Leonardo Braconnot é um homem gay, surdo e drag queen. Ele não gosta de revelar a idade, mas conta que é Kitana Dreams – seu nome como drag – há 20 anos. Ao Delas,  o carioca fala como é ser uma PCD (pessoa com deficiência) no meio LGBTQIA+, além de comentar sobre seu trabalho como youtuber.

drag queen
Reprodução/Instagram
Kitana Dreams é uma drag queen surda, youtuber e maquiadora

“A Kitana veio pra fazer essa inclusão das pessoas com deficiência e os LGBTs, mostrando para todos que, assim como ela conseguiu ser aceita na sociedade como uma drag surda e gordinha, outras também podem. Essa é e sempre será a nossa luta”, fala. 

Como drags costumam fazer shows de dublagem e performance, Leonardo precisou encontrar uma alternativa para expressar sua arte. Além de ir a eventos e dar palestras inclusivas, ele, que maquiador desde os anos 2000, passou a fazer vídeos com tutoriais de maquiagem para o seu canal no YouTube.

“As pessoas foram gostando e a coisa foi crescendo. Tudo foi acontecendo naturalmente”, fala. A drag já acumula mais de 18 mil inscritos em seu canal e dezenas de vídeos que vão desde os tutoriais até conteúdos mais pessoais, como desabafos e curiosidades sobre o Leonardo.

Como os vídeos são em Libras e legendados, Leonardo consegue abranger um público diverso. Ele conta que tanto surdos quanto ouvintes, LGBTs ou não, acompanham seu conteúdo e são fãs da drag. 

Leonardo ainda fala sobre como a Kitana é uma ferramenta para se comunicar melhor com as pessoas. “Como sou surdo, fica difícil a comunicação com algumas pessoas e com a Kitana isso melhorou muito. As pessoas ficam impressionadas com ela, já que é muito animada e carismática. Isso ajuda muito na inclusão”. 

Mas nem sempre foi assim. Embora já tenha nascido surdo, se reconhecer como uma pessoa com deficiência levou um tempo. “Eu não sabia que era surdo. Ficava um pouco triste, pois não entendia nada. Não conhecia pessoas surdas e achava que só eu era diferente. Não sabia que existiam pessoas como eu”, lembra. 

Foi só quando tinha 11 anos de idade que conheceu outro garoto surdo na escola. “Ele veio se comunicar comigo em Libras, mas eu não entendia nada”, fala. Aos poucos, ele entendeu o que estava acontecendo ali e, no ano seguinte, se mudou para uma escola com mais alunos surdos. “No mesmo ano, entrei para uma escola de dança para surdos. A partir daí, comecei a aprender Libras e me identifiquei com a comunidade surda”.

Pessoa com deficiência no movimento LGBTQIA+

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Reprodução/Instagram
Para Leonardo, ser drag queen é uma forma de se expressar e facilitar a comunicação com as pessoas

Leonardo lembra que se assumir como um homem gay não foi fácil. Depois de muito medo, angústia e alguns meses de depressão, ele conseguiu falar sobre sua orientação sexual com os pais quando tinha 17 anos de idade. Apesar da dificuldade, ele diz que hoje tem o apoio da família e lida muito bem com o assunto. 

Inclusive, para ele, a Kitana é uma forma de falar sobre as duas pautas, da comunidade surda e da LGBTQIA+. “A nossa luta vai ser sempre contra a homofobia, a discriminação e o preconceito das pessoas com a figura da drag”, diz. 

Assim como Kitana, Leonardo diz que existem outras drags com deficiência e diz que a comunidade das PCDs está incluída nas pautas do movimento LGBTQIA+. “Mas, é claro, precisamos melhorar mais, principalmente em relação ao preconceito das pessoas”, pontua. 

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