Advogado simula agressão durante julgamento do caso Tatiane Spitzner
Reprodução/ TJPR
Advogado simula agressão durante julgamento do caso Tatiane Spitzner

Durante o julgamento do caso do feminicídio da advogada Tatiane Spitzner, o advogado de defesa de Luis Felipe Manvailer, condenado a 31 anos de prisão , simulou uma agressão. Claudio Dalledone Junio apertou o pescoço da advogada Maria Eduarda Lacerda e a chacoalhou até derrubá-la no chão.

No vídeo do julgamento, disponível no canal de YouTube do Tribunal de Justiça do Paraná, o advogado explica que iria fazer a demonstração para provar que Tatiane Spitzner não morreu por conta das agressões. Ele argumenta que a advogada não morreu após ter sido esganada, mas sim pela queda da janela do apartamento, por isso o caso não pode ser enquadrado como feminicídio.

A simulação de agressão teve uma repercussão negativa muito grande e os dois advogados envolvidos gravaram vídeos justificando a escolha de fazer a atuação. "Ela não teve nenhuma lesão, ela não foi subjugada, ela é uma advogada iniciante e uma excepcional mulher na advocacia que muito nos orgulha em fazer parte da nossa equipe", disse Claudio Dalledone Junio.

A advogada Maria Eduarda Lacerda, que foi enforcada, disse que foi "uma honra" fazer parte da simulação. "Eu acredito que na advocacia do tribunal do júri essa simulação é fundamental em grandes casos", completa.

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A OAB do Paraná se pronunciou após a simulação de violência contra a mulher e disse que a conduta do advogado de defesa de Luis Felipe Manvailer será apurada. Segundo nota oficial divulgada no site da OAB, "a atuação da advocacia, não podem ser usados, sob nenhum pretexto, para propagar a violência que deveriam enfrentar e combater, sendo inaceitável a utilização do corpo feminino para a reprodução de atos de violência". 

"Recomenda-se, assim, a reflexão sobre os limites da atuação em plenário, para que não ocorram exageros que comprometam a dignidade profissional e a própria essencialidade do Tribunal do Júri, como forma de participação popular no julgamento dos crimes contra a vida. Caberá ao setor ético disciplinar da instituição analisar as condutas verificadas, e após exercitada a ampla defesa, adotar as providências que se mostrem cabíveis", continua a nota oficial.

Veja abaixo o vídeo da simulação durante o juri:


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