Especialista explica quais são os sintomas e o que fazer para se controlar quando o problema passa a afetar tarefas simples do dia a dia, como dormir

A noite desta quarta-feira (17) teve início com mais uma bomba no cenário político brasileiro. Presidente Michel Temer sendo acusado de comprar o silêncio de Eduardo Cunha, senador Aécio Neves envolvido em mais um escândalo , a dúvida da queda de mais um presidente em menos de um ano e a incerteza do futuro do país. Será que a ansiedade gerada por todos esses problemas é normal?

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Sintomas do transtorno de ansiedade são reais, já que a pessoa realmente sente falta de ar e pressão no peito, por exemplo
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Sintomas do transtorno de ansiedade são reais, já que a pessoa realmente sente falta de ar e pressão no peito, por exemplo

De acordo com o psiquiatra Diego Tavares, é preciso diferenciar o que é ansiedade de um transtorno de fato. A verdade é que ficar ansioso é algo normal, já que se trata de um processo do nosso organismo para nos preparar para uma reação. “É um mecanismo do cérebro, aquela sensação de espera por algo que não está definido. E os sintomas são ficar pensando muito naquela situação, não conseguir se concentrar, não conseguir dormir bem, sensação de aperto no peito e falta de ar”, explica o especialista.

O problema é quando estes sintomas atrapalham atividades simples do dia a dia, como trabalhar, e afetam a capacidade de concentração, o apetite e não deixa a pessoa dormir por noites. Situações como essas, entretanto, só costumam ocorrer em pessoas que já tem pré-disposição ao transtorno , e a crise política que estamos vivendo pode se tornar o gatilho para o problema.

“O que a gente observa é que esse tipo de notícia faz com que, cada vez mais, as pessoas se importem com a política, algo que parecia ser muito distante até tempos atrás. Hoje, as pessoas têm observado os impactos do cenário político na vida delas.”

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Diego Tavares explica que as redes sociais também tiveram papel importante na tomada de consciência da população, o que é algo bom, mas também abriu portas para outro grande problema: as discussões.

Fla-Flu?

Nas redes sociais, as pessoas passaram a se sentir mais livres para mostrar seus posicionamentos políticos. Só que muitas vezes acabam entrando em discussões em que sentem a necessidade de defender fortemente o seu pensamento. “As pessoas ganham inimizades, se afastam umas das outras… Isso gera um impacto direto na vida delas.”

O psiquiatra afirma que não podemos confundir partidos políticos com times de futebol. “O que a pessoa define como corrente política é muito íntimo. Um indivíduo não deve tentar convencer ninguém da corrente que deve seguir ou não.”

Como lidar com o problema?

Há diversas formas da pessoa que está ansiosa conseguir se controlar. Uma delas, segundo o especialista, é a prática do mindfulness . Essa técnica de meditação não exige nenhuma música ou um quarto fechado, basta o indivíduo parar o que está fazendo e começar a prestar atenção em tudo que está em volta dele – um computador cinza, uma cadeira de pano preta, a temperatura amena, mas começando a esfriar, por exemplo.

“Quando se faz isso, a pessoa desloca o pensamento e passa a ficar calma. É preciso pensar nos mínimos detalhes mesmo, como texturas, cores e linhas. A cabeça desliga.”

Praticar exercícios físicos ajuda, já que libera adrenalina. Esse hormônio também é liberado quando a pessoa fica ansiosa, mas o exercício acaba esgotando a quantidade desse hormônio, então, quando se inicia um quadro de ansiedade, quase não há adrenalina.

Já para a dificuldade de dormir, o especialista aconselha ficar em um quarto totalmente escuro e, indo contra a expectativa de muita gente, ficar com os olhos abertos , nunca fechados. “Percebendo o quarto escuro, o cérebro vai entender que está na hora de dormir. Com os olhos fechados, você fica trabalhando para dormir, e o corpo não relaxa.”

Sintomas reais

Apesar de algumas pessoas pedirem calma para aqueles que estão com sintomas de um transtorno de ansiedade, Diego Tavares explica que é preciso entender que esses sintomas são reais e físicos. O indivíduo realmente sente falta de ar e pressão no peito, por exemplo, mesmo que o problema não seja tão grave.

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Além disso, a crise política também pode desencadear quadros de síndrome do pânico. “Ela é diferente do transtorno de ansiedade. Quando a pessoa fica ansiosa, ela vai sentindo aos poucos os sintomas. É como uma sirene que vai se aproximando. Já o pânico não, é como se você estivesse em um quarto tranquilo e calmo, e a sirene chegasse de uma vez só, desesperando a pessoa”, explica. Em ambos os casos, a ajuda de um especialista é recomendada.

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