Cameron Diaz adora assistir, Syang também. Popularidade do erotismo no vídeo cresce entre as mulheres

Em entrevista ao programa “Jimmy Kimmel Live”, do canal norte-americano ABC, em fevereiro deste ano, a atriz Cameron Diaz declarou : "Adoro filmes pornôs". Após a revelação de ser uma fã do gênero, ela explicou que gosta de assistir a filmes mais quentes especialmente quando está hospedada em hotéis: “Eles são muito discretos”, disse sobre a fatura do quarto, na qual os nomes das aventuras adultas nunca são registrados.

Cameron aproveita estadia em hotéis para assistir filmes adultos
Getty Images
Cameron aproveita estadia em hotéis para assistir filmes adultos
No Brasil, Syang engrossa o coro: “Eu gosto sim. Já assisti muito”, diz a ex-guitarrista da banda P.U.S. e autora dos livros “No Cio”, de contos eróticos, e “Sexualidade na Gravidez”, sobre relatos de uma mãe de primeira viagem. É verdade que a frequência das sessões diminuiu após o nascimento dos dois filhos, mas ainda hoje o acervo pessoal é usado junto com o marido.

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Cameron e Syang não estão sozinhas. Os números comprovam que as mulheres andam mais interessadas em pornografia. Uma pesquisa da Playboy do Brasil, que comercializa diversos canais de conteúdo adulto, concluiu que 49% dos assinantes do Sexy Hot são mulheres. Realizado em 2009, o levantamento apontou um crescimento de 10% em relação aos dados de 2005.

Na Holanda, o canal Dusk! exibe pornografia 24 horas por dia, nos sete dias da semana, com programação voltada especificamente para a audiência feminina. Com estreia em 2007, a emissora já soma 1,2 milhão de telespectadores, segundo números divulgados pelo jornal britânico Guardian.

Além da televisão, a internet revela-se um meio discreto e anônimo para consumir conteúdo erótico. Publicada pelo The Sun em 2010, uma pesquisa do site The English Netmums apontou que 60% das entrevistadas buscam e consomem pornografia na rede em companhia de seus parceiros. Foram ouvidas 4.200 britânicas, entre as quais 76% admitiram assistir filmes pornográficos – um aumento de 10% em relação ao ano anterior.

Pornografia cor-de-rosa
Não é de hoje que, além de consumir, elas também estão produzindo conteúdos eróticos. Insatisfeitas com os filmes tradicionais, produtoras e editoras decidiram mostrar ao mundo como fazer pornô para mulheres, e não apenas com mulheres.

Graduada em Ciências Políticas pela Universidade de Lund, Erika Lust, 33, trocou Estocolmo, na Suécia, por Barcelona, na Espanha, onde abriu sua própria produtora, a Lust Films. Para ela, a única semelhança que seus filmes têm com os produtos tradicionais é o sexo explícito. E ponto. São aspectos de suas produções um bom roteiro, a plasticidade das imagens e a preocupação em não representar a mulher como um objeto sexual descartável.

Cena de “Love, life, lust”, de Erika Lust. Nada de garanhões no elenco, mas sim homens bonitos e reais – como aquele vizinho ou colega interessante
Lustfilms.com
Cena de “Love, life, lust”, de Erika Lust. Nada de garanhões no elenco, mas sim homens bonitos e reais – como aquele vizinho ou colega interessante

“Eu tento achar a locação perfeita, penso nos figurinos e nos maquiadores – que geralmente também trabalham em revistas de moda. Além disso, contrato os melhores profissionais para a equipe técnica e procuro um casting de pessoas comuns”, declara.

Sobre o que excita as mulheres, a cineasta explica que elas gostam de homens bonitos. E, além de boa pinta, o personagem tem que estar num papel bem inserido no roteiro, ter nome e rosto, “como se fosse aquele vizinho bonitão que sempre a deixa tímida”.

A colega Petra Joy concorda com Erika. Mestre em história do cinema pela Universidade de Colônia e com experiência de dez anos como produtora e diretora de televisão, a alemã declara em sua página na internet que o foco de seus filmes é o prazer feminino: “Eu adoro mostrar mulheres sendo acariciadas e recebendo sexo oral. Também gosto de mostrar homens como objetos sexuais”, diz a diretora, que define seu trabalho como art-core.

Os filmes de Joy têm uma identidade muito própria e refinada, com cenários carregados de referências visuais, nos quais filma variadas fantasias eróticas. “Apesar de eu mostrar ereção, penetração, sexo de verdade, meu trabalho não tem nada em comum com pelo menos 90% dos filmes hard-core porn”, diz.

A preocupação estética de Petra, também pode ser conferida no casting. Suas atrizes não têm silicone e os atores não são escolhidos pelo tamanho do pênis. “Gosto de filmar a imensa variedade de corpos, e não só um tipo de mulher tida como “padrão ideal”, escreveu em sua página pessoal. A diretora ainda diz que não filma cenas que coloquem a mulher num papel degradante, como sexo oral forçado, sexo anal extremo e ejaculação no rosto da mulher.

A diretora Courtney Trouble: ponto de vista feminino hardcore
Maxwell N. Lander
A diretora Courtney Trouble: ponto de vista feminino hardcore
A produção feminina anda tão grande que já é possível detectar divisões dentro da categoria. Assim como os filmes para homens podem ser dedicados a temas específicos – como donas de casa com seios fartos ou colegiais safadinhas, a norte-americana Courtney Trouble especializou-se em mostrar um ponto de vista mais underground do sexo.

Sobre os personagens, ela especifica: “Eles têm que ser pessoas que são muito boas em fazer sexo, que se curtam, se amem e que também gostem de mostrar isso”, disse a diretora ao Delas. 

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