Tamanho do texto

Apesar de a maior parte das pessoas que buscam as técnicas do tantra se atrair pelos benefícios sexuais das práticas, a massagem tântrica também auxilia no combate à ansiedade e problemas físicos como o vaginismo

Você já deve ter ouvido falar em orgasmos intensos e com durações absurdas durante a prática de sexo tântrico . Com muito treino, estímulos certos, energias sintonizadas, disciplina e bastante controle da musculatura pélvica, a prática pode trazer experiências incríveis tanto para homens quanto para mulheres. Mas e a massagem tântrica? 

De acordo com o terapeuta Daniel Carletti, a massagem tântrica trata o corpo como algo sagrado e não é uma masturbação
Shutterstock
De acordo com o terapeuta Daniel Carletti, a massagem tântrica trata o corpo como algo sagrado e não é uma masturbação

Segundo o terapeuta corporal *Daniel Carletti, o tantra constitui um conjunto de práticas milenares que envolve massagem, meditação, exercícios de respiração, rituais de renascimento e mais. Ele explica ainda que, ao chegar no ocidente, o tantra – cujas práticas faziam muitas referências à quebra de tabus – tornou-se algo bastante sexualizado. Apesar de não se resumir a benefícios sexuais, a massagem tântrica gira em torno da liberação e do controle da energia sexual do paciente, chamada, segundo Carletti, de kundalini.

Como funciona?

Você pode estar pensando: “Ok, eu vou chegar no lugar e alguém que eu não conheço vai me masturbar até que eu chegue a um orgasmo fantástico?”. De acordo com o terapeuta, o que ocorre na prática não é, de forma alguma, masturbação. Ele explica que, no tantra, o corpo humano é algo extremamente sagrado. “O objetivo é usar a energia sexual como caminho de cura, transformação ou expansão, e o principal instrumento para isso é o corpo”, afirma.

Segundo o terapeuta, a palavra “tantra” deriva de “teia”, e se refere à noção de que todas as coisas estão ligadas entre si. Na massagem, a filosofia não é diferente; Carletti conta que o chakra onde a energia sexual fica “armazenada” se localiza no períneo (região que fica entre o ânus e a vagina ou o pênis) e é simbolizado por uma serpente, que permanece enrolada e adormecida. Quando o chakra é estimulado, é como se a serpente se libertasse e percorresse todos os outros seis chakras do corpo.

Ele afirma que, quando isso acontece durante a massagem, é como se a pessoa entrasse em um estado de consciência alterado em que ela libera essa energia acumulada. “Tem gente que sente muita raiva, bate no futon, grita, xinga... A ideia é colocar para fora mesmo”, explica.

Mas como a massagem é feita, afinal?

Segundo o terapeuta, ela é dividida em três etapas que aumentam os níveis de endorfina, serotonina e oxitocina (hormônios ligados à sensação de bem-estar). A primeira etapa é batizada de “Sensitive” e consiste no estímulo do corpo como um todo, utilizando apenas as pontas dos dedos e é feita a seco (como demonstrado por ele no vídeo abaixo).

Essa prática tem como objetivo despertar zonas de prazer desconhecidas pela pessoa ou que estão adormecidas, fazendo com que ela sinta a capacidade orgástica do corpo inteiro.

A segunda etapa é batizada de “Yoni” – quando feita em mulheres – ou “Lingam” – quando feita em homens – e busca tonificar a musculatura pélvica, estimulando a parte externa e interna da vagina ou o pênis em sua totalidade. “Não é uma masturbação, mas a pessoa pode acabar sentindo prazer porque os movimentos são muito intensos. É como se você levasse a vagina ou o pênis para a academia”. Aqui, há uso de luva e de óleo de semente de uva.

A terceira etapa é a de “Integração", na qual se trabalha as questões emocionais. Segundo Carletti, é a hora em que o terapeuta se senta ao lado da pessoa, põe uma música para tocar e deixa que o corpo dela perceba tudo o que foi feito.

Homens fazem em mulheres, mulheres fazem em homens

Carletti explica que não é estritamente necessário que mulheres sejam atendidas por homens e homens por mulheres, mas que há um motivo para a maior parte dos atendimentos ocorrer dessa forma. Segundo ele, para que as energias sejam devidamente estimuladas e liberadas, o ideal é que haja um “confronto” entre elas. “A ideia é polarizar as energias, positivo com negativo, yin e yang, masculino e feminino”, explica. Para pessoas que têm vergonha de fazer a massagem tântrica com alguém do sexo oposto, porém, a escolha é livre.

Benefícios no sexo e além 

O terapeuta afirma que, em geral, as pessoas que procuram a massagem tântrica buscam autoconhecimento e os benefícios da prática no âmbito sexual. “A maioria das mulheres só conhece o orgasmo clitoriano . Elas procuram a massagem para desenvolver o orgasmo vaginal através da prática”, afirma.  Por durar uma hora e meia, a massagem pode proporcionar aos homens uma ereção mais longa e mais tempo de prazer, algo que eles normalmente não alcançam sozinhos ou na relação sexual. “Essa expansão orgástica é como perder a virgindade de novo!”, completa.

De acordo com a advogada Beatriz Campos (nome fictício), que pratica essa modalidade de massagem e outras técnicas tântricas há dois anos, foi em uma das sessões ela que teve o primeiro squirt (ejaculação feminina). “Hoje, se eu for devidamente estimulada, tenho o squirt com meu parceiro na relação sexual”, afirma.

Apesar de ser definida por Carletti como “o ato de fazer amor consigo mesmo”, esta modalidade de massagem não traz apenas benefícios que são aproveitados no sexo. O fortalecimento da musculatura pélvica aumenta a capacidade da região de “trabalhar”, trazendo orgasmos mais intensos, mas também ajudando no tratamento de incontinência urinária, da impotência nos homens e de vaginismo e dispareunia  (condições que provocam dor na vagina na hora da penetração) nas mulheres. Além disso, não há idade para alcançar esses benefícios. Carletti afirma que sua cliente mais jovem tem 20 anos, e a de mais idade, 83.

Por mexer com o emocional, o terapeuta afirma que as técnicas podem ajudar no combate à ansiedade e na luta contra traumas relacionados à sexualidade . Quando iniciou o contato com o tantra, Beatriz, pretendia apenas acompanhar uma amiga que não conseguia alcançar orgasmos, mas, hoje, coleciona outros benefícios.

Por ter sofrido um abuso sexual aos 11 anos, Beatriz conta que, ao ter orgasmos, se sentia culpada. “Em uma das sessões de massagem tântrica com o Daniel, eu revivi esse abuso. Nesse caso, veio a raiva, o choro, a vontade de bater e chutar. Antes do tantra, costumava chorar após ter um orgasmo. Hoje, eu enxergo que era culpa, e foi através da terapia tântrica que consegui ter essa visão. Agora tenho orgasmos sem esse tipo de repressão, sou outra pessoa”, conta a advogada.

*Daniel Carletti atende no Tantra Lotus. Para mais detalhes, acesse: www.tantralotus.com.br

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.