
A chegada do inverno costuma alterar os hábitos do dia a dia. É comum beber menos água, diminuir a prática de atividades físicas, tomar banhos mais quentes e permanecer por mais tempo em ambientes fechados.
Embora essas mudanças pareçam inofensivas, elas podem influenciar diretamente a saúde íntima da mulher e intensificar sintomas já existentes.
De acordo com a ginecologista da Clínica Ginelife, Dra. Ana Carolina Romanini, o frio não é o responsável pelo aparecimento de doenças ginecológicas. O problema, segundo ela, está nas adaptações da rotina provocadas pela estação.
O problema não está no inverno, mas nas mudanças que ele promove na rotina. É comum beber menos água, permanecer mais tempo sentado, reduzir a prática de exercícios físicos e optar por banhos muito quentes. Em mulheres predispostas, esses comportamentos podem favorecer infecções urinárias, constipação intestinal, ressecamento da região íntima e intensificar desconfortos pélvicos Dra. Ana Carolina Romanini
Assoalho pélvico também pode sentir os efeitos
Além da região íntima, outra estrutura que pode sofrer com a redução da movimentação é o assoalho pélvico, conjunto de músculos que sustenta órgãos como bexiga, útero e intestino e participa do controle urinário, da função intestinal e da resposta sexual.
Em algumas mulheres, essa musculatura permanece excessivamente contraída, quadro conhecido como hipertonia. Nesses casos, passar mais tempo sentada e reduzir os movimentos do corpo pode favorecer o aumento das dores.
"Fatores como estresse, ansiedade, dor crônica, sedentarismo e alterações posturais podem contribuir para o aumento da tensão muscular. Durante o inverno, embora o frio não seja considerado uma causa direta, a tendência de reduzir a movimentação do corpo e permanecer mais tempo em posições estáticas pode intensificar sintomas em quem já apresenta esse quadro", afirma a especialista.
Segundo a médica, mulheres com endometriose, vaginismo, vulvodínia ou síndrome da dor pélvica crônica costumam perceber um agravamento do desconforto durante esse período.
Coceira nem sempre indica candidíase
Outro hábito comum nos dias frios é o uso frequente de banhos muito quentes e de roupas mais fechadas ou com pouca ventilação. Em mulheres predispostas, esses fatores podem favorecer irritações, aumentar o ressecamento vaginal, especialmente durante a menopausa e alterar o equilíbrio da microbiota vaginal, importante barreira de proteção da região íntima.
Ao surgirem sintomas como coceira, muitas mulheres associam o problema imediatamente à candidíase. No entanto, essa nem sempre é a explicação.
Coceira pode estar relacionada ao ressecamento da pele, alergias, dermatites, líquen ou irritações provocadas por produtos de higiene. O diagnóstico correto depende da avaliação médica e evita tratamentos inadequados Dra. Ana Carolina Romanini
Veja mais
Entenda a busca crescente por estética natural após os 45
Vulvodínea: conheça a doença que impacta a saúde feminina
TESTE: Qual exercício sua musculatura vaginal precisa?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a candidíase ocorre quando há crescimento excessivo da Candida, fungo naturalmente presente no organismo. Alterações no sistema imunológico e no equilíbrio da microbiota podem favorecer esse processo, principalmente na região genital.
Atenção aos sinais do corpo
A especialista reforça que sintomas persistentes não devem ser tratados apenas com automedicação. Corrimento, coceira, ardor, dor durante as relações sexuais ou desconforto pélvico recorrente precisam ser avaliados por um profissional.
"Quando uma mulher convive com coceira, ardência, dor durante a relação sexual, desconforto pélvico ou infecções recorrentes, o impacto vai muito além do físico. Muitas evitam a prática de exercícios, deixam de ter relações sexuais, sentem vergonha dos sintomas e passam a conviver com insegurança. Por isso, é fundamental manter os exames ginecológicos em dia e procurar atendimento sempre que houver alterações como corrimento, coceira, ardor ou dor persistente", conclui a Dra. Ana Carolina Romanini.