
Uma importante notícia para milhões de brasileiras que convivem com os sintomas da endometriose. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou um investimento de R$ 60 milhões para impulsionar pesquisas sobre a doença, dores pélvicas e saúde menstrual no Brasil.
O objetivo é ampliar o conhecimento científico, acelerar diagnósticos e desenvolver soluções que possam beneficiar pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Do valor total, R$ 50 milhões serão destinados pelo governo federal, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para financiar projetos de pesquisa. Outros R$ 10 milhões serão investidos pelo Instituto Alana na criação de uma rede nacional de especialistas dedicada ao estudo da endometriose e de questões relacionadas à saúde menstrual.
A chamada pública do CNPq contemplará projetos em cinco áreas consideradas estratégicas: prevenção, diagnóstico, tratamento, impacto social e biorrepositório, sistema utilizado para armazenar materiais biológicos destinados a pesquisas científicas.
Atualmente, cerca de 8 milhões de brasileiras convivem com a endometriose. Apesar da alta incidência, a doença ainda enfrenta um grande desafio: o diagnóstico tardio. Em média, uma paciente leva cerca de sete anos para descobrir a condição.
Especialistas apontam que a demora está relacionada à normalização das cólicas intensas e de outros sintomas que afetam a qualidade de vida de mulheres e adolescentes. Estudos mostram que seis em cada dez estudantes que menstruam relatam dores moderadas ou fortes, enquanto quatro em cada dez chegam a faltar às aulas por causa do problema.
Além dos impactos físicos, a endometriose também pode comprometer a saúde mental, a vida profissional e a produtividade das pacientes.
Segundo a CEO do Instituto Alana, Flavia Doria, ampliar as pesquisas sobre o tema é fundamental para garantir mais visibilidade à doença e melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Além do financiamento, a iniciativa prevê a criação de uma estrutura nacional para integrar pesquisadores, compartilhar informações e fortalecer a produção de conhecimento científico sobre a endometriose no país.