Ozempic e Saxenda: médicos analisam se remédios podem ser considerados vilões em busca da perda de peso
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Ozempic e Saxenda: médicos analisam se remédios podem ser considerados vilões em busca da perda de peso

Em meio a notícias de alerta, já que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) investiga o medicamento para diabetes Ozempic, da Novo Nordisk, e o remédio para perda de peso Saxenda, depois que a reguladora de saúde da Islândia sinalizou três casos de pacientes com pensamentos suicidas ou de automutilação, uma onda de dúvidas permeou a internet.

Até que ponto os ativos podem ser considerados  vilões na batalha conta a balança? De acordo com a plataforma Consulta Remédios, um dos dez maiores sites de farmácias do mundo, as buscas pelo medicamento Ozempic e outros que possuem a Semaglutida como princípio ativo, tiveram um crescimento de 91% no primeiro semestre de 2023.

De acordo com especialistas em saúde e emagrecimento, é preciso ter cautela diante de estudos como esse. “É preciso ressaltar que até o momento não foram encontradas relações diretas nos estudos grandes já realizados, porém como é padrão, novas investigações estão em andamento.

O que se vê diariamente é uma relação já confirmada entre  obesidade e emagrecimento com eventos psiquiátricos, o que poderiam justificar tais relatos de pensamentos suicidas e mutilação, que necessariamente, não são originários do uso dos remédios em si. Hoje, tanto Saxenda, Rybelsus e Ozempic estão classificados como drogas seguras com indicação precisa e sim, tem efeitos colaterais já descritos em bula, o que ainda não implica em efeitos psiquiátricos graves”, explica Ana Luisa Vilela, médica e nutróloga especialista em emagrecimento.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) emitiram um comunicado oficial ressaltando que “os dados de segurança disponíveis até o momento não mostraram nenhuma associação causal entre pensamentos suicidas ou de automutilação e esses medicamentos.

Esse tipo de investigação faz parte do processo de vigilância pós-marketing, que tem como objetivo identificar efeitos colaterais mais raros, que podem não ser observados em estudos de fase 3. Atribuição de causalidade em dados do mundo real é um processo complexo, uma vez que podem existir diferenças no perfil dos pacientes que usam ou não determinado medicamento.

Por isso, é essencial realizar análises cuidadosas, inclusive voltando aos dados dos estudos clínicos, a fim de obter uma compreensão mais completa e precisa dos eventos adversos relatados. Devemos compreender que qualquer medicamento, incluindo a semaglutida e a liraglutida, possui indicações, contraindicações e possíveis efeitos colaterais.

O uso adequado deve ser sempre orientado por profissionais de saúde. Desse modo, reforçamos o alerta de que é fundamental que os pacientes utilizem esses medicamentos somente sob prescrição médica e sigam as orientações adequadas. Com base na notícia, no entanto, não há qualquer razão para interrupção da medicação, sendo que dúvidas específicas sempre devem ser sanadas com o médico prescritor”, descreve a nota.

O médico integrativo Enrique Lora concorda com o posicionamento apresentado não só pela colega, assim como, por diversos órgãos de saúde após a repercussão da notícia. “Podemos afirmar que esses medicamentos se tornaram uma ferramenta bastante importante para auxiliar no processo de emagrecimento de muitas pessoas. O problema é que a população no geral sempre busca uma solução imediatista, de resultados quase que milagrosos para a manutenção do peso. Independente dos recursos utilizados para se chegar a um resultado positivo de perda de peso, é preciso analisar e mudar hábitos que são pilares importantes não só para a saúde como também para a longevidade. Quando pensamos nos ativos como aliados dentro de um conjunto de ações, os resultados são muito mais promissores e duradouros e a medicina integrativa mostra isso de maneira constante”.

O médico ainda salienta que não é de hoje que existe uma associação de depressão com obesidade, ocasionada por outro agravante que determina a piora do quadro: a ansiedade. “Geralmente o paciente obeso é ansioso e na maioria dos casos notamos que os neurotransmissores de seu organismo não estão em pleno funcionamento. Através do uso dessas medicações podemos provocar uma desbiose, que seria um desarranjo intestinal para que os receptores desses neurotransmissores, como serotonina e dopamina, acabem sendo neutralizados. De fato, uma pessoa que tem quantidades menores desses neurotransmissores no corpo, vai ter sintomas depressivos, e tudo vira uma bola de neve e uma bomba relógio. Resumindo, a questão não é somente emagrecer, mas manter a saúde mental e física, em todos os sentidos”, explica o médico.

A nutróloga que foi uma das responsáveis pelo pioneiro Ambulatório de Obesidade em Itapevi, que ajudou a comunidade a eliminar mais de 20 toneladas de peso com saúde, ainda complementa: “Com minhas especializações em Cirurgia Geral e Bariátrica, Endocrinologia e Nutrição Médica, tenho respaldo para falar sobre o uso desses medicamentos de maneira dosada e responsável. Mais do que isso, por ser uma ex obesa vivi na pele o que meus pacientes relatam e sei o quanto a obesidade pode ser um desafio e acabar com a vida de alguém, em todos os sentidos”.

Lora finaliza e lista mudanças de comportamento que podem garantir um shape agradável: “Eu sempre falo e repito aqui que se a medicação for bem indicada e adequadamente aplicada, a pessoa vai acabar mexendo em outros pilares como atividade física, vai se utilizar a alimentação mais natural (não inflamatória), vai prestar atenção na qualidade e quantidade do sono, vai se expor à luz do Sol diariamente como método de saúde e equilíbrio, enfim, funciona como efeito dominó. Assim, o paciente utiliza o medicamento como impulsionamento para essas mudanças e tem resultados ainda mais efetivos e consistentes, e ainda, o mais importante, resultados duráveis”.

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