
A terapia hormonal usada durante a menopausa voltou a ser discutida após mudanças recentes nas informações de alguns medicamentos.
A FDA aprovou alterações nas bulas de seis produtos, retirando dos alertas mais destacados referências a doenças cardiovasculares, câncer de mama e demência provável. Isso, porém, não significa que esses riscos tenham sido eliminados: eles continuam descritos nas informações completas dos medicamentos.
Para a ginecologista Bruna Paschoalim, que atua na área de saúde da mulher e reposição hormonal, a atualização reforça a importância de avaliar cada caso individualmente. Idade, período desde o início da menopausa, sintomas e histórico de saúde estão entre os fatores que devem ser considerados antes da indicação.
Quando falamos em terapia hormonal, não existe uma resposta única para todas as mulheres. O tratamento precisa levar em conta a idade, o momento da menopausa, os sintomas, o histórico de saúde e os possíveis riscos e benefícios para aquela paciente. A atualização das informações não significa que o tratamento passou a ser indicado para todas Bruna Paschoalim
O tratamento pode ser utilizado para controlar manifestações comuns dessa fase, como ondas de calor, suor noturno, alterações no sono e sintomas geniturinários, a exemplo do ressecamento vaginal.
De acordo com a The Menopause Society, mulheres selecionadas, principalmente aquelas que iniciam a terapia antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros dez anos após a menopausa, podem apresentar uma relação favorável entre benefícios e riscos.
Por que a indicação não é igual para todas
Parte das dúvidas atuais está relacionada a pesquisas mais antigas sobre o tema e à forma como seus resultados foram interpretados ao longo dos anos. A avaliação também pode mudar conforme o tipo de hormônio utilizado, a dose, a via de administração, a idade e o momento em que o tratamento é iniciado.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) considera esses fatores na análise individual dos riscos e benefícios. Por isso, a terapia hormonal não deve ser encarada como uma opção que apresenta os mesmos efeitos para todas as mulheres.
Segundo Bruna, essa é uma das principais dúvidas encontradas no consultório. Algumas pacientes chegam às consultas relacionando automaticamente a reposição hormonal ao câncer ou ao ganho de peso, sem considerar que existem diferentes formas de tratamento e que a indicação depende das características de cada caso.
O que precisamos evitar é transformar a terapia hormonal em uma questão de tudo ou nada. Existem mulheres que podem se beneficiar do tratamento e outras para as quais ele não é indicado. A decisão precisa considerar o momento da menopausa, as condições de saúde e a estratégia mais adequada para cada caso Bruna Paschoalim
O tratamento causa ganho de peso?
O peso também aparece entre as preocupações mais comuns. Segundo a The Menopause Society, a terapia hormonal não está associada ao ganho de peso.
Alterações na composição corporal que ocorrem durante a meia-idade podem estar relacionadas a diferentes fatores, entre eles o envelhecimento e as próprias mudanças hormonais.
A avaliação, no entanto, vai além da balança. Ondas de calor, insônia, ressecamento vaginal, irritabilidade e redução da disposição podem interferir diretamente na rotina e na qualidade de vida. Esses sintomas também fazem parte da análise feita pelo médico antes da definição da estratégia de tratamento.