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Conciliar a maternidade e a luta contra o câncer de mama pode não ser a tarefa mais fácil, mas certamente não é impossível

A servidora pública Elida Gonçalves, hoje com 42 anos, descobriu que estava com câncer de mama enquanto esperava o nascimento de Rebeca, ainda aos seis meses de gravidez. Diferentemente do cenário que muitos podem imaginar, a então gestante diz que não se desesperou. “Eu entendi que precisava ser pragmática. Perguntei ao médico se tinha cura, se havia algo a ser feito. Quando ele disse que sim, não tive dúvidas sobre o que fazer”, conta. 

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Rebeca, hoje com três anos, e a mãe Elida

Cerca de um mês após o diagnóstico - ainda grávida - Elida passou pela cirurgia de mastectomia , a retirada completa da mama. Apenas após o nascimento de Rebeca, que veio ao mundo com 37 semanas, ela iniciou o tratamento de quimioterapia. 

Conciliar a maternidade e a luta contra o câncer de mama pode não ser a tarefa mais fácil, mas certamente não é impossível. De acordo com um estudo divulgado pela universidade de Navarra, apenas uma a cada 3 mil mulheres descobre um câncer dessa natureza durante a gravidez. 

O motivo de ser uma ocorrência tão rara é o fato de que, enquanto o tumor permanece no corpo da mulher, as condições hormonais para a fertilidade são muito pequenas. 

Tranquilidade foi chave para enfrentar dificuldades

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Para Elida, uma das maiores dificuldades foi ter de ficar longe da filha durante a quimioterapia


Apesar de encarar a doença no meio de uma gestação de uma forma pragmática, como ela mesma diz, a servidora também teve momentos complicados, principalmente depois do nascimento da filha.

“A parte mais difícil, para mim, foi a quimioterapia , que foi uma fase em que precisei ficar longe dela. Como eu estava sob medicamentos muito fortes e com o sistema imunológico abalado, seria perigoso para nós duas”, recorda Elida, que também não pôde amamentar a filha - hoje com três anos - devido ao tratamento pelo qual passava na época. 

“Apesar de querer muito amamentar, eu entendi que não seria bom para minha filha acostumá-la com o peito e depois descontinuar a amamentação” diz ela, que explica que a janela entre uma dose e outra da quimioterapia - único momento em que poderia alimentar a recém nascido com o próprio leite materno - era muito pequena. 

“Quando pesei os fatores, o pedi ao meu médico que interrompesse a lactação”, conta Elida, que apesar de ser mãe de ‘primeira viagem’, demonstra enorme tranquilidade ao falar sobre o assunto. 

O tempo separadas também não demorou a ser compensado após o fim do tratamento mais intenso. “Após o fim da licença e início da minha aposentadoria, eu finalmente pude curtir minha filha. Não pensei duas vezes antes de dedicar todo esse tempo à Rebeca. Nosso laço é muito forte até hoje, porque nós sempre estamos grudadinhas”, diz Elida, orgulhosa. 

Tratamentos auxiliam a maternidade após o câncer de mama

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Congelamento de óvulos é uma das alternativas mais procuradas


Antes de qualquer coisa, é importante reforçar que o diagnóstico de câncer de mama não anula a possibilidade de maternidade biológica após a doença. De acordo com o diretor-médico do Vida Centro de Fertilidade e especialista em Reprodução Humana, Paulo Gallo, “o percentual de mulheres que ficam inférteis após a quimioterapia depende da idade da mulher e do tipo de quimioterápico utilizado”.

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Para as mulheres que desejam garantir a fertilidade de maneira segura, porém, há tratamentos altamente eficazes. “Hoje existem duas alternativas: congelar óvulos ou tecido ovariano, sendo a segunda uma técnica ainda considerada experimental”, explica o profissional.

O congelamento de óvulos já é uma técnica bem estabelecida e de grande sucesso. No entanto, para se obter óvulos em quantidade segura - para garantir uma futura gestação - é necessário o uso de medicamentos para estimulação da ovulação, processo que dura aproximadamente 20 dias.