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Lançada na segunda-feira (28), a hashtag mostra que casos de assédio e estupro em táxis e aplicativos de carona são mais comuns do que se imagina

Na segunda-feira (28), a escritora e ativista feminista Clara Averbuck fez um relato em sua página do Facebook denunciando um motorista de Uber que a estuprou na noite de domingo (27). “Fui violada de novo, violada porque sou mulher, violada porque estava vulnerável e mesmo que não estivesse poderia ter acontecido também”, escreveu. A partir disso, a escritora criou a campanha  #MeuMotoristaAbusador .

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A escritora e ativista feminista Clara Averbuck lançou a campanha #MeuMotoristaAbusador após denunciar estupro
Reprodução/Instagram
A escritora e ativista feminista Clara Averbuck lançou a campanha #MeuMotoristaAbusador após denunciar estupro

A ideia da hashtag é que outras mulheres compartilhem relatos de assédio ou estupro  que já sofrerem em táxis ou carros de aplicativos de carona para mostrar que essas situações são mais comuns do que se imagina. "Você tem uma história de abuso ou assédio no uber, táxi, cabify, qualquer um desses serviços? Não tenha medo e nem vergonha. A culpa não é sua", escreveu Clara na publicação que fez sobre a  campanha

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No Twitter, algumas mulheres usaram a hashtag e compartilharam situações parecidas com a da escritora. 

No início da tarde desta terça-feira (29), a escritora compartilhou um vídeo nas redes sociais explicando alguns pontos da história e comentando a repercussão. "Os homens reproduzem a violência que eles conhecem e a masculinidade que eles conhecem. Estuprador não é monstro. Estuprador pode ser seu vizinho ou seu tio. Inclusive, a maior parte dos estupros acontecem dentro de casa", falou.  Leia mais sobre o caso .

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O que fazer?

Nem sempre é fácil identificar e falar sobre um caso de abuso como o que a Clara relatou. Diante de uma situação como essa, existem alguns caminhos que a vítima pode seguir para agir. É possível informar a empresa responsável pelo motorista sobre o que aconteceu e, caso a vítima decida denunciar e seguir com um processo judicial, recorrer a uma Delegacia da Mulher (DDM), especializa em atendimento à mulher, ou a uma delegacia de polícia comum – caso não existe nenhuma DDM na cidade ou na região.

Apesar de especializada em atendimento à mulher, existem inúmeros relatos de mulheres que recorreram à DDM e se sentiram culpadas pelo o que aconteceu ou não receberam o suporte necessário. Por isso, muitas vítimas optam por não denunciar formalmente. Se esse for o caso, ainda é possível buscar a ajuda de ONGs e redes de apoio preparas para orientar vítimas de assédio e estupro da melhor forma. Também é possível ligar para o 180 (Central de Atendimento à Mulher). Além disso, a campanha mostra que o apoio às vítimas de assédio e estupro é tão importante quanto fazer a denúncia.