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Logan Wright é autista e, quando teve um ataque de pânico no zoológico, precisou ouvir comentários sobre como "crianças como ele" não deveriam sair em público. A mãe, revoltada, decidiu expor a situação nas redes sociais

Ter um filho com necessidades especiais nem sempre é uma situação fácil, ainda mais quando outras pessoas não demonstram empatia. Ashley Wright é mãe de Brinlee e Logan, de 11 e 13 anos de idade, respectivamente, e decidiu expor uma situação desconfortável que passou quando estava com as crianças no zoológico de Peterborough, Canadá. Tudo porque o filho mais velho é diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).  

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Logan, de 13 anos, tem autismo e sofreu com comentários preconceituosos em um dia de passeio no zoológico
Reprodução/Facebook/Ashley Wright
Logan, de 13 anos, tem autismo e sofreu com comentários preconceituosos em um dia de passeio no zoológico


Em publicação no Facebook, ela escreveu sobre o homem que comentou "Por que pessoas trazem crianças assim para locais públicos?" ao perceber que Logan tem autismo . "Você vai ver essa postagem? Provavelmente não. Mas talvez, só talvez, outra pessoa vai ler esse texto e pensar duas vezes antes de fazer alguém se sentir mal sobre si mesma do jeito que você fez."

Na carta aberta, ela relata que além de ser uma criança dentro do espectro autista  , Logan também sofre com desenvolvimento tardio, síndrome de Tourette e ecolalia. No dia do ocorrido, ela e os dois filhos estavam passeando, e o menino estava animado. "Ele estava falando alto, batendo palmas, pulando. Ele estava feliz", conta. 

O homem desconhecido estava próximo à família. "Você continuou virando para trás e nos encarando, mas de início isso não me incomodou. Estavamos no lugar preferido do Logan. Ele havia estudado muito a semana toda para ganhar esse passeio e, honestamente, achei que você era apenas mais um curioso."

Um tempo depois, Ashley percebeu que o homem não estava "curioso". Após algumas horas de passeio, Logan começou a ter um ataque de pânico. "Ele começou a ranger os dentes, fazer um barulho alto e começou a se beliscar", relata. "Eu notei que você e sua família pararam e ficaram olhando para nós de novo." 

Preocupada com a criança, ela começou a verificar se ele queria ir ao banheiro e, quando percebeu que sim, decidiu levá-lo até lá. "Eu sei que você assistiu a tudo. Pude ver pelo canto dos olhos enquanto Logan tentava puxar meu cabelo, gritando e quando ele mordeu o próprio braço. Você começou a andar até nós, ficou muito próximo e gritou 'Por que as pessoas trazem crianças como essa para locais públicos? Elas destroem a sociedade.'" 

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Mãe dá lição contra preconceito

mãe relata que um segundo homem apareceu e pediu para o desconhecido deixar a família em paz. Dessa forma, ela conseguiu chegar ao banheiro com os filhos. "Você poderia ter me perguntado se eu queria ajuda ou poderia ter feito como a maior parte das pessoas, que olhem e vão embora. Esse homem que me ajudou veio me perguntar se estava tudo bem e disse para continuar fazendo um bom trabalho. Depois, ele foi embora, cuidar da própria vida."

"Você tem sua opinião, e eu acredito que você acha que ela é válida, mas está errado. Logan estava gritando e provavelmente estava assustando algumas pessoas, mas ele definitivamente estava distraindo você e sua família de um passeio divertido. Mas o que você não percebe é que o meu filho merece estar em um local público como qualquer outra criança."

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Ashley espera que outras crianças que tenham autismo não passem pela mesma coisa. "Tudo o que eu posso esperar é que, no futuro, se uma situação como essa acontecer de novo, que outra família não se sinta como você nos fez sentir. Também espero que os seus filhos não cresçam pensando que crianças como Logan não deveriam sair em público, porque ele precisa de interação social. Ele merece ver os camelos depois de uma semana de bom comportamento e ele merece ser tratado tão bem quanto qualquer outra criança", finaliza.