
Alterações que parecem apenas estéticas podem, em alguns casos, revelar que o organismo está passando por algum desequilíbrio.
Queda de cabelo, unhas quebradiças, ressecamento da pele e dificuldade de cicatrização estão entre os sinais que merecem atenção quando surgem de maneira persistente ou sem uma causa aparente.
Segundo a dermatologista do Hospital Badim (RJ), Fernanda Souza, mudanças nos cabelos e nas unhas podem estar relacionadas a deficiências nutricionais, anemia ou alterações hormonais.
"Esses sintomas podem ocorrer por conta de anemia ou carência de complexos vitamínicos, como a vitamina B12, ou carência de ferro, de ferritina ou ainda de uma alteração hormonal", explica.
A investigação depende da avaliação médica e pode incluir exames laboratoriais. Entre os testes que podem ser solicitados estão hemograma, ferro, ferritina, vitamina B12, hormônios da tireoide, zinco e vitamina D.
Os exames são fundamentais para que se possa dar início à reposição, caso seja necessário. É importante ter o acompanhamento médico e não fazer uso de suplementos de forma indiscriminada Fernanda Souza
A automedicação, especialmente com vitaminas e minerais, é outro ponto de preocupação. De acordo com Fernanda, é comum que pessoas recorram a tratamentos utilizados por conhecidos ou encontrados na internet diante de queixas semelhantes.
"É comum o paciente com queixa de unha fraca ou queda de cabelo pegar a receita de um amigo ou parente ou até mesmo uma indicação que viu na internet, achando que vai funcionar, mas tratamento de saúde não é receita de bolo e deve ser direcionado para a deficiência de cada paciente", reforça.
Doenças também podem aparecer na pele
Nem sempre a origem dessas manifestações está relacionada à alimentação. Algumas alterações hormonais e metabólicas também podem produzir sinais visíveis na pele, nos cabelos e nas unhas.
A chefe do serviço de Endocrinologia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP-RJ), Ana Cristina Belsito, explica que diferentes condições podem apresentar manifestações dermatológicas.
No hipotireoidismo, por exemplo, são comuns cabelos secos, pele ressecada e descamativa e unhas frágeis. Já o hipertireoidismo pode deixar a pele quente, úmida e brilhosa.
Em pessoas com diabetes, podem surgir ressecamento, coceira, infecções e furúnculos, além da acantose nigricans, caracterizada pelo escurecimento e espessamento da pele, principalmente em regiões de dobras, como pescoço, axilas e virilhas.
A síndrome dos ovários policísticos também pode provocar alterações como acne, aumento de pelos, queda de cabelo e seborreia. Já a hemocromatose pode deixar a pele com uma tonalidade mais bronzeada.
Outras doenças também apresentam manifestações específicas. Na insuficiência renal, por exemplo, podem ocorrer coceira, ressecamento e uma coloração amarelo-acinzentada da pele.
Na insuficiência adrenal, alterações na pigmentação e nas unhas podem aparecer. Em casos de obesidade, a acantose nigricans, a acne e as estrias estão entre as manifestações possíveis.
As mudanças hormonais da vida adulta também podem interferir na aparência da pele e dos cabelos.
Vale citar também o climatério e a menopausa, que não são doenças, mas provocam grandes mudanças hormonais e, com frequência, deixam a pele seca e os cabelos secos, finos e quebradiços Ana Cristina Belsito
Quando procurar avaliação
Alguns sinais merecem atenção especial, principalmente quando aparecem de forma repentina, intensa ou persistente. Queda acentuada de cabelo, acne que surge de maneira súbita ou se torna muito intensa, aumento excessivo de pelos e alterações menstruais estão entre as situações que justificam uma investigação.
Também é importante observar o aparecimento de manchas escuras e espessas em áreas de dobras, estrias largas e arroxeadas, coceira generalizada sem explicação ou mudanças na pele acompanhadas de sintomas como alteração de peso, cansaço excessivo, palpitações e intolerância ao frio ou ao calor.
Lesões novas que crescem, mudam de aparência ou não cicatrizam também devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
"É fundamental buscar ajuda médica para controlar essas condições antes que os sintomas se agravem e surjam as complicações", adverte Ana Cristina.