O modo como dormimos realmente pode afetar a saúde e aparência da pele?
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O modo como dormimos realmente pode afetar a saúde e aparência da pele?

O sono da beleza realmente existe! E dormir mal de maneira recorrente pode trazer graves consequências para sua pele, prejudicando a aparência e saúde do tecido cutâneo. “É durante o sono que ocorre o relaxamento muscular, que evita as rugas de expressão pela mímica facial durante o dia, e a liberação de substâncias como o hormônio do crescimento (GH), que é responsável pelo desenvolvimento e renovação celular, inclusive das células de colágeno, que são fundamentais para a firmeza e viço da pele”, ressalta a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Além disso, noites mal dormidas podem aumentar a liberação de cortisol, conhecido como hormônio do estresse.

“Consequentemente, há um aumento de radicais livres, oxidação das células da pele e aceleração do processo de envelhecimento cutâneo. O cortisol também estimula hormônios andrógenos que favorecem a produção de oleosidade, com entupimento dos poros e surgimento de cravos e espinhas. E o estresse ainda está associado à baixa imunidade e excesso de queratina, que contribuem com a proliferação de bactérias relacionadas à acne”, acrescenta a dermatologista.

Todos esses processos estão diretamente relacionados com o chamado ciclo circadiano. “Esse ciclo é mediado por uma área no hipotálamo do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, que coordena a liberação de hormônios que, à noite, diminuem a temperatura corporal e a pressão arterial e nos fazem sentir sono; pela manhã, o cortisol e outros hormônios restauram nosso estado de alerta, nos aquecem e aumentam a pressão arterial”, destaca Deborah Beranger, endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).

Mas o ciclo circadiano não pode ser reduzido aos horários de dormir e acordar. “A maioria de nossas células contém um grupo de genes que são como engrenagens em um relógio mecânico, mantendo o tempo em todos os lugares internamente. Esses genes do relógio biológico causam a liberação de hormônios no cérebro, mas também ditam outros processos em outras partes do corpo”, explica a endocrinologista. Logo, fatores que prejudicam a qualidade do sono e bagunçam os ritmos circadianos podem prejudicar seriamente a saúde da pele.

Dessa forma, é importante atentar-se a hábitos que podem bagunçar o ciclo circadiano, como os horários que você se expõe à luz. “Sabemos que o núcleo supraquiasmático está diretamente conectado à retina e o relógio cerebral pode ser calibrado pela luz solar ou luz artificial, que sinaliza quando é dia”, explica a endocrinologista. “Obter luz consistente ao acordar e acordar no mesmo horário todos os dias pode ajudar a manter o relógio no caminho certo para que você adormeça na hora ideal. Alguns estudos mostram que, mesmo enquanto você está dormindo, a luz fraca pode penetrar nas pálpebras fechadas e confundir o relógio interno”, acrescenta a médica.

Níveis de estresse diários, os horários de trabalho não tradicionais (à noite, por turnos), a vida de festanças, o uso excessivo dos smartphones antes de dormir, o sedentarismo e muitas outras questões comportamentais e mentais, como o crescimento dos casos de ansiedade e depressão, também podem bagunçar a ampulheta interna. Portanto, é importante adotar alguns cuidados, principalmente focados no controle do estresse.

“Faça uma atividade física prazerosa, pois, gastando energia, torna-se mais fácil regular o sono e diminuir o estresse. Além disso, adote uma alimentação mais saudável, evitando gorduras excessivas principalmente à noite. Quanto ao estresse do trabalho, procure relaxar ao chegar em casa, com um livro ou meditação, por exemplo. Os descansos de fim de semana com atividades prazerosas também são bem-vindos. E também busque desconectar do mundo online. Esses hábitos vão ajudar a sincronizar melhor seus relógios internos”, diz a endocrinologista.

Para garantir um sono de qualidade, vale a pena adotar também alguns cuidados imediatamente antes de dormir, que fazem parte da higiene do sono. “A higiene do sono consiste, basicamente, em adotar uma rotina que avisará o cérebro que está na hora de dormir. Então tome um banho, coloque um pijama, cuide da pele, escove os dentes, apague a luz e deite-se na cama. Enquanto isso, seu cérebro gerará sinais para que o organismo passe a produzir hormônios reguladores do sono, como a melatonina e a serotonina, e pare de produzir hormônios de alerta, como o cortisol. Mas evite utilizar qualquer tipo de equipamento eletrônico uma hora antes de dormir, seja o celular, o tablet ou a televisão, pois a luz azul emitida por dispositivos pode desestabilizar a produção de melatonina, interferindo assim na qualidade do sono”, recomenda a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Pensando especificamente na pele, na hora de dormir, evite deitar de um lado específico ou de bruços, optando sempre por ficar de barriga para cima. “Dormir com o rosto virado 100% para o travesseiro ou sempre do mesmo lado pode formar rugas estáticas devido à pressão e atrito causado pelo contato do rosto com o travesseiro. Dessa forma, acabamos envelhecendo mais assimetricamente, com demarcações mais profundas dos sulcos, das linhas e das rugas”, diz Beatriz Lassance.

Caso você tenha dificuldade em se manter de barriga para cima enquanto dorme, é interessante, por exemplo, trocar fronhas de algodão por fronhas de cetim ou seda, que não tracionam a pele. “Existem ainda travesseiros, como os de pescoço, desenvolvidos para reduzir o contato facial com o travesseiro”, acrescenta a médica.

Além disso, durante a rotina de cuidados com a pele, as diferenças entre estado de vigília e de sono também devem entrar em pauta, segundo a farmacêutica Maria Eugênia Ayres, gerente científica da Biotec Dermocosméticos. “O cosmético diurno deve conter ativos capazes de combater os radicais livres gerados pela radiação solar (como Vitamina C, Ascorbosilane C e Alistin), luz visível (Pro Shield MDC) e poluição (Exo-P), por exemplo. Também precisam fornecer energia às células (como Arct-Alg, que triplica a produção energética) para que suportem o estresse gerado pelo excesso de toxinas que são produzidas diariamente”, diz a farmacêutica.

Já o creme noturno deve ser formulado com ativos que potencializem a renovação celular, pois é durante a noite que as células estão mais aptas a se renovarem e absorverem os nutrientes, repondo as defesas e a imunidade para o dia seguinte. “Um exemplo de ativo noturno que tem atuação exemplar é Overnight Repair, que ressincroniza os genes do ciclo circadiano, combate o estresse oxidativo e os danos celulares, intensifica o ciclo de reparação celular noturno e promove hidratação intensa e duradoura”, diz Maria Eugênia.

Para quem quer ir além, é possível optar ainda pela realização de procedimentos estéticos que cuidam da saúde da pele ao mesmo tempo em que oferecem uma experiência única de relaxamento, assim contribuindo para a diminuição do estresse que atrapalha o sono. É o caso do HydraFacial, que, se realizada regularmente, ainda é um grande aliado no combate aos sinais do envelhecimento.

“O procedimento é capaz de limpar, esfoliar e extrair sujidades de maneira agradável enquanto promove uma poderosa hidratação da pele. Assim, melhora instantaneamente a qualidade do tecido cutâneo, uniformizando a textura e aumentando a firmeza, viço, maciez, hidratação e brilho da pele”, explica o dermatologista Renato Soriani, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), expert em tecnologias dermatológicas e ex-coordenador do Departamento de Laser e Tecnologias da SBD (2017-2021). “Completamente personalizável, o HydraFacial ainda conta com uma série de boosters que são escolhidos a dedo pelo dermatologista dependendo das características da pele do paciente. Por exemplo, para reduzir linhas finas, podemos usar o booster Dermabuilder, que é rico em peptídeos”, finaliza o médico.

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