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O abuso ainda é considerado por muitos como provocado pela mulher e poucas tem coragem de denuciar e buscar cuidados médicos

O assédio sexual  ainda é um grande tabu. Muitas mulheres são abusadas, porém poucas têm coragem de denunciar e procurar ajuda. Medo de ser exposta, julgada ou considerada culpada são alguns dos fantasmas que impedem a vítima de solucionar o problema. Pesquisa recente encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que um terço dos brasileiros culpa as mulheres pelo estupro sofrido. 

A falta de informação também é outro problema, mas saiba que quem foi vítima de assédio ou abuso possui direitos assegurados de forma sigilosa e o socorro está mais próximo do que se imagina.

Mulheres que sofrem assédio sexual devem procurar ajuda
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Mulheres que sofrem assédio sexual devem procurar ajuda


Antes de tudo, a mulher precisa ter nítido que ela não é a culpada. “A única forma de se proteger do assédio é se livrar da ideia introjetada no inconsciente da sociedade de que a mulher tem o papel de procriação. Ela precisa entender que denunciar não é vergonhoso, porque ela não tem culpa e é vítima da história”, afirma o psicanalista Ronaldo Horowitz.

Atendimento especializado

A assistente social da AMA Capão Redondo 24h Ana Cláudia Rodrigues de Assis explica que todas as unidades de saúde possuem o NPV (Núcleo de Prevenção de Violência) que atende crianças e adultos que sofreram qualquer tipo de violência. Ela afirma que a maioria dos casos que presencia são de mulheres.

Todo o atendimento é feito de forma rápida e discreta, para preservar a vítima . “Na recepção, ao ser identificado o problema, a mulher já é encaminhada para a ala da enfermagem para não ficar exposta. Depois ela passa por uma avaliação médica e o serviço social da unidade é acionado”, conta a assistente social.

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Ana Cláudia também alerta sobre a importância de procurar ajuda o mais rápido possível, pois a profilaxia (medida de prevenção) só é possível ser aplicada se a mulher procurar a unidade em até 72h. “A vítima toma um coquetel de remédios para diminuir as chances de contrair alguma doença sexualmente transmissível, incluindo a Aids”, fala.

Além disso, a mulher passa por um acompanhamento psicológico, e Ronaldo explica a importância de cuidar da mente nessa situação. “A vítima precisa de uma terapia para entender este processo, se livrar das culpas que não são dela, do temor do julgamento dos outros, do medo de ser condenada e da vergonha. Assim terá certeza que não foi uma roupa ou uma atitude que a fizeram sofrer o assédio”, afirma o psicanalista.

Caso esteja de fora da história e desconfia que alguém próximo tenha sido assediado ou sofrido algum tipo de violência, você pode fazer uma denúncia de forma anônima em qualquer unidade de saúde. “Quando isso acontece, a equipe da UBS é avisada e os profissionais fazem uma visita na residência da pessoa para ver se descobrem algo e para passar orientações”, diz Ana Cláudia.

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Força judicial

A mulher que sofre o assédio também deve busca amparo judicial . A advogada Vincenza Morano aconselha a sempre a fazer um boletim de ocorrência para que o agressor não fique sem responder pelo crime que cometeu.

Vinceza afirma que o sigilo acontece nessa situação e que o advogado pode proteger a vítima, pedindo ao juiz segredo de justiça. “Esse tipo de crime tem características específicas e a justiça não culpa a mulher pelo assédio. A vítima deve ser ouvida e procurar seus direitos, inclusive de dano moral”, comenta.

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