Por: Heitor Werneck

Fetiche, sexo, fantasia, luxúria... Tudo isso e muito mais

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Estreando como colunista do iG Delas, Heitor Werneck conta o que o atrai no mundo dos fetiches e comenta sobre alguns deles; leia mais

O fetiche faz parte de mim. Sou um ser movido pelo erotismo, pela paixão, pela luxúria. E amo falar desses assuntos. São esses os impulsos primordiais que me levaram a criar moda, a conceber eventos nos quais as pessoas podem liberar suas fantasias, sem medo de serem julgadas.

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Foto: Carlos Ricón/Projeto Luxúria
Fetiche

Eu gosto de sexo, mas o fetiche é muito mais. Ele é o erotismo à flor da pele, é a imaginação que me faz enxergar uma deusa da luxúria sob a pele de uma simples dona de casa. A visão de uma corda, de um par de botas de couro, de um avental largado sobre a mesa da cozinha – coisas mínimas como estas mexem com as minhas fantasias, despertam o meu tesão, me enchem de desejo. Eu tenho certeza de que teremos muito a conversar aqui, dia após dia. Pois, no fundo, somos todos fetichistas… Ou você jura que não?

De onde vieram e para que servem os fetiches?

A palavra fetiche vem do italiano "fetisso", que quer dizer encantamento. Usamos encantamento o tempo todo. Na hora de comprar sapatos. Na hora de escolher acessórios, roupas, perfumes e até alimentos. Na maioria das vezes, nossos atos são feitos para o outro – independente de este outro ser nosso cônjuge ou familiar. Sempre pensamos em seduzir alguém, e mesmo que tenhamos atingido o grau de amor próprio tão necessário, este encantamento pode (e deve) ser até para nós mesmos.

Foto: Acervo pessoal
Fetiche

Além disso, o ser humano aprendeu a apimentar o ato sexual com os “temperos” que mais lhe agradam. Assumir posições de dominação ou submissão, de masoquismo ou de sadismo na cama – assunto que ganhou espaço depois do sucesso de Cinquenta Tons de Cinza – pode ser uma bela maneira de conviver melhor com impulsos e desejos (para muitos inconfessáveis) e assim se tornar um ser humano mais feliz, pleno, realizado. Não ultrapassar a linha tênue entre o personagem na cama e na vida real é o grande segredo para o fetiche ser saudável e delicioso, sem o risco de virar uma parafilia e, aí sim, ter um diagnóstico psiquiátrico, de doença.

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Não sou doutor em sexologia. Tenho apenas livre saber e a experiência de viver um ser sexual 24 horas por dia, desde minhas primeiras experiências, ainda na puberdade. Não consigo me ver sem ser fetichista e me dá um enorme prazer ver donas de casa em supermercados fazendo compras, umas de salto alto, outras maltratadas e elaborando jantares para maridos. Ou ver mulheres e imaginar o quanto os seus maridos adorariam estar com suas calcinhas dentro do bolso...

Vejo pessoas que amam ser servis e outras que amam mandar. Vejo mulheres e homens que amam saltos e lingeries. Homens e mulheres promíscuos ou fiéis. Pessoas que amam ser paizões, ou reis e rainhas. Pessoas que amam ser vassalas. Enfim, fetichistas .

Se aprendermos a usar nossos fetiches de um jeito gostoso, na cama (ou no sofá, no chão, no carro, no motel...) e se nos permitirmos, um pouco mais, desfrutar da luxúria e do erotismo a que temos direito, talvez as vidas nos escritórios, nos lares, nas ruas e no trânsito se tornem mais divertidas e menos invasivas. Tem um fetiche e quer saber mais sobre esse mundo? Acompanhe a coluna do Heitor Werneck  no iG!