Em "Superfreakonomics", Steven Levitt e Stephen J. Dubner apontam liberação feminina também como causa da queda na educação

Superfreakonomics: segundo autores, para ajudar
as mulheres é necessário encarar as reais
razões da prostituição
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Superfreakonomics: segundo autores, para ajudar as mulheres é necessário encarar as reais razões da prostituição
Com mais de 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, “Freakonomics: O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta”, de 2005, transformou seus autores, o economista Steven Levitt e o jornalista Stephen J. Dubner, em celebridades. Agora, os dois lançam “Superfreakonomics”. Com previsão de chegada ao Brasil em 6 de novembro, o novo livro traz teorias polêmicas – além de minimizar a responsabilidade das emissões de dióxido de carbono no aquecimento global, os autores também apontam a liberação feminina como causa para o aumento da prostituição e a queda da qualidade do sistema educacional.

Primeiramente, a dupla de americanos causou polêmica por explicarem a diminuição das taxas de criminalidade nos Estados Unidos da década de 90 como fruto da legalização do aborto, que ocorreu no ano de 1973 no país. No livro mais recente, batizado em inglês de “SuperFreakonomics: Global Cooling, Patriotic Prostitutes and Why Suicide Bombers Should Buy Life Insurance” (na tradução literal: “Resfriamento Global, Prostitutas Patriotas e Porque Homens-Bomba Deveriam Ter Seguro de Vida”), os autores mencionam como consequências do feminismo o que ninguém havia considerado antes.

 Em entrevista ao programa 20/20, da emissora de televisão e rádio ABC, dos Estados Unidos, Dubner coloca em xeque o que a luta das mulheres pela igualdade de gêneros acabou ocasionando para o mercado da prostituição e para as escolas. “A prostituição é um dos poucos, se não o único, setor de trabalho que é dominado pelas mulheres, como sempre foi. E isto acontece pelo simples fato de que existem muitos homens que querem ter muito mais sexo do que são capazes de conseguir de graça”, afirma o jornalista.

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Autores de "Superfreakonomics" em entrevista ao "20/20", da rede de televisão norte-americana ABC
Por este conceito, entra em cena a lei de oferta e procura. Ainda que seja ilegal, atualmente, uma das ocupações mais antigas do mundo se dividiu em dois: enquanto algumas mulheres pobres, que não receberam educação ou até viciadas em drogas trabalham nas ruas por baixos preços, outras, como “Allie” (nome fictício), que participou da pesquisa dos autores de “SuperFreakonomics”, ganham 500 dólares a hora.

Da maneira que veem Dubner e Levitt, Allie é diretamente beneficiada por aquelas que lutaram pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no passado. Com o acesso à educação permitido e a liberação feminina, ela teve a possibilidade de se tornar uma empresária de si mesma e optar por usar o corpo como bem entendesse, embora saiba que há um preço a se pagar com isso: o julgamento da sociedade.

Por outro lado, a prostituta de luxo levada em consideração pelos autores do livro, assim como muitas outras mulheres, provavelmente já usou a pílula anticoncepcional, conhecida do público feminino. A invenção, defendida por alguns e ainda mal vista por outros, proporciona às mulheres um maior controle de suas vidas e, consequentemente, fazem com que as escolas tenham a qualidade enfraquecida. Explica Levitt: “Antes da pílula, as mulheres não estavam possibilitadas a fazerem investimentos para serem médicas ou advogadas”. Segundo eles, ao invés disso, elas procuravam carreiras em que fosse admissível sair e entrar da força laboral sem sair perdendo.

De acordo com o economista, com o surgimento da pílula, muitas das mulheres mais brilhantes deixaram de se tornar professoras para investirem em outras carreiras. “Como resultado, o nível de talento dos professores dos Estados Unidos começou a cair de maneira precipitada”, disse Levitt. Segundo a dupla, suas teorias não se caracterizam como uma forma de discriminação, apenas como um exemplo de trade-off – situação em que há conflito de escolha quando a resolução de um problema origina outros problemas. “É tudo sobre trade-offs, como as pessoas lidam com eles e quais os preços a serem pagos com determinadas escolhas”, afirma Levitt.

Para os autores, que se declaram contra a prostituição, é preciso entender os reais motivos das mulheres para ajudá-las a sair das ruas. Apesar disso, Steven e Stephen  foram duramente criticados em redes de blogs femininos após a entrevista.

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