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Mais de 200 mil mulheres participaram de provas da modalidade no estado de São Paulo no último ano

O calendário de corridas de rua no Brasil é intenso. Tem corrida para todo perfil, de profissional a amador. Mais recentemente, o número de mulheres participantes cresceu de forma expressiva, fazendo com que surgissem provas voltadas somente para elas. 

Mulheres já contam com diversas corridas femininas pelo país
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Mulheres já contam com diversas corridas femininas pelo país

Um levantamento feito pela Associação dos Treinadores de Corrida de Rua de São Paulo revelou que o número de corredoras de meias maratonas no Brasil cresceu 90% de 2011 a 2014.

De acordo com a última pesquisa da Federação Paulista de Atletismo sobre corridas de rua, mais de 200 mil mulheres participaram de provas da modalidade no estado no último ano. Este número representa 34% das pessoas que se inscreveram em corridas de rua em 2014. 

“É um número que mostra uma maior preocupação das mulheres com a saúde e a prevenção de doenças”, afirma a médica do InCor Amanda Rodrigues, especialista em cardiologia do esporte. 

A corrida e outras modalidades de atividades físicas oferecem uma série de benefícios para as mulheres. De acordo com Amanda, o exercício tem impacto no controle de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. “Além disso, o papel do exercício como terapia no tratamento do câncer  já é conhecido.”

Mulheres que se superaram com a corrida:

A médica alerta, porém, para as precauções necessárias para que o exercício seja mais bem aproveitado. “Algumas modalidades esportivas exigem um peso corporal baixo e rotina intensa de treinamento, o que acaba levando muitas participantes a distúrbios alimentares e a outros problemas de saúde.”

Amanda se refere a um problema muito comum, chamado “tríade da mulher atleta”, ou “síndrome da mulher atleta”. É o que acontece quando as mulheres praticam atividades físicas desordenadamente, sem acompanhamento, e desenvolvem distúrbios como osteoporose, amenorreia (falta de menstruação), anorexia ou bulimia. “60% das atletas desenvolvem a síndrome, sobretudo nas modalidades associadas à magreza ou em fases de treinamento intenso.”

A médica explica que os problemas causados pela síndrome estão interligados. Com a baixa na gordura, o organismo deixa de produzir hormônios, o que leva à amenorreia e causa problemas ósseos.

“Os distúrbios levam à queda na gordura corporal e consequente redução de estrogênio, que desempenha papel importante na absorção do cálcio e pode fazer com que o osso fique mais fraco, com risco de osteoporose. E isso aumenta o risco de fratura.”

É por causa de problemas como esse que a prática de atividades físicas precisa respeitar os limites do corpo. Homens e mulheres que buscam a prevenção de problemas cardíacos e a manutenção da saúde devem praticar cerca de 150 minutos de exercícios moderados por semana, recomenda Amanda.

A média equivale a 30 minutos de atividades físicas por dia, cinco vezes por semana. Para quem faz atividades de alta intensidade – atletas de competição, que precisam de alto rendimento –, o recomendado é 75 minutos por semana.

Independentemente do sexo, da modalidade e da idade, é necessário fazer uma avaliação médica antes de começar qualquer atividade física.  

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que sejam realizadas consultas com cardiologista e, no caso de homens acima de 40 anos e mulheres acima de 50, que sejam feitos testes ergométricos antes do início do programa de exercícios. 

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