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Profissional comenta sobre a importância de oferecer bons exemplos durante a primeira infância e a necessidade do "não" para a educação

Saber como educar os filhos provavelmente é a grande questão dos pais. A verdade é que não há uma regra sobre qual a melhor forma de conduzir a educação, nem mesmo um passo a passo de como evitar erros. Afinal, cada família tem uma realidade e o que funciona para uma pode não funcionar para outra. 

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família brincando na sala
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Não existe um passo a passo de como educar os filhos, mas focar em dar bons exemplos é um caminho recomendado

No entanto, de uma forma ou de outra, o processo de educação tem pontos em comum e entendê-los é um caminho para saber como educar os filhos . Em entrevista ao Delas , a professora e psicanalista Mônica Cruz fala que, basicamente, os pais educam o filho na infância. “O resto é repetição”, diz.

Ela explica melhor: para a psicanálise, tudo o que acontece em sua vida, aconteceu na p rimeira infância – desde o nascimento até mais ou menos os cinco anos de idade. Segundo ela, os fatos que acontecem nessa fase da vida e que não foram bem resolvidos podem se repetir durante a adolescência ou a vida adulta.

Também é nessa fase que os pais transmitem os valores e forma de pensar sobre a vida. “O que fica no filho é o exemplo do comportamento do pai”, comenta. Nesse sentido, o caminho para uma boa educação começa a ser traçado.

Na primeira infância, mais do que falar, dar exemplo é o que importa. Afinal, de nada adianta os pais terem um discurso positivo, mas, na prática, o exemplo do adulto ser outro. É observando que as crianças aprendem como agir.

Mas, mais do que seguir conselhos sobre como educar os filhos, é importante confiar em suas percepções sobre como conduzir a educação. “Os pais tem uma preocupação de não estar fazendo certo”, comenta Mônica. “Faça aquilo que é certo para você”, diz.

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“Seja pai e não amigo”

pai e filho
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A profissional alerta: é possível ser um pai que é um bom amigo, mas sem perder de vista que, acima de tudo, você é pai

Mas, e quando crescem? Como educar? Afinal, as crianças cresceram, tornaram-se adolescentes e já têm preferências, opiniões e, muitas vezes, contrariam os adultos e pais e filhos acabam se afastando. Para Mônica, a saída é você tentar se aproximar da realidade do seu filho.

“O que ele sente? Qual problema ele traz para você? Por que ele é afastado de você? Tente mudar essas marcações”, recomenda. A psicanalista explica que é mais interessante para o adolescente você tentar entender o contexto dele do que ele ir para o seu mundo. “Ele não está interessado no mundo que você vive. Ele está em outro mundo”, fala.

“Não é concordar com tudo o que o seu filho faz, mas tente entender um pouco”, orienta Mônica. Pergunte, participe e se mostre interessado pelas escolhas, os amigos e os ambientes que eles gostam. Entenda quem seu filho é. Essas são formas de se aproximar e continuar passando os bons exemplos e valores.

Porém, a profissional faz um alerta: “Seja pai e não amigo”. Para ela, não se deve confundir as funções e tentar transformar a relação apenas em amizade. “Você pode ser um pai que é um bom amigo do filho, mas, acima de tudo, você é pai”, continua.

“O amigo só dá conselho. O amigo não dá corte, mas o pai dá. É só o pai que faz isso. É só ele que fala ‘não’”, completa. E, em alguns momentos, ouvir um “não” é o seu filho mais precisa. “Ser amigo do seu filho é uma das piores coisas que você pode fazer por ele. Você pode ser um bom pai, um pai que compreende. E é ele que está acima do filho sempre, nunca ao lado. Isso é uma ilusão que as pessoas têm. O pai é o que manda. Ele é mais velho”, completa.

Nesse sentido, Monica reforça a importância do “não” para educar da melhor forma. “Não dê para o seu filho o que ele quer, dê o que ele precisa. Eu acho que é o básico de uma educação”, diz. E isso não diz respeito apenas a coisas materiais. “Dê limite, conhecimento, caminho. Ajude ele nos caminhos. Não dê o que ele quer, mas o que ele precisa. Isso é bem diferente”, orienta.

É muito difícil falar não quando se pode dizer sim, mas é preciso resistir e entender que o “não” pode oferecer muito mais ao seu filho do que o que ele acha que é necessário naquele momento. “Eu sou muito categórica nesse aspecto. Eu acho que quanto mais você dá, mais você tira. É uma frase que eu acredito muito”, comenta.

Para evitar que os filhos passem vontade, alguns pais buscam oferecer uma série de suprimentos materiais que não tiveram naquela idade. Porém, quando falamos sobre como educar os filhos , é mais interessante incentivar a conquista.

“Faça o seu filho conquistar. É algo bacana, dá prazer. Faz você se sentir uma pessoa boa e importante. Não conquistar faz você se sentir um nada e isso não é bom. Você quer que o seu filho se sinta um nada ou uma pessoa que conquista algo?”, provoca.