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Após acompanharem grupos de obesos, especialistas americanos concluíram que a perda calórica promovida por ambas as dietas é praticante a mesma

O chamado jejum intermitente se tornou mais uma dieta que promete promover a perda calórica e resolver os problemas de quem não consegue emagrecer. Entretanto, estudo divulgado pelo “JAMA Internal Medicine” na segunda-feira (1) aponta que ela pode não ser tão efetiva assim.

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No jejum intermitente, bebidas zero calorias como água e café puro estão liberadas, mas pessoas ficam sem comer por horas
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No jejum intermitente, bebidas zero calorias como água e café puro estão liberadas, mas pessoas ficam sem comer por horas

Especialistas de Chicago, nos Estados Unidos, acompanharam grupos de pessoas obesas que praticavam o jejum intermitente , a contagem de calorias diária e um terceiro grupo que mantinha uma alimentação comum. Aqueles que seguiram as dietas de fato perderam peso, mas uma não foi muito melhor do que a outra.

A verdade é que a perda de peso foi similar entre os participantes das duas dietas. Após os primeiros seis meses de perda de peso, a média de emagrecimento no grupo que praticou o jejum foi de menos 6,8%, exatamente a mesma que a do grupo com restrição calórica. Já após outros seis meses, que tinham o objetivo de avaliar a manutenção da perda de peso, as taxas foram de menos 6% e menos 5,3%, respectivamente. Sendo assim, os especialistas concluíram que o jejum não é mais eficaz que a restrição de calorias.

Um ponto negativo para a deita com base no jejum é a dificuldade em conseguir mantê-la. A taxa de desistência foi maior neste grupo: 38% ante 29% das pessoas que seguiram a restrição de calorias. Os especialistas também fizeram acompanhamento cardíaco nos voluntários, mas não foram registradas diferenças significativas em relação às duas dietas.

Na pesquisa, que ocorreu entre outubro de 2011 e janeiro de 2015, foram avaliados 100 adultos obesos de 18 a 64 anos, sendo que 86 eram mulheres. Eles foram divididos em grupos por um ano – seis meses para perda de peso e seis meses para manutenção do peso. Aqueles que praticavam o jejum intermitente consumiam 25% da ingestão calórica que precisavam em um dia e 125% no seguinte. Já o grupo com restrição calórica ingeria 75% todos os dias.

O que é o jejum intermitente

É uma prática em que a pessoa que busca por perda calórica intercalando períodos de jejum com períodos de alimentação. Algumas pessoas podem ficar sem comer por 16 horas e se alimentar apenas nas oito horas restantes do dia, enquanto outras fazem o intervalo de 20 hora sem comer e quatro horas podendo ingerir alimentos, por exemplo.

Deborah Secco

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A prática “bombou” no ano passado quando a atriz Deborah Secco revelou que aderiu a ideia do jejum intermitente após o nascimento de sua filha, Maria Flor. Na época, ela chegou a afirmar que ficou 23 horas sem comer. A dieta foi prescrita pela nutricionista da atriz, Fernanda Muller. Nas redes sociais, a especialista afirmou que a atriz só passou a fazer o jejum após Maria Flor deixar o peito.

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Deborah só deveria comer quando sentisse realmente fome. Nessa hora, estava liberada para comer o que quisesse, desde que fosse “bicho ou planta”. Carboidratos só eram permitidos em um dia da semana. Alguns especialistas viram com ressalvas a prática, já que, apesar de realmente proporcionar o emagrecimento, pode não ser muito saudável.

Nutricionista é contra a prática

Para a nutricionista Ivie Rhein, o jejum intermitente não é benéfico para os praticantes de musculação e atletas em geral
Divulgação/Salomon Urraca
Para a nutricionista Ivie Rhein, o jejum intermitente não é benéfico para os praticantes de musculação e atletas em geral

A nutricionista e fisiculturista Ivie Rhein é contra a ideia do jejum intermitente. Como atleta e especialistas, ela mantém uma alimentação regrada, com seis refeições diárias com hora marcada. “O uso de padrões de alimentação esporádicos pode ser eficiente para perda de gordura corporal, mas isso não quer dizer que seja saudável se sustentado a longo prazo ou benéfico para os praticantes de musculação e atletas em geral”, afirma Ivie.

A especialista alerta que é preciso desconfiar quando “a esmola é muita”. Algumas pessoas podem acreditar que são inúmeros os benefícios do jejum, como perda de gordura, aumento do tempo de vida e aumento do metabolismo, mas o problema está na manutenção dessa dieta.

“Primeiramente, não há regras fixas do que você pode ou não comer durante a janela de alimentação, mas é recomendado que a maior parte venha de alimentos ‘limpos’ e não processados. Além disso, é recomendada atenção na ingestão adequada de proteínas. No período de jejum, as bebidas zero calorias estão liberadas, como água, chás e café.”

Apesar de não existirem ainda muitos estudos acerca do jejum intermitente, a nutricionista afirma que a prática pode causar excesso de consumo ou dependência do café, obsessão com a comida durante os períodos de jejum, aumento do nível de ansiedade, insônia – principalmente no caso das mulheres –, baixos níveis de energia, problemas de concentração, aumento de acne, distúrbios metabólicos, obsessão perla imagem corporal e irregularidades menstruais por conta das alterações hormonais. 

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“O jejum intermitente pode levar a perda de gordura sim. No entanto, para quem está interessado em ganhar massa muscular ou em viver uma vida longa e energética, esse não é o melhor método. O melhor ainda é ter equilíbrio. Um bom desempenho físico e cognitivo requer uma alimentação regular.”

Para quem pratica atividades físicas, Ivie recomenda a ingestão de cinco a seis refeições diárias com alimentos ricos em fibras e proteínas, gorduras saudáveis e pobre em carboidratos simples – nada de jejum intermitente. Ela aconselha também evitar alimentos processados e refinados, variar os alimentos, evitar café ou estimulantes para enganar o estômago, hidratar-se e não usar o ato de comer como recompensa.

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