Rótulos, generalizações e cobranças ditas no calor da discussão podem deixar marcas profundas no relacionamento. Veja como dialogar e trabalhar a insatisfação de outras formas

No pico da emoção, a primeira intenção é sempre agredir o parceiro - a melhor saída para evitar uma briga maior é conversar quando as coisas se acalmarem
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No pico da emoção, a primeira intenção é sempre agredir o parceiro - a melhor saída para evitar uma briga maior é conversar quando as coisas se acalmarem

Quando mal colocadas, durante uma discussão ou em um momento de raiva, as palavras têm um grande poder de destruição e recuperar o dano causado por elas pode ser uma tarefa desgastante para o casal.

Indiretas, cobranças e xingamentos não resolvem o verdadeiro problema e tornam a relação mais complicada do que realmente é.

Mesmo assim, essas frases, que muitas vezes soam injustas e agressivas, podem apontar para um problema que merece mais atenção da parte do casal. Ignorá-las não é o caminho, ao contrário. É preciso encontrar outras formas de expor o descontentamento, com menos pedras na mão e mais disposição para ouvir o outro lado.

“O melhor jeito de resolver uma situação difícil é com objetividade, assertividade e afetuosidade, na hora em que tudo estiver mais calmo e o diálogo acontecer, sem ser no calor do momento, quando a emoção fala mais alto”, ressalta Suely Buriasco, especialista em mediação de conflitos.

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Outra dica importante é se esforçar para atacar o problema, e não o parceiro. “Frases com rótulos, por exemplos, são ruins porque você acaba criticando a pessoa, e não o problema, que é a causa do descontentamento. Você tem de falar do fato. Ou a pessoa que se sente atacada não tem motivação para mudar”, explica Marcia Luz, psicóloga e escritora.

Veja frases perigosas para o relacionamento e como expor a mesma coisa de outras formas:

“Depois de tudo o que fiz por você”

Em vez de demonstrar descontentamento, a frase soa como uma cobrança tardia. O resultado é que o outro acaba se sentido humilhado e culpado, ou seja, o problema se torna ainda maior. O ideal é tentar abordar essa insatisfação de um jeito mais aberto, dizendo algo como “não tenho me sentido reconhecido e valorizado por você nos últimos tempos”.

“Acho melhor a gente se separar”

De acordo com a especialista Suely Buriasco, essa frase está se tornando comum em brigas e discussões de casais. “As pessoas veem a separação com certa facilidade, como se não fosse nada demais, e soltam isso no meio de uma conversa, para tentar assustar ou fazer o outro lado recuar”, afirma. Nesse caso, terminar o relacionamento deve ser a última hipótese, quando todas as alternativas do diálogo forem esgotadas.

“Você nunca faz o que eu quero”

Frases generalizadoras são muito utilizadas na hora da briga. “A generalização é muito perigosa, porque expõe a realidade. O grande risco é que você joga fora todas as coisas boas que a pessoa já fez por você. Se fosse uma afirmação realmente verdadeira, por que ainda estariam juntos?”, questiona Marcia Luz. O mais indicado é esperar a poeira baixar e analisar quantas vezes o parceiro realmente foi ausente ou ignorou algum desejo ou sentimento, para comentar essas situações pontuais. Do contrário, o outro lado pode se sentir pouco reconhecido e até injustiçado.

“Coloque-se no seu lugar”

Mesmo que a individualidade de cada um deva ser preservada, um relacionamento é construído a dois. Por isso, é importante estimular a participação do parceiro em decisões e outras iniciativas. Vale lembrar que é fundamental estabelecer um diálogo e explicar que, embora a opinião do outro seja importante, algumas decisões são tomadas individualmente. Afeto é o segredo para evitar esse conflito de ideias.

“Você sempre deixa tudo para mim”

Essa é mais uma frase que generaliza a insatisfação. O grande problema é que, demonstrando o sentimento dessa maneira, a ideia passada é de cobrança – o outro lado acaba se sentindo no direito de se defender e cobrar outras coisas. O casal deve baixar as armas e tentar recuperar a comunicação, discutindo com objetividade e carinho.

“Você é igual a seu pai/sua mãe”

Colocar a família do cônjuge no meio de uma briga nunca é uma decisão muito sábia, principalmente se a afirmação soar ofensiva. “É complicado, pois você envolve pessoas que são importantes para o outro e piora o conflito. O melhor é respirar e evitar qualquer afirmação nesse sentido, já que ela não agrega nada”, diz Marcia Luz. O melhor é apontar o problema ou comportamento inadequado em questão, sem fazer comparações com outras pessoas.

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“Você é chato (a)”

Adjetivos depreciativos devem ficar de fora de qualquer discussão, ponto final. Além de serem palavras desnecessárias, que não ajudam a construir uma relação melhor, elas são capazes de magoar o parceiro, talvez de um jeito irreversível. Em vez de rotular e taxar, no calor da briga, o melhor é esperar e depois apontar em que momento a pessoa foi desagradável, com paciência e com o coração aberto.

“Você precisa emagrecer”

Mesmo que exista a preocupação com a saúde do parceiro, essa é uma frase que derruba a autoestima de qualquer um, já que se sentir desejado pelo outro é um dos maiores estímulos de uma relação saudável e feliz. O que sustenta o amor e o relacionamento são as qualidades positivas, por que não ressaltá-las, em vez de olhar apenas os defeitos? “Elogiar o ser humano faz brotar o que há de melhor nele, nada funcionará bem se você tentar diminuí-lo”, afirma Suely Buriasco.

“Não confio em você”

Essa frase pode revelar um receio em relação às intenções do parceiro, mas não é completamente verdadeira. Quem realmente não se sente confortável com o outro, opta por terminar a relação, sem precisar demonstrar desconfiança a cada discussão. Se existe a vontade de reconstruir o relacionamento após uma traição, o casal precisa encontrar uma maneira de renovar os votos e começar do zero, apostando na confiança. Do contrário, o parceiro pode se sentir desmotivado a “consertar” as coisas.

“Meus outros relacionamentos não eram assim”

Humilhar o outro, comparando-o a antigos namorados ou parceiros, também não é uma boa saída para resolver conflitos. “É importante aprender a respeitar a pessoa com quem você está, inclusive os pontos de vista que nem sempre são os mesmos. Qualquer relação é uma construção baseada no respeito mútuo”, acredita Suely Buriasco. Do mesmo jeito que os relacionamentos anteriores tinham pontos positivos, eles também tinham os negativos – e, se precisou acabar, é porque não estavam no caminho certo.

“Se eu não te sustentasse...”

Frase errada por si só. Quando duas pessoas resolvem ficar juntas e dividir as contas, uma espécie de acordo é estabelecido: os dois podem trabalhar ou apenas um dos lados, enquanto o outro se responsabiliza pelas tarefas domésticas, homem ou mulher. Ver-se como o “responsável” pelo sustento do outro é inferiorizá-lo e criar um grande problema na relação. Nesse caso, é melhor adotar uma postura menos egoísta e sugerir um outro acordo, mas sem grosserias.

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