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Repreender não é a saída! Especialistas explicam compulsão alimentar e orientam o que fazer ao perceber que seu filho está comendo demais

Você já encontrou o seu filho comendo escondido? Se sim, é hora de ligar o sinal de alerta e identificar qual a relação que ele tem com a comida. Segundo a nutricionista Paula Tuffy, do grupo Pontobaby, este é o primeiro indício de compulsão alimentar.

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Deixar de brincar para comer e comer escondido são alguns sintomas de compulsão alimentar em crianças

A profissional diz que o problema não é exclusivo dos adultos. Crianças que estão enfrentando estresse, depressão ou ansiedade – fatores que levam ao transtorno –, podem sentir a necessidade de comer mesmo sem fome.

Laura França, psicóloga, explica que a compulsão alimentar também é caracterizada pela sensação de perda de controle sobre o que ou quanto se come. Por isso é tão importante acompanhar de perto a forma como seu filho se alimenta.

E não só isso. É preciso observar outras áreas da vida da criança, já que a compulsão pode ser causada por diversos motivos, como um acontecimento traumático, ansiedade por alguma pressão escolar ou social, medo de algo real ou até irreal, luto, e por aí vai. “A criança ou adolescente come mais para preencher o vazio que esse sentimento está trazendo à tona”, fala.

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Laura acrescenta que alterações hormonais também podem ser uma das causas da compulsão alimentar . Além disso, a forma como os pais lidam com a alimentação pode influenciar o comportamento negativo dos filhos.

De acordo com a psicóloga, o rigor e controle parental na infância em relação à alimentação pode desencadear anorexia, bulimia, transtorno de imagem e compulsão alimentar. “Os pais podem e devem conversar com os filhos sobre uma consciência alimentar, mas quando essa conscientização não está relacionada à saúde e sim ao corpo, emagrecimento e estética, isso pode desencadear transtornos alimentares”, diz.

Identificando o transtorno alimentar

Além de comer em quantidades excessivas e em curto espaço de tempo, outros fatores podem indicar o transtorno alimentar . Laura cita alguns: deixar de brincar para comer, não comer na frente dos amigos por vergonha, comer escondido e em grande quantidade.

“É importante estar atento se há um isolamento e uma diminuição da vontade pelas atividades sociais, como praia, brincadeiras coletivas e passeios”, fala. A psicóloga também chama a atenção para o uso do videogame. “Ele camufla bastante esse sintoma do isolamento, uma vez que a criança pode esconder nessa brincadeira solitária a vergonha do seu corpo, uma inadequação social e até uma depressão”, pontua.

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A importância do acompanhamento profissional

Como a compulsão alimentar é um transtorno, é fundamental buscar ajuda profissional. Segundo as especialistas, simplesmente tentar mudar os hábitos alimentares da criança não vai resolver o problema. É algo mais complexo e que exige cuidados específicos.

“Muitas vezes é de difícil compreensão por familiares, amigos e até por profissionais de saúde não especializados, que podem julgar como falta de força de vontade e de falta de limites”, pontua Laura. Quando não há tratamento adequado, a criança ou o adolescente pode enfrentar as consequências da compulsão alimentar, como baixa autoestima, ansiedade, fobia social e até depressão.

“É importante um tratamento multidisciplinar com psicólogo, psiquiatra, endocrinologista e nutricionista”, orienta. Não hesite em buscar ajuda se identificar algum dos sintomas de compulsão alimentar no seu filho. Culpar ou repreender definitivamente não é a saída.