
A reta final da gravidez de Cristiane Centrone seguia dentro do esperado. Aos 39 semanas, ela não sentia dores nem contrações e havia feito um ultrassom que indicava que o bebê estava bem. Ainda assim, uma alteração importante passava despercebida: a bolsa amniótica estava rompida havia mais de 40 horas.
A descoberta aconteceu por meio de um teste rápido realizado antes da alta hospitalar. O resultado mudou a avaliação da equipe médica e permitiu a adoção de uma nova conduta para o nascimento.
O episódio surpreendeu Cristiane justamente porque ela não apresentava os sinais que normalmente associava ao rompimento da bolsa.
"Minha gravidez estava transcorrendo normalmente e eu jamais imaginei que a bolsa pudesse estar rompida havia tanto tempo. Posso dizer que esse exame fez a diferença no desfecho do nascimento do meu filho, garantindo a conduta correta para evitar complicações no parto e consequências ao meu bebê, como sofrimento fetal e infecções", relata Cristiane.
Uma alteração que pode passar despercebida
Nem sempre o rompimento das membranas acontece de maneira evidente. Em algumas situações, a saída do líquido ocorre aos poucos, em pequenos escapes que podem ser confundidos com secreções vaginais ou perda de urina, especialmente no fim da gestação.
Segundo Raphael Oliveira, gerente de Diagnósticos Moleculares da QIAGEN na América Latina, justamente por isso a avaliação pode exigir exames capazes de identificar alterações que não são facilmente percebidas durante o atendimento.
"Em alguns casos, o rompimento ocorre de forma lenta, com pequenos escapes de líquido que passam despercebidos ou são confundidos com situações comuns da gestação. Quando há dúvida clínica, exames específicos permitem confirmar ou descartar a ruptura com rapidez, oferecendo mais segurança para a definição da conduta médica."
Esses testes utilizam biomarcadores encontrados no líquido amniótico. Quando essas proteínas aparecem em secreções vaginais, o resultado pode ajudar a confirmar a ruptura das membranas mesmo quando não há uma perda de líquido claramente perceptível.
“Quando essas proteínas são detectadas em secreções vaginais, é possível confirmar a ruptura das membranas mesmo quando não há perda evidente de líquido ou outros sinais clínicos conclusivos. Há também testes capazes de identificar biomarcadores associados ao início do trabalho de parto, auxiliando na avaliação do risco de parto prematuro iminente e na definição da conduta médica em situações de incerteza diagnóstica”, comenta.
Quando a mulher não percebe que algo mudou
O caso de Cristiane mostra como algumas alterações da gestação podem não vir acompanhadas de dor ou de sinais facilmente reconhecíveis. A confirmação do rompimento da bolsa é importante porque, quando a situação permanece por um período prolongado, aumentam os riscos de infecções para a mãe e o bebê.
Com a identificação, a equipe consegue avaliar o cenário e decidir os próximos passos, que podem envolver acompanhamento, indução do parto ou encaminhamento para uma unidade com estrutura adequada.
A tecnologia também tem sido utilizada na avaliação de possíveis partos prematuros. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuramente todos os anos no mundo, e a prematuridade é a principal causa de mortalidade infantil.
Embora o rompimento da bolsa não signifique necessariamente que o bebê nascerá prematuramente, reconhecer alterações de forma antecipada pode contribuir para que a gestante receba o atendimento adequado no momento necessário.
"No cuidado obstétrico, tempo é um fator decisivo. Quanto mais cedo conseguimos esclarecer o que está acontecendo, maiores são as chances de indicar a conduta mais adequada para cada gestante. A tecnologia não substitui a avaliação médica, mas fornece informações objetivas que ajudam a reduzir incertezas e tornam as decisões clínicas mais seguras", conclui Raphael.