando que ao se intitular "VADIAS" irao ganha respeito da sociedade...\n\nSerao sim, mais uma vez motivo de piadas e ainda terao que ouvir "tá vendo só, é mesmo um bando de vagabunda!"\n\nAgora, nao só serao estuprada, mas durante o ato ouvirao que "UÉ... TU NAO É VADIA"...\n\nPor isso, que acho que as mulheres sao sim responsaveis pelos atos que acontecem com elas, porque no calor da hora, sem pensar nas consequencias, querendo consertar um problema, só aumentam ou pioram os problemas que elas já tem.\n\nCustava terem feito uma coisa séria, com um olhar crítico, sociologico, uma manisfestacao de mulheres bem vestidas, se dando o respeito...\n\nme desculpem as mulheres que fizeram parte do movimento, mas vcs mancharam ainda mais a figura da mulher, pois vcs mesmas estao afirnando que toda MULHER QUE SE VESTE DE TAL FORMA É VADIA. ESSE PRECONCEITO NAO PARTIU DOS HOMENS, MAS SIM, DAS PROPRIAS MULHERES.\n\nORA, SE VCS SE JULGAM VADIAS, COMO NÓS HOMENS DEVEMOS JULGA-LAS...\n\nÉ MTO facil vir aqui e dar os parabens ao movimento, dizer que nosso pais e nosso mundo é feito de homens machistas e etc.\n\nÉ muito fácil pra uma mulher tirar a roupa e dizer que tudo o que acontece de ruim em sua vida foi por causa de algum homem.\n\nMas será que no trabalho, na rua, na balada, em nenhum momento elas realmente nao se insinuam de modo provocante ou dúbio.. SERA MESMO... sejam francas consigo mesmas, porque os homens sabem a resposta.\n\nSerá que o homem tera que tratar todas as mulheres como um bebê imaturo que nao sabe o que faz do seu corpo e por isso precisar tratar a mulher como um ser irracional, que pode fazer o que quiser pois nao é responsavel por si mesma..\n\nmais ainda, é lamentavel ver que as VADIAS de verdade tem usado as idéias do feminismo clássico para apoiar e reforçar seu estilo de vida leviano, como se o feminismo se tratasse de abrir as pernas e parecer uma puta.\n\nFeminismo mesmo, o verdadeiro e único, JAMAIS ADMITIRA que uma mulher se submetesse e se humilhasse dessa forma.\n\nInfelizmente, as vadias tem deturpado o feminismo, usando essa palavra de modo banal, dando a entender que feminismo é ser puta com orgulho.\n\nmto, mto triste.\n
Responder comentário | Denunciar comentárioeu não entendo mais respeito cada um fais o que gosta
Responder comentário | Denunciar comentárioMARCHA DAS VADIAS? A QUEM PONTO CHEGAMOS! O CÚMULO DOS CÚMULOS!\nDEIXO BEM CLARO QUE AS MULHERES VERDADEIRAMENTE DECENTES E DO BEM,NÃO SE VESTEM COMO VADIAS,MAS SIM, DE FORMA DISCRETA,DESDE A ROUPA DE BAIXO ATÉ A DE CIMA. \nNÃO QUEREM SER CHAMADAS DE VAGABUNDAS,VADIAS? ORA BOLAS! \n\nNÃO FIQUE USANDO ESTAS PORCARIAS DE FIOS-DENTAIS,BIQUINIS E TANGUINHAS,QUE SÃO PEÇAS APROPRIADAS A QUEM TEM UMA VIDA PRÓPRIA DE VAGABUNDAS. \n\nCRIMES SEXUAIS SÃO NOJENTOS, E TEM QUE PASSÍVEL DE PENAS SEVERAS,COMO UMA PENA INTEGRAL DE 40 ANOS INTEGRALMENTE NO REGIME FECHADO,OU ATÉ A PENA DE MORTE.\n\nMAS AQUI NESTE PAÍS ,A DITADURA DE UMA MODA IMBECIL DE ROUPAS MINÚSCULAS, DO TUDO ENFIADO LÁ, MAIS AS MÁS INFLUENCIAS QUE SÃO AS RESPONSÁVEIS, QUE INFELIZMENTE DOMINARAM, E TEM PAI E MÃE QUE ACHAM BONITAS AS SUAS FILHAS SE VESTIREM COMO VADIAS. \nLAMENTÁVEL,LAMENTÁVEL!
Responder comentário | Denunciar comentárioParabéns às mulheres que se acham vadias!
Responder comentário | Denunciar comentárioParabéns às inteligentíssimas pessoas que tiveram essa brilhante ideia de realizar esse incrível protesto, que possui o singelo e encantador nome de "marcha das vadias". Com certeza, através dele, as mulheres conseguirão ser muito mais respeitadas, serão vistas como mulheres decentes, merecedoras de todo tipo de proteção. E mais... Seus respectivos maridos ficarão super orgulhosos. Parabenizo mais uma vez todas vocês e acho que, certamente, a felicidade lhes alcançará por conta dessa inteligentíssima manisfetação.\nPS: Se der tempo, depois do evento, procurem lavar uma troucha de roupa.
Responder comentário | Denunciar comentárioE se fosse homem fazendo a marcha dos vadios ??\nSe fosse um monte de homem semi-nu fazendo passeata sobre o direito de se vestir como quiser.\nA policia acabaria a manifestação na hora por violencia ao pudor !!\n\nDireitos iguais pra todos !!!\n\nAs mulheres estão querendo direitos exagerados na sociedade, só cobram direitos, mas naum cobram deveres !!\nNa hora de pagar a conta e ser buscada em casa de carro toda mulher é machista !!\n\nÉ isso mesmo vasectomia !! É fácil, sem riscos, baratissima e reverssivel . \n
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