
Amplamente utilizado para suavizar linhas de expressão, o uso da toxina botulínica ainda levanta questionamentos entre pacientes, sobretudo sobre possíveis impactos com o passar dos anos.
Uma das dúvidas mais frequentes envolve a relação entre aplicações recorrentes e a flacidez da pele, hipótese que, segundo especialistas, não encontra respaldo científico.
De acordo com a cirurgiã-dentista Adriana Fabres, a ação do botox ocorre diretamente na musculatura, sem interferir na estrutura cutânea.
“O botox age no músculo, não na pele. Ele bloqueia temporariamente a contração muscular responsável pelas rugas de expressão, como as da testa e ao redor dos olhos. Portanto, não há mecanismo que leve à flacidez cutânea”, explica.
O efeito do procedimento é temporário e varia de pessoa para pessoa, geralmente com duração entre três e seis meses. Após esse período, a movimentação muscular retorna gradualmente ao normal.
“Quando o efeito passa, o rosto volta ao seu funcionamento habitual. Não existe ‘piora’ da pele por causa do botox. O que pode acontecer é o paciente perceber novamente as rugas que estavam suavizadas quando o efeito passar”, afirma.
A ideia de que o procedimento pode causar flacidez costuma estar associada a fatores naturais do envelhecimento, como a redução de colágeno, alterações hormonais e perda de sustentação da pele.
“Esses processos acontecem independentemente do uso da toxina botulínica. Muitas vezes, o paciente associa a mudança ao procedimento, quando, na verdade, faz parte do envelhecimento natural”, esclarece a especialista.
Outro aspecto relevante é a técnica utilizada na aplicação. Segundo Adriana Fabres, doses inadequadas ou planejamento incorreto podem gerar efeitos indesejados, como sensação de peso em determinadas áreas do rosto.
“Por isso, a avaliação individual e o planejamento são fundamentais. O objetivo é sempre preservar a naturalidade e o equilíbrio facial”, reforça.
A toxina botulínica atua na comunicação entre nervos e músculos, reduzindo a contração responsável pelas chamadas rugas dinâmicas.
“Ele não preenche, não estica a pele e não altera a estrutura do rosto. A ação é exclusivamente muscular”, pontua.
Além da finalidade estética, o procedimento também pode ser indicado em tratamentos terapêuticos, como casos de bruxismo e hiperatividade muscular. Em alguns pacientes, o uso preventivo tem sido adotado para evitar que marcas de expressão se tornem mais profundas ao longo do tempo.
Quando realizado por profissional habilitado e com planejamento adequado, o tratamento tende a favorecer um envelhecimento mais gradual.
“Ao diminuir a contração muscular ao longo dos anos, conseguimos evitar que a pele seja constantemente ‘dobrada’, o que contribui para um envelhecimento mais suave”, explica.
Especialistas reforçam que a busca por resultados naturais passa por acompanhamento contínuo, respeito aos intervalos entre aplicações e associação com cuidados básicos, como proteção solar e rotina de skincare adequada ao tipo de pele.