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Intrigada com a frequência das reclamações das clientes sobre a vida sexual, Deborah Mitchell começou a juntar as peças, consultou psicólogos e descobriu que o botox pode influenciar indiretamente o bem-estar; entenda

A toxina botulínica – o botox – normalmente é utilizada em tratamentos estéticos como forma de paralisar os músculos (geralmente os da face), forçando um relaxamento e fazendo com que a pele fique com uma aparência mais uniforme, sem rugas. O uso da substância em excesso pode fazer com que a pessoa fique com aparência forçada e até perca temporariamente os movimentos do músculo em que ela foi aplicada, mas, de acordo com uma esteticista britânica, o tratamento também pode trazer consequências para a vida sexual.

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De acordo com a esteticista, os músculos 'congelados' pelo botox impedem as pessoas de demonstrarem o que sentem
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De acordo com a esteticista, os músculos 'congelados' pelo botox impedem as pessoas de demonstrarem o que sentem

Deborah Mitchell trabalha como esteticista há 25 anos e afirma que, além de oferecer serviços que cuidam da aparência das clientes, ela também é um ombro amigo e escuta todas as lamentações. De acordo com o artigo escrito por ela para o veículo britânico “Daily Mail”, uma das reclamações mais frequentes feitas pelas clientes dizem respeito à sexualidade delas. “Na maior parte dos casos, muitas delas simplesmente não pareciam sentir vontade de fazer amor. Outra mulher me disse que mesmo quando ela tentou demonstrar interesse, o marido não leu os sinais”, conta a esteticista. Intrigada, Deborah começou a juntar as peças e diz ter encontrado o culpado: o botox .

A descoberta

Deborah passou a tentar analisar tudo o que aquelas mulheres tinham em comum. Ela descartou a menopausa, já que muitas delas estão na faixa dos vinte anos, e afirma que todas são bem sucedidas, estão em forma e em dia com a saúde. Todas, porém, estavam fazendo tratamento com a toxina por ano e, algumas delas, mais do que o necessário.

De acordo com ela, apesar de o processo ser procurado por quem busca ficar mais atraente, ele estava surtindo o efeito contrário. “Sim, ele suavizou muitas das linhas de expressão, mas, no processo, parece ter levado outra coisa com ele: a habilidade de demonstrar seus pensamentos e sentimentos. Resumindo, mesmo quando elas sentem desejo, seus rostos ‘congelados’ não são capazes de comunicar isso”, explica a esteticista.

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A esteticista afirma que o fato de o tratamento muitas vezes não permitir que as pessoas expressem aquilo que estão sentindo pode afetar o humor. “Se você não consegue exercitar suas ‘glândulas do sorriso’ direito, então você não vai conseguir liberar as endorfinas que te fazem sentir sensual e viva”, completa.

Outro fator que a fez chegar a essa conclusão foi a reação de algumas de suas clientes às fragrâncias dos óleos que ela usa durante certos tratamentos. Segundo ela, as mulheres que usam a toxina com mais frequência também eram menos suscetíveis aos cheiros. “A toxina afeta músculos, não receptores sensoriais. Isso me fez concluir que o próprio humor delas está frustrado”, conta.

Há fundamentos científicos?

Desconfiada, Deborah consultou um psicólogo para saber se sua teoria podia estar certa. De acordo com Jo Coker, psicóloga especialista em relacionamentos, o fato de que a mulher escolhe usar botox já sugere que ela está desconfortável com a própria aparência. Ela afirma que, quando inexpressivas, as mulheres não liberam oxitocina, um dos hormônios ligados ao bem-estar. “Isso não só nos faz sentir bem como também serve de ajuda para criar uma conexão mais duradouro com os parceiros. Não me admira que essas mulheres não estão fazendo sexo”, diz a psicóloga.

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Após a descoberta, Deborah passou a aconselhar as clientes que reclamavam da vida sexual a aliviarem o uso da toxina botulínica. “Em absolutamente todos os casos, alguns meses depois, elas disseram que o relacionamento melhorou”, finaliza. 

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