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Segundo a psicóloga, ereções sem fim, sexo sem proteção, ausência de preliminares e outros fatores presentes em materiais pornográficos podem interferir na maneira como as pessoas se relacionam; confira detalhes

Você gosta de pornografia? Normalmente visto como um hábito masculino, o ato de consumir material pornográfico tem atraído cada vez mais mulheres; dados levantados pelo site de conteúdo adulto “PornHub” mostram que 80% do tráfego em material pornô por celulares e dispositivos móveis vem das mulheres.

Psicóloga afirma que o consumo de pornografia pode afetar a forma com que as pessoas se relacionam
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Psicóloga afirma que o consumo de pornografia pode afetar a forma com que as pessoas se relacionam

Grande parte desse material, porém, expõe situações irreais e está relacionadas, muitas vezes, a situações de abuso. Lançado em 2015, o documentário “Hot Girls Wanted” mostra como a pornografia pode ser, ao mesmo tempo, sedutora e prejudicial para jovens. As garotas que aparecem no filme iniciam os trabalhos animadas, mas passam a relatar situações constrangedoras e a frequente objetificação que acontece com elas. Além disso, de acordo com o documentário, alguns dos conteúdos mais buscados envolvem violência.

Pornô educa?

Afinal, consumir esse tipo de material faz mal? Segundo Carla Zeglio, psicóloga especialista em sexualidade, a facilidade em encontrar conteúdo adulto na internet e a “substituição” da educação sexual por filmes pornô pode não ser uma boa ideia. “Na grande maioria das vezes, filmes pornográficos trazem uma ideia de sexo que não é a real. Algumas vezes, mais deseducam do que educam”, afirma a psicóloga.

Expectativas x realidade

De acordo com um estudo recente publicado pela “Human Communication Research” que analisou dados de mais de 50 mil pessoas de dez países, o consumo de material pornô está relacionado com índices de insatisfação com a vida sexual por parte dos homens. Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer em razão das expectativas erradas que o pornô proporciona. “Horas e horas tendo atividades sexuais não é um comportamento usual em pessoas reais. Os filmes propõem ereções infindáveis e lubrificação que não acabam”, afirma Carla.

Apesar de, segundo o estudo, as mulheres não levarem para a cama as experiências demonstradas no pornô e, portanto, não terem a satisfação sexual afetada, elas também estão insatisfeitas com a forma que a sexualidade é expressa no universo pornô. “Muitas mulheres estão explorando a possibilidade de procurar e desenvolver material que lhes agrade, como a pornografia feminista , que tem muita procura e serve como estímulo para uma atividade sexual com mais prazer e intensidade”, afirma Carla.

Lado positivo

De acordo com outro estudo publicado no “Journal of Sex & Marital Therapy”, pessoas que são honestas com os parceiros a respeito do hábito de assistir pornografia criam laços mais fortes nos relacionamentos e são mais abertos a novas experiências sexuais. De acordo com Carla, é possível usar esse material de forma positiva. “Se bem utilizada, a pornografia é bem vista como forma de estimular a fantasia ”, afirma ela. É preciso também prestar atenção na frequência do consumo  e deixar as situações irreais expostas pelo pornô  apenas nos filmes.

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