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Com a morte da mãe da sobrinha, Luciana passou a ter uma filha de coração: "Foi tristeza e alegria ao mesmo tempo"

Luciana Lemos tinha 29 anos quando, inesperadamente, passou a ter uma bebê de três meses que dependia exclusivamente dos cuidados dela e de sua mãe. “Foi tristeza e alegria ao mesmo tempo”, conta Luciana. A criança era Larissa, sua sobrinha, que chegava à sua casa por conta da morte precoce da mãe.

A mãe de Larissa faleceu aos 26 anos, em decorrência de uma crise de asma, e então a tia e a avó se tornaram as novas mães da pequena. 

Larissa com suas duas mães de coração
Arquivo pessoal
Larissa com suas duas mães de coração

Desafios
A tristeza de uma morte precoce na família e a surpresa da chegada de um bebê tornaram o processo árduo para Luciana: “Foi um período difícil de adaptação, para ela e para a gente”.

Luciana trabalhava e, durante o dia, Larissa ficava a maior parte do tempo sob os cuidados da avó. Uma das principais dificuldades foi a amamentação. Ela era ainda muito bebê e mamava no peito quando a mãe morreu. Mas a tia e a avó de Larissa deram conta do recado. “Depois que essa fase passou foi só alegria”, fala Luciana.

Até os cinco anos, Larissa perguntava por que o “papai do céu” havia levado a mãe dela. Mas tia conta que não foi difícil para a criança, aos poucos, entender e aceitar a situação. “Ela sempre foi muito reservada, mas não ter a mãe, sofreu um pouco nos primeiros anos da escola por causa das festinhas de colégio”.

É comum que as crianças perguntem sobre pais e mães dos colegas. Luciana lembra que a sobrinha, sem influência de ninguém, resolveu dar um basta nos questionamentos e pediu para a professora para ir à frente da sala e dar um recado. 

“E então a Larissa contou a história toda [a morte da mãe e o fato de ser criada pela tia e pela avó]. Disse que o papai do céu tinha levado a mãe dela, mas que tinha dado a ela outras duas mães: a mamãe titia e a mamãe vovó”

“Mãe de coração”
Luciana costuma dizer que ela é mãe de coração de Larissa: “Sou solteira e não tenho filhos biológicos, mas, para mim, ela é filha que Deus me deu”.

Criança sempre atinge a vida de quem está a sua volta, e Luciana conta que mudou completamente a sua para poder fazer tudo pela nova filha do coração. “A gente não pensa mais sozinha. A gente pensa que tem uma pessoa que precisa da gente, que está mais vulnerável. Tudo que eu faço, faço pensando nela”, explica Luciana, que também se descreve como “uma tia muito coruja”. 

Para ela, ser mãe é, acima de tudo, dedicação: “É você dedicar muito de você para viver por alguém que depende e precisa de você, do seu carinho e do seu amor”.