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Com a técnica de lavagem seminal, um homem soropositivo pode engravidar uma mulher sem passar o vírus a ela e ao bebê. Veja mais detalhes

Ser uma pessoa soropositiva  nem sempre é fácil, e realizar algumas atividades e colocar em práticas alguns desejos requer um cuidado maior.  Casais onde um dos dois é infectado com o vírus HIV, por exemplo, preocupam-se com a ideia de gerar um filho, e uma série de dúvidas podem surgir: "Meu filho também vai ser soropositivo?" ou "Há alguma forma de evitar que isso aconteça?". 

"Ele me disse que descobriu ser portador do vírus HIV há 4 anos"

Com o auxílio de tecnologias da medicina reprodutiva, o vírus HIV não é mais problema para casais que desejam engravidar
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Com o auxílio de tecnologias da medicina reprodutiva, o vírus HIV não é mais problema para casais que desejam engravidar

Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, é possível um casal soropositivo ter um bebê sem o vírus HIV . Isso é viável graças a uma tecnologia da medicina reprodutiva que permite que doenças virais, como AIDS e as hepatites B e C, não sejam transmitidas aos filhos ou ao parceiro não infectado.

"A técnica possibilita a gravidez sem que existam riscos de contaminação aos envolvidos sem o vírus, a mulher ou ao futuro bebê”, explica o o médico Paulo Serafini, especialista em reprodução humana e sócio-diretor do Grupo Huntington. Segundo ele, a técnica, que é utilizada há 15 anos, ainda é pouco conhecida. 

Como funciona?

A lavagem seminal, como a técnica é chamada, centrifuga e filtra o sêmen, isolando os espermatozoides não contaminados do restante do líquido seminal. Então, eles são utilizados em um procedimentos de reprodução assistida, sem risco de contaminação.

Após a separação e análise do esperma, separa-se o plasma seminal que contém o vírus. Uma amostra é enviada para analisar a quantidade de vírus presente, para garantir que a parceira não seja contaminada. A outra parte é congelada e mantida separada.  Caso os testes apontem a ausência completa dos vírus, os espermatozoides congelados são utilizados.

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O método é mais indicado para casos em que o homem é infectado e a mulher não, que é o quadro mais comum e mais simples.  Se ambos forem soropositivo, o estado clínico de saúde da mulher é o principal. Caso a carga viral positiva for baixa nos dois e as condições clínicas da mulher forem boas, é possível que o vírus não seja transmitido ao bebê e o tratamento realizado. Do contrário, o caso deve ser analisado com mais atenção por um profissional. 

Cuidados

“Enquanto a quantidade de vírus HIV não for reduzida com os medicamentos disponíveis, as técnicas de reprodução assistida são contraindicadas, pois os indutores de ovulação, que fazem parte do tratamento, podem interferir na função hepática", orienta o especialista.

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