Especialistas explicam o porquê de quebrar coisas na raiva
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Especialistas explicam o porquê de quebrar coisas na raiva


Vasos, copos e decorações, quem nunca viu uma personagem de novela quebrando algo em cena na hora de raiva? Mesmo que as cenas demonstrem descontrole emocional por parte da personagem, especialistas apontam que o comportamento é mais normal do que parece. 



Segundo Tami Lòpez, especialista em programação neurolinguística e desenvolvimento pessoal, as pessoas que sentem necessidade em quebrar coisas não aprenderam a lidar com as emoções. "A raiva, que é uma emoção importante, nos dá o alerta de que algo ou alguém “desrespeitou” nossos limites", diz. 

"A maneira como reagimos aos eventos está diretamente ligada ao estado em que estamos. Como a maioria de nós não aprendeu a lidar com as emoções, existe um sistema, dentro de cada um, quase que instintivo de proteção e é daí que vem a necessidade de aliviar a raiva e, para muitos, a única opção é quebrar coisas", afirma Tami. 

Para o psicólogo José Raucci, o estresse acumulado precisa ser aliviado, por isso algumas pessoas descontam em objetos. "O popular 'vamos quebrar tudo' é um exemplo de procedimento, para aliviar. Desde um simples saco, para treino de box, quanto sair, realmente, quebrando objetos. O alívio parece ser instantâneo", diz. 

Mas quebrar coisas de forma instantânea e sem avaliar se é positivo ou não pode ser sintoma de descontrole emocional e deve ser acompanhado por um psicólogo. "A quebra incontrolável, despreza valores e estima. Quebra o que estiver à disposição", diz Raucci. 

Para Tami, se a pessoa age como se não tivesse escolha, pode ser um sintoma de descontrole emocional. "Mas existem algumas linhas que usam este comportamento, planejadamente, como uma forma terapêutica de aliviar a raiva", comenta. 

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Quebrar coisas de forma planejada tem seus benefícios

Caso esteja em estado de estresse, os especialistas elencam benefícios para quebrar coisas, mas claro, de forma planejada e que não gere prejuízos financeiros ou físicos. 

"O único benefício para essas ações é alívio imediato que elas trazem. Na Programação Neurolinguística, chamamos isso de 'mudança de estado'. Nós reagimos aos eventos a partir de nossos estados. Portanto, ao mudar o estado com uma ação física não esperada, nós mudamos nossa resposta ao evento", diz Tami. 

"Quanto mais adequado o objeto de descarga desse tônus, melhor, para evitar danos materiais elevados e desnecessários", diz Raucci. Uma boa opção é procurar um esporte em que há essa descarga, como boxe ou alguma atividade que tenha descarga emocional, como jogar videogames ou preparar uma receita que exija força, como preparar uma massa na mão. 

Não gosto de quebrar coisas. Há outras maneiras de lidar com a raiva?

Para Tami, lidar com a raiva tem diversas possibilidades. "Qualquer ação que mude o estado trará uma mudança. Cada pessoa tem que escolher o que pode ser mais efetivo, considerando também os efeitos desta escolha. Por exemplo: dançar, praticar esportes, cantar, entre outras, são opções que aliviam a raiva e deixam a pessoa muito melhor", comenta.

Tami lembra que diferente de quebrar algo, essas ações não geram outros sentimentos negativos. "São opções diferentes do comportamento de quebrar algo, que muitas vezes, pode trazer o arrependimento, a vergonha, a frustração e até a culpa que também são estados muito limitantes", diz. 

Se está em um momento de descontrole, Tami ensina uma técnica efetiva para aliviar a raiva. "Respirar profundamente, de três a cinco vezes, traz uma mudança de estado imediata e, a partir daí, a própria pessoa pode se perguntar: 'o que aconteceu especificamente que me trouxe esta emoção?' De posse dessa informação, existe a possibilidade de avaliar o que pode ser feito para desarmar o evento que provocou a raiva", comenta. 

O que ambos especialistas indicam como algo ruim para o corpo é o estado negativo prolongado, que deve ser aliviado logo. "É aquele que traz respostas indesejadas, como por exemplo: a necessidade de quebrar coisas, de agredir pessoas, de se afastar de grupos e até reações físicas como problemas gástricos", diz Tami. 

"A manutenção de um estado de stress, por longos períodos, pode causar danos, também, à saúde física. Pressão arterial elevada, diminuição da libido e aumento nos níveis de açúcares, inclusive, pela busca de pequenas “recompensas”, como chocolates e demais produtos, que eleja, inclusive bebidas alcoólicas", comenta Raucci. 

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