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Apesar da promessa de enrijecer o canal vaginal e deixá-lo mais limpo, o método que utiliza ninhos de vespa pode prejudicar a saúde e a vida sexual

Histórias de mulheres que estão infelizes com o formato, a cor e a textura da própria região genital (e que, por vezes, são ridicularizadas pelos parceiros sexuais) são tão comuns que renderam até um documentário realizado pela BBC e intitulado “My Unusual Vagina” (minha vagina incomum). De lasers intravaginais utilizados para recuperar a elasticidade da região até preenchimentos para acabar com a flacidez dos grandes lábios, a gama de procedimentos estéticos para a área íntima é grande e bastante procurada por mulheres.

Os 'oak galls' são caroços que o tronco do carvalho forma após uma vespa depositar sua larva ali (criando um ninho para um novo animal) e estão sendo vendidos sob a premissa de ajudarem a enrijecer e clarear a vagina
Reprodução/Etsy
Os 'oak galls' são caroços que o tronco do carvalho forma após uma vespa depositar sua larva ali (criando um ninho para um novo animal) e estão sendo vendidos sob a premissa de ajudarem a enrijecer e clarear a vagina

Sem incentivo para que explorem os próprios corpos e entendam as diferenças que podem existir entre os órgãos genitais femininos, muitas mulheres também acabam recorrendo a “tratamentos caseiros” como duchas internas  que envolvem ingredientes mirabolantes em busca de uma região íntima mais limpa e bonita. A mais nova tendência que tem percorrido a internet é a de colocar ninhos de vespas na vagina .

O item tem sido vendido por diversas lojas online é chamado de “oak gall” (noz de carvalho, em tradução livre). É uma espécie de caroço desenvolvido pelo carvalho depois que uma vespa deposita uma larva no tronco. Tentando se defender, a árvore secreta substâncias como o ácido gálico e o ácido tânico, criando a noz que acaba envolvendo a larva e formando um ninho.

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Técnica perigosa

Segundo as pessoas que comercializam o produto, aplicar uma pasta caseira feita com a noz diretamente na vagina traz melhorias à vida sexual e faz com que a parede uterina fique mais “apertada” após o parto, mas a ginecologista e obstetra Jen Gunter alerta para os riscos de utilizar o método. Em seu blog, a especialista afirma que qualquer método que promete enrijecer e secar a mucosa é perigoso tanto para a vida sexual quanto para a saúde da mulher.

“Secar a mucosa vaginal aumenta os riscos de abrasão durante o sexo e destrói a camada protetora da mucosa. Isso também pode fazer estragos nas bactérias boas. Além de gerar dor durante o sexo , o método também pode aumentar os riscos de transmissão do HIV”, afirma Jen.

Além de perigoso, o método também promove a ideia de que há algo errado com a vagina quando ela está úmida, o que é, segundo especialistas, um equívoco. A região vaginal possui secreções e odores próprios e deve ser higienizada apenas externamente , no máximo com um sabonete neutro.

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