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Endometriose: pesquisa aponta que riscos são maiores para mulheres que trabalham à noite
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Endometriose: pesquisa aponta que riscos são maiores para mulheres que trabalham à noite

Falar sobre endometriose é cada vez mais necessário, principalmente para incentivar mulheres a buscar orientação médica e antecipar seu diagnóstico. Um dos principais sintomas da doença são as fortes cólicas menstruais, que costumam ser naturalizadas pela sociedade como "algo normal da menstruação". Mas saiba: sentir dores no período menstrual que te limitem, te impeçam de fazer atividades cotidianas e sejam insuportáveis NÃO é normal.

Além da difícil detecção da patologia, ainda não há explicações muito concretas sobre sua causa, nem uma cura efetiva. Sabe-se que o refluxo menstrual favorece o crescimento de tecidos endometriais em outras partes do sistema reprodutor, como trompas, ovários e ligamentos do útero ou até mesmo em órgãos, como intestino e bexiga, por exemplo.

Sem um tratamento que cure, as opções mais recomendadas pelos médicos são o uso de contraceptivos hormonais que inibem a menstruação, tal como pílulas anticoncepcionais sem pausa, DIU e implante hormonal. Em alguns casos, a paciente pode ser submetida à cirurgia para retirada dos focos endometriais, mas dependerá do caso, sua gravidade e qualidade de vida.

Investigação

Embora a causa seja ainda desconhecida, são feitos estudos e pesquisas constantes para desvendar cada vez mais os motivos por trás da doença. No mais recente Congresso Europeu de Endocrinologia, foi mostrada uma pesquisa liderada pela professora Eva Kassi da Universidade Nacional Capodistriana de Atenas, na Grécia, a qual indica que mulheres que trabalham em períodos noturnos têm risco aumentado de desenvolver a endometriose.

27 pacientes com endometriose ovariana confirmada participaram do estudo, todas são trabalhadoras noturnas e possuem menstruação irregular. A avaliação desse grupo contou com a observação de alguns genes (PER, CRY e Clock) responsáveis pelo ritmo circadiano — período de 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico, em que o organismo responde às variações de luz, temperatura, marés e ventos entre o dia e a noite.

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A partir dessa análise, os médicos perceberam uma redução na expressão dos genes PER-2, que influencia na atividade locomotora, no metabolismo e no comportamento; no gene CRY-1, associado às alterações no sono ; e no gene Clock, relacionado à regulação do ciclo biológico.

Mas o que isso quer dizer? As alterações mostram distúrbios específicos do grupo, capazes de fornecer mais informações sobre a enfermidade. Para o ginescologista e obstetra especialista em endometriose Marcos Tcherniakovsky, essas descobertas darão uma melhor compreensão sobre o ritmo biológico e suas disfunções. Além disso, embora não seja suficiente para compreender o todo, a pesquisa divulga um assunto que deve ser acompanhado e até mesmo suscitar novos estudos e debates.

“Cabe ressaltar que este estudo foi realizado em um número muito pequeno de mulheres e que vários outros se fazem necessários para uma melhor conclusão, mas serve de alerta para novas situações que possam prejudicar uma mulher com endometriose”, diz o médico.

Outro ponto também destacado pela investigação, foi o aumento na proteína chamada NR1D1 que modula o comportamento relacionado com a sociabilidade e ansiedade especificamente. Antes disso, não havia sido publicado nada em relação às alterações nos genes do relógio central e ao impacto em portadoras da endometriose.

Continuar com testes e investigações sobre a doença é primordial para fornecer resultados e informações mais precisas, que possam direcionar e auxiliar na detecção, controle e até mesmo prevenção do problema.

Fonte: Marcos Tcherniakovsky, ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e vídeoendoscopia ginecológica (histeroscopia e laparoscopia) e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE).

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