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Falta de desejo ou desequilíbrio da frequência sexual pode ser um alerta, mas nem por isso a relação precisa ter um ponto final. Entenda

Menos sexo: redução na frequência sexual pode ser um problema, mas não significa o fim
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Menos sexo: redução na frequência sexual pode ser um problema, mas não significa o fim

Para quem idealiza uma vida a dois com muito sexo e pouca crise, as notícias não são tão animadoras. Na teoria, essa é a rotina perfeita que todos os parceiros almejam. Entre quatro paredes, porém, os altos e baixos da libido são muito mais comuns do que as pessoas imaginam. Nem sempre o desejo dos cônjuges está em perfeita harmonia e equilíbrio. Esse alerta vermelho precisa indicar o término imediato da relação?

Nada deve ser encarado com tanto radicalismo. Isso porque a libido é realmente algo individual, que varia de pessoa para pessoa. Ninguém vem com a “mesma intensidade” de fábrica, e isso depende de inúmeros fatores, tanto genéticos quanto emocionais. Além disso, situações externas, como um desgaste no relacionamento ou uma mudança na dinâmica familiar também podem deixar o clima mais frio.

De imediato, não é preciso olhar para esse cenário como um beco sem saída. Os altos e baixos do tesão e as vontades divergentes são uma fase natural do relacionamento de qualquer casal e que podem ser trabalhados em longo prazo. Para mudar, basta um pouco de habilidade e disposição.

“Alguns fatores físicos podem diminuir a libido, como problemas de saúde relacionados a diabetes, hipertensão ou o uso de medicamentos para depressão. Além disso, há também os fatores ambientais, como a perda do emprego ou conflitos familiares. São em situações como essas que o parceiro perde um pouco do desejo pelo outro, o que pode desestabilizar a relação”, explica Cristiane Maluf de Martin, psicóloga especializada em psicanálise e terapia de casais.

Segundo a especialista, o emocional também tem um peso fundamental nessa questão. Se o parceiro não está satisfeito com o próprio desempenho e com a autoestima em dia, fica ainda mais difícil se entregar a uma relação prazerosa. Por isso, mesmo que não seja necessário fazer tempestade em copo d’água, vale a pena questionar que pontos da relação precisam ser discutidos e revistos, para que todos os lados sejam levados em consideração.

Meio a meio

O alerta acendeu? A dica da especialista Daniela Faertes, psicóloga e especialista em mudança de comportamento, é manter a calma.

“Altos e baixos, em se tratando de um relacionamento, se dão em diversos níveis. Só vale discutir essa parte da sexualidade como algo problemático quando ela se tornar constante e duradoura. Meu conselho é esperar um pouco, para ver se as coisas não voltam ao normal. Às vezes, é só uma fase. Quando existe a cobrança de qualquer um dos lados, do homem ou da mulher, o efeito pode ser o contrário, piorando ainda mais a relação”, reforça ela.

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Portanto, o primeiro passo é conversar e deixar as insatisfações muito claras. O tom deve ser calmo, sem transparecer nenhum tipo de cobrança ou pressão. Deve existir a compreensão em primeiro lugar, principalmente se o cônjuge se mostrar aberto às críticas e disposto a mudar e se reinventar. Outra dica é fazer uma reflexão pessoal e tentar entender a raiz do desgaste na relação. Será que a culpa é mesmo do outro ou algo também está errado do lado de cá?

Desejo e romance: é importante equilibrar as duas coisas
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Desejo e romance: é importante equilibrar as duas coisas

“O diálogo entre o casal é imprescindível nesse primeiro momento. Vale colocar tudo em pratos limpos e nunca deixar virar que essa questão vire uma bola de neve, com frustrações paralelas. Se não conversar de uma maneira clara, os parceiros sempre vão justificar a falta de desejo com outras desculpas, mascarando a verdadeira situação. Nós acabamos engolindo as frustrações, deixando para lá. Chega um ponto em que as pessoas já estão tão magoadas e feridas que não há amor que segure a relação”, alerta Cristiane Maluf.

Para ninguém se sentir injustiçado, o caminho é buscar o equilíbrio entre vontades, desejos e disposição. Se o parceiro quer transar três vezes por semana, enquanto você se satisfaz com uma relação semanal, por que não tentar encontrar a média perfeita para ambos? Isso não quer dizer que vale qualquer tipo de ação, como topar o sexo mesmo sem vontade. É, antes de tudo, permitir-se e saber curtir o momento, sem neuras.

Tesão e romance

Amar e sentir tesão pelo parceiro são a combinação perfeita para um relacionamento saudável. Porém, nem só de desejo ou romance vive um casal. O equilíbrio é importante, mas sempre pendendo para o lado do companheirismo e da parceria, que vão muito além do prazer imediato do sexo. Sentir desejo pelo amado é importante, mas não é tudo na vida.

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Se a relação é harmônica em diversos outros pontos, igualmente ou até mais importantes, vale repensar se a questão sexual merece tanto destaque. Há casais que vivem bem com uma frequência sexual mais baixa, por exemplo. As discussões que surgem desse dilema podem desgastar ainda mais a convivência do casal. Se desprender de ideais românticos, que mudam com o passar dos anos e com o amadurecimento dos parceiros, pode ser o primeiro passo para evitar brigas e atritos.

“Em relacionamento saudável, o tesão é indispensável. Sexo é a relação mais íntima de um casal. Mas essa situação muda e as relações deixam de ser prioridade, por conta de uma série de problemas do cotidiano. Por conta disso a gente pode dizer que o relacionamento vai mal? Não necessariamente. Se os parceiros estiverem em uma sintonia legal e harmoniosa, o caminho é priorizar o companheirismo e o respeito mútuo”, pondera Cristiane Maluf.

++ Veja a seguir alguns filmes que podem ajudar a apimentar a relação a dois:


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