
A adoção de práticas cotidianas mais equilibradas tem ganhado espaço como estratégia para melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de doenças.
A chamada Medicina do Estilo de Vida, baseada em evidências científicas, propõe ajustes na rotina como forma de promover bem-estar físico e mental.
O conceito, já consolidado em outros países, começa a se expandir no Brasil, acompanhando o crescimento do setor de bem-estar.
Dados do Global Wellness Economy Monitor 2025 indicam que o segmento movimentou US$ 6,8 trilhões no último ano, refletindo o interesse por soluções integradas de saúde.
Segundo a médica vascular Dra. Anna Paula Weinhardt, a proposta vai além do tratamento de sintomas.
“A Medicina do Estilo de Vida propõe um olhar ampliado sobre o paciente, considerando não apenas sintomas, mas aspectos como alimentação, sono, saúde emocional, relações sociais e até o ambiente em que ele vive. É um cuidado mais completo e individualizado”, explica.
Estudos do American College of Lifestyle Medicine apontam que grande parte das doenças crônicas pode ser evitada com mudanças consistentes no dia a dia. Entre as principais orientações, estão:
- Alimentação equilibrada: priorizar alimentos naturais e reduzir o consumo de ultraprocessados
- Atividade física regular: manter o corpo em movimento, mesmo com exercícios leves
- Sono de qualidade: estabelecer rotina e evitar estímulos antes de dormir
- Controle do estresse: incluir pausas e atividades que promovam relaxamento
- Convívio social: fortalecer vínculos e manter uma rede de apoio ativa
- Hábitos saudáveis: reduzir consumo de álcool e evitar o tabagismo
Para a especialista, a frequência desses comportamentos é determinante. “Aquilo que acontece na nossa vida diariamente tem muito impacto na nossa saúde; aquilo que acontece eventualmente não tem tanto impacto. Ou seja, como você se alimenta na maior parte do tempo, o quanto você dorme durante a semana, o quanto você se movimenta ou, ao contrário, o quanto você permanece sentado, sem nenhum movimento, porque está trabalhando, tudo isso tem muito impacto, porque é o que acontece repetidamente. Episódios isolados, como ‘beber demais em uma festa’, podem causar mal-estar momentâneo, mas dificilmente afetam a longo prazo. Já a repetição desses comportamentos, como beber todos os dias, gera impactos consistentes na saúde.”, afirma.
A abordagem reforça o papel do indivíduo na própria saúde, destacando que mudanças simples, quando mantidas ao longo do tempo, podem trazer resultados significativos.