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Modalidade é realizada com apoio de um tecido suspenso, que elimina a ação da gravidade, aliviando as tensões e peso das articulações – mas não pense que apenas por isso a aula se torna menos intensa para quem a pratica

A ioga é uma prática que integra posturas e exercícios respiratórios que fortalecem o corpo e trabalham a flexibilidade de casa pessoa. Além disso, trabalha a mente, fazendo com que quem a pratique consiga se conectar com seu eu interior também.

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Ioga com tecido, assim como a ioga tradicional, exige muita força, mas, principalmente, concentração e entrega do aluno
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Ioga com tecido, assim como a ioga tradicional, exige muita força, mas, principalmente, concentração e entrega do aluno

E se antes as pessoas confundiam a modalidade com uma simples meditação, hoje, muitos já entenderam que a ioga vai além disso, promovendo de fato o fortalecimento dos músculos. Sendo assim, a combinação corpo tonificado e paz de espírito tem chamado atenção de muita gente pelo mundo.

A ioga tradicional também abre espaço para diferentes modalidades com o mesmo intuito, como a ioga com tecido, que é realizada com o apoio de um tecido suspenso. Essa "ajudinha" elimina a ação da gravidade e, consequentemente, alivia tensões e peso das articulações.

Mas não pense que, por conta disso, a aula fica mais fácil. Muito pelo contrário, com a ajuda dos tecidos é possível até mesmo aumentar ou dificultar a execução das posturas de ioga. Mas, calma, não se assuste porque a prática é possível, sim, de ser feita até mesmo por quem nunca havia praticado a modalidade – como eu mesma, repórter do Delas , pôde comprovar. 

Como funciona uma aula de ioga com tecido

Nem todos os movimentos exigem que você fique de cabeça para baixo, então a ioga com tecido quase não tem restrições
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Nem todos os movimentos exigem que você fique de cabeça para baixo, então a ioga com tecido quase não tem restrições

A convite da Bio Ritmo, que lançou nesta semana uma microgym com três modalidades de ioga, eu fui conferir como funciona a realizada com tecido, chamada também de "air yoga" ou "flying yoga".

Atualmente, eu pratico musculação duas vezes por semana e corro sempre que possível. Há dois anos, pratiquei pilates e alongameno por seis meses com uma professora que também incluía algumas posturas de ioga na aula, mas a modalidade mesmo, nunca pratiquei.

A aula que participei foi experimental, então foram 90 minutos reduzidos a apenas 30 minutos, mas já deu para se ter uma ideia de como funciona a prática e ainda "brincar" um pouco com o tecido.

Para a realização das posturas, mais importante que força foi ter equilíbrio e concentração. Além de tentar realizar da forma correta o que a professora pedia, eu também tinha de prestar atenção no que ela falava – e às vezes eu estava com a cara no tapete, então não dava para ficar olhando para ela sempre.

Confesso que já ter, naturalmente, flexibilidade me ajudou e muito, mas mesmo assim algumas posturas dão aquela "puxadinha" e dói um pouco, mas nada impossível de ser realizado. Ainda assim, uma dica é sempre falar para o professor suas limitações.

Por exemplo, um dos participantes da aula havia operado o joelho há poucos meses. Sabendo disso, a professora que ministrou a aula já tinha em mente quais posições ele poderia fazer e quais exigiriam demais do joelho. Da mesma forma, se você tiver alguma limitação ou fez alguma cirurgia recente, vale avisar ao profissional mesmo sem ele ter perguntado.

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Com a ajuda do tecido, é possível aumentar ou até mesmo dificultar a execução das posturas da ioga tradicional
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Com a ajuda do tecido, é possível aumentar ou até mesmo dificultar a execução das posturas da ioga tradicional

Enquando estávamos só no tapete, tudo tranquilo, mas aí chegou a hora do tecido. No começo, a gente o usou apenas para alongar o corpo em alguns movimentos que eu até já fiz naquela minha aula de pilates, como na foto acima. 

Diferente de uma barra fixa, que pode ser utilizada em aulas de alongamento, por exemplo, o tecido te dá mais liberdade para se alongar, sempre fazendo com que você vá "mais longe". Mas aí a professora pediu atenção de todos e ficou, literalmente, pendurada de cabeça para baixo e sem apoiar os braços no chão. 

Primeiro, ela mostrou o que faríamos. Depois, explicou passo a passo o que tinha de ser feito, então fui lá. O tecido tinha de ficar pouco para baixo dos glúteos, então a gente não ficava exatamente sentado, mas mais pendurado. Depois, era a hora de deixar o corpo cair para trás e ficar com a cabeça para baixo. O passo seguinte era, ainda segurando o tecido com a mãos, abrir as pernas e enrola-las no tecido, para, assim, se se prender e poder soltar as mãos.

Fiz isso, juntei meus pés como na primeira foto da reportagem e... quem disse que tive coragem de soltar as mãos? Simplesmente não deu. Algumas pessoas que estavam na aula comigo já haviam se soltado, mas o medo de cair e bater a cabeça no chão falou mais alto.

Esperei um professor se aproximar para me ajudar e fui de novo: apoio para os glúteos, deixar o corpo ir para trás, cabeça para baixo, pernas enroladas, pés juntos, "agora pode se soltar, você já está presa", afirmou o professor. Sim! Eu estava presa, de cabeça para baixo, sem precisar apoiar minhas mãos no chão e, principalmente, sem cair do tecido.

Como a professora que estava ministrando a aula falou, uma mistura de ansiedade com felicidade e bem-estar ao voltar da posição – com muito cuidado para a pressão não cair, direto para a postura do bebê, em que a gente senta nas pernas, com os joelhos juntos, e se deita sobre a perna, alongando os braços para frente e colocando a testa no tapete.

Modalidade vale para iniciantes, intermediários e avançados

No final, há um relaxamento em que a pessoa fica completamente esticada e dentro do tecido, e a respiração se torna o foco
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No final, há um relaxamento em que a pessoa fica completamente esticada e dentro do tecido, e a respiração se torna o foco

De acordo com Mariana Michelin, coordenadora e professora do estúdio Vidya na Bio Ritmo e quem ministrou a aula experimental, a modalidade com tecido não tem qualquer tipo de contraindicação, mas gestantes e pessoas com labirintite precisam da liberação de um médico.

"No caso da labirintite, se a pessoa não está em crise, eu só recomendo não fazer o relaxamento no tecido [alunos ficam completamente esticados e dentro do tecido]. Mas fora isso dá para fazer. Inclusive, eu tenho labirintite", afirma a especialista.

Os benefícios são os mesmos da modalidade tradicional: equilíbrio do corpo e da mente, alongamento, força, autoconhecimento e autoconfiança. "O tecido ainda reforça um pouco a confiança e autoentrega porque é um pouquinho mais desafiador nesse ponto."

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Como o tecido tira o efeito da gravidade em algumas posturas, dependendo da que é feita, traz leveza e tira o peso de algumas articulações, possibilitando que pessoas com determinadas lesões ou que ainda não têm tanta força possam fazer diferentes posturas que não conseguem no chão.

Mas ao mesmo tempo, como explica a professora, a ioga com tecido pode também dificultar algumas posturas, então para uma prática avançada pode ajudar. "Todas as modalidades são boas para alunos iniciantes, intermediários e avançados, vai de gosto mesmo", completa Mariana.

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