Inchaço nas pernas e nos pés, cansaço e dores na lombar são alguns dos sintomas que as mulheres enfrentam quando estão passando pela gravidez . Além de garantir uma alimentação saudável e equilibrada, algumas mulheres recorrem à drenagem linfática manual para amenizar os incômodos e desconfortos da gestação. Mas será que a técnica é segura?

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A drenagem linfática manual é indicada a partir do 3º mês gestacional por amenizar os incômodos e desconfortos do período

Sim, se realizada com todos os cuidados necessários. De acordo com esteticistas e obstetras, a drenagem linfática pode ser extremamente benéfica para as gestantes, amenizando as dores e a retenção de líquido e, consequentemente, diminuindo o inchaço comum da gravidez. 

Segundo as esteticistas Mariana Braga e Marcelle Correa, isso acontece porque essa é uma técnica de massagem  acelera o processo de drenagem pelo sistema linfático, mobilizando da linfa até os gânglios linfáticos, eliminando assim o excesso de líquido e toxinas. 

Retenção de líquido

Durante a gestação há um aumento da produção hormonal que é responsável por várias modificações estruturais e musculares, consequentemente o corpo feminino passa a reter bastante líquido.

“Alguns desses hormônios são essenciais para a gravidez e atuam reabsorvendo sódio, que é um dos maiores responsáveis pela retenção de líquido”, dizem as esteticistas. Nessas condições, o corpo da gestante tem um aumento de 30% a 50% do volume sanguíneo.

Luiz Fernando Leite, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, explica que essa retenção de líquido é proporcional à idade gestacional da mulher. “A drenagem ajuda a eliminar esses líquidos e contribui ativamente para a recuperação da saúde física e estética da gestante”, explicam as esteticistas. 

Além da drenagem, Luiz Fernando sugere a prática de atividades físicas e manter a hidratação do corpo para amenizar os sintomas de desconforto.

Como a técnica é feita?

A técnica da drenagem linfática é realizada por profissionais habilitados e consiste em fazer manobras lentas, leves e rítmicas no corpo da gestante, estimulandos os linfonodos, responsáveis pela absorção da linfa. Dessa forma, ajuda-se a eliminar o líquido retido e, consequentemente, diminuem-se os desconfortos causados pelo inchaço. 

Segundo as esteticistas, as manobras não variam conforme os meses de gestação e são feitas em braços, pernas, pés e costas da mulher. “Não drenamos o abdômen e para drenar a parte de posterior da coxa a gestante fica de lado”. Não há um limite de sessões a serem realizadas, e elas podem ser feitas todos os dias.

É importante ressaltar que os efeitos podem ser sentidos na hora ou algumas horas após a sessão. Como saber se deu resultado? Além da diferença no espelho, a grávida sentirá muita vontade de fazer xixi, já que o líquido retido é eliminado pela urina.

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Benefícios

A técnica tem inúmeros benefícios para a gestante. Além da redução do líquido retido no corpo, a drenagem linfática atua no corpo de forma a melhorar a oxigenação dos músculos.

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A técnica de massagem melhora a oxigenação dos músculos, previne e combate varizes e diminui as dores do corpo

A drenagem também ajuda a mulher a relaxar, estimula a lactação, prepara as mamas para a amamentação, previne e combate varizes, celulite e estrias. Luiz Fernando comenta que a massagem também diminui as dores do corpo, principalmente de pés, pernas e lombar.

Existem algum risco ou contraindicação?

Apesar de oferecer inúmeros benefícios para o bem-estar da gestante, a massagem feita na drenagem linfática também apresenta alguns riscos e contraindicações. O médico e as esteticistas explicam que as contraindicações são no caso de gravidez de risco, hipertensão descontrolada, insuficiência renal, trombose venosa profunda e doenças relacionadas ao sistema linfático.

De acordo com Luiz Fernando, mulheres com a placenta baixa ou gravidez de gêmeos devem ter o caso analisado individualmente pelo obstetra, já que nessas condições específicas o risco de sangramento pode ser maior. Além disso, mulheres com diabetes, hipertensão ou varizes devem evitar a técnica, uma vez que essas condições aumentam o risco de trombose. 

O cuidado também se estende aos meses de gestação. Segundo Mariana e Marcelle, a drenagem deve ser evitada nos primeiros três meses de gestação. O motivo para isso está no fato de que, quando estimulados, alguns pontos do corpo podem aumentar os riscos de aborto – que já são grandes nesse período. "São os meses que requerem mais cuidado", afirmam. 

“Os riscos sempre existem se a drenagem não for executada por profissionais habilitados”, acrescenta o obstetra. Por isso, caso você se interesse pela drenagem, é essencial buscar clínicas e profissionais com recomendações e bem preparados para atender gestantes com características específicas.

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Pós-parto

Os benefícios da técnica se estendem para o pós-parto, mas nesse momento alguns cuidados também são necessários. As esteticistas explicam que a gestante precisa ser liberada pelo obstetra para retornar às sessões. A liberação é importante porque mulheres com doenças relacionadas ao sistema linfático, insuficiência renal, trombose e hipertensão não controlada, por exemplo, não podem receber a drenagem.

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Em casos de parto cesariana os obstetras recomendam esperar pelo menos trinta dias até voltar às sessões de drenagem

A autorização do obstetra e tempo de repouso após o parto variam de caso para caso. No caso de parto normal, algumas mulheres são autorizadas logo após o nascimento do bebê. Luiz Fernando orienta esperar 30 dias para voltar com a drenagem nas pernas e 60 para receber no abdômen, principalmente quando o parto foi uma cesárea.

Mariana e Marcelle explicam que quando a mulher foi submetida a uma cesariana, os principais cuidados na hora da drenagem linfática são em relação à cicatrização da cirurgia – que pode demorar até um mês. “A profissional deve usar luvas e não pode fazer movimentos bruscos”, explicam. Além disso, de acordo com as esteticistas, a paciente pode usar o linfotaping , uma fita que encaminha a linfa para os linfonodos, 20 dias após o parto. “Mas tudo depois da autorização do obstetra”, afirmam.

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