Endometriose pode afetar intestino e sistema urinário
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Endometriose pode afetar intestino e sistema urinário


Dor ao evacuar, vontade urgente de urinar, sangue na urina ou alterações no intestino durante a menstruação podem parecer problemas isolados, mas, em alguns casos, esses sinais têm uma origem em comum: a endometriose.

A doença, geralmente associada a cólicas e dor pélvica, também pode afetar órgãos próximos e provocar sintomas que muitas mulheres não relacionam ao ciclo menstrual.

Entre as manifestações estão constipação, dor ao evacuar, alterações no funcionamento intestinal, dor ao urinar e até escapes de urina.

Quando esses sintomas aparecem de forma recorrente ou se intensificam nos dias próximos à menstruação, esse padrão pode ser uma pista importante para a investigação médica.

Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose apresenta prevalência estimada entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico pode levar, em média, sete anos, o que reforça a importância de observar sinais que muitas vezes acabam sendo tratados como problemas independentes.

Para o ginecologista e obstetra Dr. Marcos Tcherniakovsky, da Clínica Ginelife e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), é preciso ampliar a percepção sobre a doença e considerar que seus efeitos podem atingir diferentes regiões do organismo.

No intestino, a endometriose pode estar associada a sintomas como constipação, dor durante a evacuação, alterações na consistência das fezes e sangramento ao evacuar.

Como essas manifestações também podem ocorrer em condições gastrointestinais, a exemplo da síndrome do intestino irritável, nem sempre a relação com a endometriose é percebida de imediato.

“Não devemos subestimar o que a mulher traz, pensando que a dor intestinal está relacionada somente ao útero ou ao ovário”, afirma o especialista.

Sintomas urinários também merecem atenção

A bexiga e outras estruturas do sistema urinário também podem estar envolvidas. Dor ou ardência ao urinar, urgência para ir ao banheiro, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e, em determinadas situações, sangue na urina são manifestações que podem estar relacionadas à doença quando há comprometimento da região.

Um dos principais pontos de atenção é perceber se esses sintomas seguem um padrão ligado ao ciclo menstrual. A repetição do desconforto sempre no período da menstruação, por exemplo, pode ajudar o médico a identificar que existe algo além de uma infecção urinária recorrente.

“Se eu percebo que tenho sangue na urina toda vez que estou menstruada, ou dor principalmente ao urinar durante ou próximo do ciclo menstrual, isso precisa chamar atenção”, alerta.

Os escapes de urina também podem aparecer entre as queixas. Segundo o médico, a proximidade da endometriose com nervos e estruturas musculares responsáveis pelo funcionamento da bexiga e do intestino pode favorecer alterações na musculatura e na inervação da região.

Outro ponto que merece atenção é o assoalho pélvico, formado por músculos que participam da sustentação e do funcionamento da bexiga, do útero e do intestino. A presença prolongada de dor e inflamação pode provocar alterações nessa musculatura e também trazer consequências para a vida sexual.

“A fisioterapia é uma grande aliada nossa para melhorar todo esse tratamento e ampliar a visão sobre o assoalho pélvico”, esclarece o Dr. Marcos.

Relação com a menstruação pode ser uma pista

Mais do que observar um sintoma isoladamente, a orientação é prestar atenção à frequência e ao momento em que ele aparece. Alterações intestinais ou urinárias que surgem ou se intensificam durante a menstruação devem ser relatadas ao médico, principalmente quando persistem por vários ciclos.

Isso não significa que toda dor ao evacuar, alteração intestinal ou dificuldade para urinar esteja relacionada à endometriose. Existem diversas condições que podem provocar esses sintomas. No entanto, perceber uma relação clara com o ciclo menstrual pode fornecer uma informação importante para direcionar a investigação.

“Não subestime esses desconfortos, tanto urinários como intestinais, ou qualquer inchaço abdominal. Lembre-se sempre que ter dor não é uma situação normal”, recomenda o ginecologista.

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