Nas mãos de crianças e adultos, os spinners estão virando uma febre mundial e muitos afirmam que o pequeno brinquedo é um verdadeiro remédio para estresse, pânico e ansiedade, mas será que eles são mesmo eficazes?

Ele é pequeno, colorido, pode ter diversas formas e ser feito de vários tipos de materiais. Essencialmente, tem apenas uma função: girar. Ainda assim, já virou febre no mundo e tem conquistado brasileiros nos últimos tempos. Provavelmente alguém que você conhece ou uma criança que estuda com seu filho tem um ou mais spinners. 

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Com a febre dos spinners, muitas pessoas têm alegado que os objetos ajudam a controlar crises de ansiedade
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Com a febre dos spinners, muitas pessoas têm alegado que os objetos ajudam a controlar crises de ansiedade

Os spinners estão à venda no Brasil e, enquanto as crianças o utilizam para guerrear com os amiguinhos e tentar fazer truques (como o de equilibrá-lo em um só dedo enquanto ele gira), há quem diga que manuseá-lo é uma boa forma de controlar ansiedade e ataques de pânico.

Remédio ou mania?

Não se sabe ao certo como a febre começou, mas o spinner muitas vezes é vendido com a premissa de ser uma espécie de calmante. No YouTube, é possível encontrar uma enxurrada de vídeos de pessoas mostrando suas coleções e afirmando que o brinquedinho realmente tem ajudado a controlar o estresse. Enquanto isso, porém, a psicóloga Renata Bento conta que não há como fazer essa afirmação.

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De acordo com a psicóloga, por enquanto não há estudos que comprovem a eficácia do brinquedo contra a ansiedade, assim como outras “manias” difundidas nas redes sociais, como vídeos de pessoas estourando plástico bolha, cortando blocos de areia com facas e amassando gelecas barulhentas. “Talvez as pessoas tenham essa sensação porque passam muito tempo distraídas e aí têm uma falsa ideia de que aquilo pode trazer calma. Pode ser um momento de brincadeira, de socialização, mas não há nada que comprove que seja terapêutico”, afirma Renata.

De acordo com ela, esse tipo de objeto promove uma mudança temporária de foco de algo que não é agradável para essa distração, gerando um relaxamento momentâneo. “É mais uma questão de moda como o ioiô e o ‘beyblade’, mas não vai trazer a paz mundial. O ser humano está tão desamparado que busca sempre algo que seja o fenômeno, algo que diminua a ansiedade e traga paz”, explica.

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Por gerar apenas uma calma passageira, os spinners não podem ser considerados como um “remédio” para distúrbios e Renata explica que, caso a pessoa encontre dificuldade em lidar com a própria ansiedade, deve buscar ajuda psicológica. “É necessário fazer uma investigação sobre o que está disparando essa ansiedade. Alguma coisa está explodindo dentro da pessoa e ela não está conseguindo conter”, afirma, enfatizando que a resolução desse tipo de problema é algo que ocorre de dentro para fora, e não de fora para dentro.

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